domingo, 29 de janeiro de 2012

BIBLIOLOGIA: CIENCIA DA HISTÓRIA E COMPOSIÇÃO DOS LIVROS SAGRADOS - PARA QUEM GOSTA DE LER E APRENDER.


1 DOUTRINAS

O Objetivo de Deus é que todos os Seus filhos cresçam na Graça e no Conhecimento (Ef. 4.11-16). A estagnação espiritual não é vontade de Deus e nem faz parte do Seu Santo Plano. O Apóstolo Paulo, escrevendo aos irmãos de Efésios, diz: “...não devemos ser como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.” (4.14)
Todos os filhos de Deus são convocados para conhecer a Deus, pois a própria Bíblia mostra para nós três tipos de doutrina, ou seja, de ensino:

• A Doutrina de Deus: Dt. 32.2; Pv. 4.1-27; Mt. 7.24-29; Lc. 4.32; At. 2.42; 13.12; Tt. 2.1
• A Doutrina de Homens: Mat. 15.9; Col. 2.22; Tt. 1.14
• A Doutrina de Demônios: I Tm. 4.1


“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repressão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (II Tm 3.16-17 NVI)


A Bíblia é o fundamento para todo o estudo cristão. Ela é, sem dúvida, o registro das palavras e dos feitos de Deus ao longo da história. Ela não foi escrita somente para teólogos, pastores, estudiosos, etc., mas para todo o Povo de Deus.
A partir deste momento iremos estudar a matéria Bibliologia (Estudo da Bíblia), mostrando, inicialmente, que a mesma se divide em duas partes principais: O Antigo Testamento e o Novo Testamento.

Como a palavra “testamentum” significa “aliança”, em latim, o Antigo Testamento mostra a aliança que Deus fez com o Seu povo no Monte Sinai (Ex. 19.5). Ele foi escrito pela comunidade judaica, sendo preservado durante um milênio, ou mais, até o tempo de Jesus.

Já o Novo Testamento mostra uma aliança entre o Deus Santo e a humanidade perdida, instituída pelo nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Ele mesmo disse: “Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós.” O Novo Testamento foi composto pelos discípulos do Nosso Senhor Jesus Cristo, ao longo do século I d.C.
A palavra “testamento” significa uma aliança, pacto ou acordo celebrado entre duas partes. No Antigo Testamento temos o contrato antigo, feito entre Deus e o Seu povo (Judeus), e no Novo Testamento temos a aliança entre Deus e os cristãos, através de Cristo Jesus.

Jesus Cristo, sem dúvida alguma, é o tema central da Bíblia, desde o
seu início até o fim. Já em Gênesis 3.15, no início, dá para perceber a presença do que se pode chamar de primeiro evangelho (Boas-Novas), mostrando Jesus como o prometido da semente da mulher. Em Apocalipse, o mesmo Jesus prometido está sentado no grande trono branco, julgando a todos os homens.
A palavra Bíblia, na língua grega, significa “livros”, uma coleção de livros que foi escrita ao longo de 1.200 anos, por vários autores, envolvendo um total de 40 pessoas.


2 BÍBLIA: ORIGEM, SIGNIFICADO E HISTÓRIA


Apesar da Bíblia ser uma coletânea de 66 livros, 39 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento, para efeito do processo de canonização todas essas seções foram reunidas num só livro.

A palavra portuguesa “Bíblia” vem do grego “biblion” (livros). Por volta do século II d.C. os cristãos gregos já chamavam suas Escrituras Sagradas de “Bíblia” (os livros), palavra que os estudiosos dizem derivar do nome da cidade fenícia de Biblos, que era um dos antigos e importantes centros produtores de papiro (papel antigo). Dessa forma, o vocábulo “Bíblia” significa coleção de livros pequenos.,
A Bíblia foi escrita originalmente em papiro e pergaminho (II Tm. 4.13). Enquanto o papiro era uma planta aquática, o pergaminho era feito de pele de animais, que era preparada para a escrita.

O formato da Bíblia, neste período, era de rolos, um para cada livro (Lc. 4.17-20). Também vale ressaltar que a Bíblia era toda escrita com letras maiúsculas, uma vez que a diferença entre maiúsculas e minúsculas só veio a acontecer no século IX.

A princípio, a Bíblia não era dividida em capítulos e versículos, fato que só ocorreu em 1226, através do trabalho de Stephen Langton, que separou a Bíblia em capítulos para facilitar a leitura. Em 1445 o Rabi Nathan dividiu o Antigo Testamento em versículo e em 1551 Robert Stevens introduziu a divisão em versículos para o Novo Testamento.

A Bíblia contém 1.189 capítulos e 31.173 versículos.
No segundo século da Era Cristã os chineses inventaram o papel e em 1456 o alemão Johann Gutenberg inventou a prensa tipográfica. Foi a partir dessas descobertas e invenções que a Bíblia deixou de ser copiada à mão, começando a ser imprimida mecanicamente.
Quando a Bíblia foi impressa pela primeira vez, em 1560, ela já veio dividida em capítulos e versículos. A primeira Bíblia a ser imprensa foi a “Vulgata”, de Jerônimo, ficando conhecida como a “Bíblia de Gutenberg”. Vale registrar que Jerônimo traduziu a Bíblia do grego para o latim. Basicamente, a Bíblia foi escrita em duas línguas: O Antigo Testamento em Hebraico e o Novo Testamento em Grego.

3 A BÍBLIA EM CINCO PALAVRAS

Os estudiosos dizem que o autor da Bíblia é Deus, seu real intérprete é o Espírito Santo e que o seu assunto central é Jesus Cristo. Os teólogos também dizem que o homem deve ler a Bíblia para ser sábio, deve crer nela para ser salvo e deve praticar seus ensinos para ser santo.
Alguns estudiosos gostam de resumir os 66 livros da Bíblia em cinco palavras, todas elas apontando para o Nosso Senhor Jesus Cristo:

• Preparação: Todo o Antigo Testamento trata da preparação do mundo para o advento de Cristo;

• Manifestação: Os Evangelhos tratam da manifestação de Cristo ao mundo como Redentor;

• Propagação: Os Atos dos Apóstolos tratam da propagação de Cristo por meio da Igreja;

• Explanação: As Epístolas tratam da explanação de Cristo, transformando-se nos detalhes da doutrina cristã;

• Consumação: O Apocalipse trata de Cristo consumando todas as coisas


4 JESUS CRISTO E AS ESCRITURAS


O cristão autêntico tem na Palavra de Deus o seu verdadeiro alimento. O próprio Jesus Cristo citou várias vezes as Escrituras Sagradas. Ele tinha total intimidade com o Pai, realizou vários milagres, nutria uma profunda vida de oração e de misericórdia. Todavia, isso não era tudo. Em sua vida Ele tinha um profundo relacionamento com as Escrituras.

Várias vezes os escritores do Novo Testamento, precisamente nos evangelhos, mostram Jesus Cristo familiarizado com as Escrituras sagradas. Como exemplo, podemos citar os livros de Mateus (4.4,7;11.10;19.4;21.16,42;22.29), de Marcos (10:5-9) e de Lucas (19.46;24.25-27,44-47).
Se Jesus Cristo meditava nas Escrituras Sagradas, eu e você devemos também confiar plenamente nelas, deixar-nos ser norteados por ela e não pelo nosso ego ou pelas muitas vozes que existem neste mundo sem Deus.


5 CONCÍLIO INTERNACIONAL DA BÍBLIA

O Concílio Internacional sobre a Inerrância Bíblica afirma:
“ Jesus Cristo, o Filho de DEUS, que é a Palavra (Verbo) feita carne, nosso Profeta, Sacerdote e Rei, é o mediador último da comunicação de Deus ao homem, como também o é de todos os dons da graça de Deus.

A revelação dada por Ele foi mais do que verbal; Ele revelou o Pai mediante sua presença e seus atos. Suas Palavras no entanto foram de importância crucial, pois Ele era Deus (...) Na qualidade de Messias prometido, Jesus Cristo é o tema central das Escrituras. O Antigo Testamento olhava para ele no futuro; o Novo Testamento olha para trás, ao vê-lo em sua primeira vinda, e para frente em sua segunda vinda”.(1978, p. 191)

O estudo da doutrina cristã deve ser visto à luz da Bíblia. Muitas são as formas de ensino que existem hoje. O Dr. Millard Erickson aponta quatro caminhos: “Teologia Natural”, “A Tradição Religiosa”, “A Experiência” e as “Escrituras”. Como cristãos autênticos, devemos ficar com as Escrituras como a única regra de fé e conduta para todo o povo de Deus.
O Dr. Wilbur O Donovan Jr., em suas pesquisas sobre a Bibliologia resume esta doutrina afirmando:

Toda a Bíblia, Antigo e Novo Testamentos, assim como foi dada áqueles que escreveram suas palavras, é a palavra exata e completa de Deus. Ela foi inspirada pelo Espírito Santo e dada por meio de cada autor humano, nas palavras e no estilo deste. Esses escritos eram sem erros e contém toda a revelação de Deus ao ser humano. Tudo que o ser humano precisa saber para a sua salvação e seu relacionamento com Deus é encontrado nos antigo e novo Testamentos. (1999, p. 36)


6 ESCRITURA SAGRADA


No estudo da Bibliologia é importante definirmos o que significa Inpiração, Inerrância, Revelação, Iluminação, Cânon Sagrado, etc.

6.1 Inspiração

Os eruditos em Bibliologia Dr. Norman Geisler e William Nix afirmam que a característica mais importante da Bíblia não é sua estrutura e sua forma, mas o fato de ter sido inspirada por Deus. Quando falamos de inspiração, não se trata de inspiração poética, mas autoridade divina.

O dicionário de teologia afirma que Inspiração é um termo utilizado para designar a obra do Espírito Santo de capacitar escritores humanos a registrar o que Deus desejava que fosse o conteúdo das Escrituras.

A própria Bíblia, de maneira clássica, mostra esta doutrina inquestionável. A palavra Inspiração aparece em II Timóteo 3. 16, quando Paulo escreve: “Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça”.

Em I Coríntios 2.13 o Apóstolo Paulo nos diz: “Disto também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais”.
Nesta mesma linha doutrinária a grande passagem na carta petrina não deixa dúvida que a Bíblia é a palavra de Deus. “Pois a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens santos da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1.21). No livro de Hebreus vemos também esta afirmação que Deus falou aos profetas de várias maneiras (Hb.1.1).

O teólogo Dr. Millard Erickson diz na página 67 do seu livro que por inspiração das Escrituras entendemos a influência sobrenatural do Espírito Santo sobre os autores das Escrituras, que converteu seus escritos em um registro preciso da revelação ou que faz com que seus escritos sejam realmente a Palavra de Deus.

Erickson nos faz lembrar que duas coisas eram sagrados para os judeus, na época de Jesus Cristo: a primeiro era o templo e a segunda era a Escritura. Quanto à primeira, Jesus Cristo disse que não ficaria pedra sobre pedra (Mt.24.2), porém quanto à Escritura, Ele considerava inspirada, autorizada e indestrutível (Mt.5.18; Jô 10.35).

A essência da inspiração é o próprio Deus, como salienta Dr. Bruce, usando como base o profeta Isaías (6.8; Ez.2). Por isto os profetas de Deus diziam: “Assim diz o Senhor”.
Na teoria da Inspiração várias fórmulas foram analisadas, numa tentativa de descrever como o Deus Todo-Poderoso operou na produção da Sagrada Escritura. Essas formas foram:

1) Ditado
2) Acomodação
3) Supervisão
4) Verbal
5) Plenário

Quando estudamos sobre a Inspiração, nos deparamos com a “Revelação” e com a “Iluminação”.

6.2 Revelação

A Revelação nos mostra a verdade, “Deus se revelando a nós”, através de homens que foram Inspirados.

6.3 Iluminação

A Iluminação é o dom de compreender o que Deus revelou através de homens Inspirados. Logo, a iluminação tem que ser na mente e no coração. Todavia, elas são co-relatas e as duas (revelação e Iluminação) dependem da Inspiração.
Fazendo uma combinação das passagens que ensinam sobre a inspiração divina, descobrimos que a Bíblia é inspirada no seguinte sentido: Homens, movidos pelo Espírito Santo, escreveram palavras sopradas por Deus (Gr. Theopneustos), as quais são a fonte de autoridade para a fé e para a prática cristã (Geisler e Nix, p.10).
O erudito Wilbur Donovan (1999, p. 40,41) sintetiza os conceitos de Inspiração, Revelação e Iluminação da seguinte maneira:


Inspiração foi o processo pelo qual Deus moveu as mentes dos que escreveram a Bíblia para anotar as suas palavras. Isto já está encerrado. A Bíblia já está completa não precisa acrescentar mais nada a Ela (Ap.22.18-19; Prov.30.6).

Revelação foi o ato em que Deus fez conhecer aos escritores da Bíblia aquilo que eles não poderiam conhecer por si mesmos. Como a redação da Bíblia já está terminada, as revelações inspiradas de Deus para todas as pessoas também estão.

Iluminação é o processo pelo qual o Espírito Santo dá a compreensão da palavra de Deus àqueles que lêem e estudam. Ele faz isso por seu povo, de geração a geração. Podemos orar para que o Espírito Santo ilumine a nossa mente hoje, para podermos entender a Palavra de Deus (Sal.119.18)


O Teólogo Henry Clarence Thiessen (2001, p. 47,48), em seu argumento da indestrutibilidade da Bíblia diz que:


Quando nos lembramos de que apenas uma porcentagem muito pequena de livros sobrevive além de um quarto de século; que uma porcentagem muito menor dura um século; e que apenas um número muito pequeno dura mil anos; ; percebemos imediatamente que a Bíblia é um livro diferente. E quando, além disso, lembramos-nos das circunstancias nas quais ela tem sobrevivido, este fato torna-se muito surpreendente”.


O teólogo reformado A. W. Pink (1917, p. 113,114), no livro “The divine inspiration of the Bible, afirma:

"Quando pensamos no fato da Bíblia ter sido objeto especial de
infindável perseguição, a maravilha da sua sobrevivência se transforma num milagre. Por dois mil anos, o ódio do homem pela Bíblia tem sido feito para corroer a fé na inspiração e autoridade da Bíblia, e inúmeras operações tem sido levadas a efeito para faze-la desaparecer. Decretos imperiais tem sido passados ordenando que todas as cópias existentes da Bíblia fossem destruídas, e quando essa medida não conseguiu exterminar e aniquilar a Palavra de Deus, ordens foram dadas para que qualquer pessoa que fosse encontrada com uma cópia das Escrituras fosse morta. O próprio fato de ter a Bíblia sido o alvo de tão incansável perseguição nos faz ficar maravilhados diante de tal fenômeno".

As várias religiões existentes hoje no mundo, não tem a Bíblia como a Palavra de Deus inspirada e única. Tanto as seitas como as várias expressões religiosas colocam em descrédito a Bíblia.

Os mormonismos, os Testemunhas de Jeová, usam a Bíblia não como suficiente. Para eles a Bíblia não é suficiente ela precisa ser acrescida com outro tipo de revelação. A Bíblia dos Testemunhas de Jeová é adulterada em suas várias formas contendo erros doutrinários sérios como a negação da divindade de Cristo e do Espírito Santo.

A igreja Católica Romana, acrescentou vários livros no canon sagrada para fundamentar suas ideologias, além disto colocou a TRADIÇÃO no mesmo nível que a Bíblia, pois acredita ser a verdadeira interprete da Bíblia. Ela nutri em seu bojo doutrinário a Sola Ecclesia em vez da Sola Scriptura.

O Islamismo religião que a cada dia cresce no mundo não crê na veracidade da Bíblia. Eles citam passagens da Bíblia mais ela não é regra de fé e conduta para o mulçumano. Segundo a história mulçumana Maomé o grande profeta recebeu a primeira revelação do anjo Gabriel em 610 quando ele tinha 40 anos. Ele recebeu várias revelações. Essas pseudas revelações não foram escritas e nem teve um processo de canocidade e de vários autores como a bíblia. Elas foram dadas no solo fragmentado das visões e do êxtases. Após isso a tradição oral era escrita. Para eles o Alcorão é único e é a Vox Dei, perfeito, sem contaminação e revelação final.


7 A BÍBLIA É INERRANTE

Os manuscritos originais não possuem erro, e deve ser assim, visto que:

a) A Bíblia é a Palavra de Deus. Se ela contivesse erros, Deus cometeria enganos em sua fala. Então Deus não seria perfeito, que é absurdo;

b) A Bíblia é a revelação de Deus. O Deus dos céus se revela na Escritura. É uma afronta à sua sabedoria pensar que Ele poderia cometer um engano, e à sua veracidade que ele poderia contar uma mentira (cf. Tito 1:2).

c) A Bíblia alega ser perfeita (Sl. 19:7). Jesus disse: “Tua Palavra é a verdade” (João 17:17). Ele mesmo era a verdade (João 14:6) e não profere mentiras. Visto que a Bíblia é perfeita, ela não possui erro.

Cristo ensina em João 10:35 que “...a Escritura não pode ser anulada” – que é impossível que a Escritura possa errar. (Angus Stewart).

Segundo o Dicionário de Teologia, a palavra Inerrância, quando aplicada à Bíblia, refere-se à “doutrina diversamente interpretada de que a Bíblia está isenta de erros”. A Bíblia, segundo a tradição protestante, é infalível. Este ponto só serve para Deus e Sua Palavra e jamais para o homem, ou concílios, papas, igreja etc.

A palavra Infabilidade vem do latim (IN) “não”, e fallibilis “falso”. Sendo assim, a Bíblia não contém erro; ela é isenta deste atributo humano, pois é divina sua Inspiração.
Dr. Wayne Gruden, em seu estudo sobre a Inerrância (p. 58,59), afirma que: “

Todas as palavras na Bíblia são palavras de Deus e que portanto, não crer em alguma palavra das Escrituras ou não obedecer a ela é não crer em Deus ou desobedecer a ele.. A Bíblia ensina que Deus não pode mentir nem falar com falsidade (2 SM.7.28;Tt.1.2;Hb.6.18). Assim, todas as palavras da Bíblia são verdadeiras e destituídas de erros, qualquer que seja o trecho (Nm 23.19;Sl.12.6; 119.89,96;Pv.30.5;Mt.24.35). As palavras de Deus são, de fato, o padrão máximo da verdade (João.17.17)

A Bíblia é Pura (Sl.12.6;Pv.30.5) ( p. 58); a Bíblia é em tudo proveitosa (2 Tm.3.16); A Bíblia é Perfeita (Sl.119.96); A Bíblia é Verdadeira (Pv.30.5). O crente verdadeiro não pode ser como os discípulos de Emaús, que foram advertidos por Jesus Cristo (Luc. 24.25), mas devem crer plenamente na Bíblia, pois ela é a Palavra de Deus.


8 CÂNON DAS ESCRITURAS


Segundo o dicionário de “Enciclopédia da Bíblia, Teologia e Filosofia” (p. 633), a palavra Cânon é um termo latino que significa linha de medir, regra, modelo. O termo vem do grego kanon e significa regra ou vara. O conciso Dicionário de Teologia Cristã (p. 28) diz que Cânon é uma coleção de livros

reconhecidos como autoridade pela igreja.
O Novo Dicionário da Bíblia (p. 255) reafirma que Cânon é a lista dos livros que a Igreja usa na adoração pública, e que Kanon também significa regra ou padrão; daí, um sentido secundário da palavra Cânon, que é a lista de livros que a Igreja reconhece como escrituras inspiradas à norma da fé e da prática.
A Bíblia Cristã é dividida em duas partes: Antigo Testamento e Novo Testamento

8.1 Antigo Testamento

O Antigo Testamento é divido em quatro partes: Pentateuco, Livros Históricos, Livros Devocionais, Profetas Maiores e Profetas Menores.

• Pentateuco: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio;

• Livros Históricos: Josué, Juízes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias e Ester;

• Livros Devocionais ou Poesia: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cânticos dos Cânticos;

• Profetas Maiores: Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel e Daniel;

• Profetas Menores: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Num, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

Enquanto o Antigo Testamento da Bíblia Católica contém 46 livros e o da Bíblia Ortodoxa contém 50 livros, o Antigo Testamento da Bíblia Evangélica contém 39 livros, sendo este o número que a ala cristã tradicional considera como canônico.

8.2 Livros Apócrifos

A Bíblia Evangélica completa apresenta 66 livros, sete a menos que a Bíblia Católica, que contém os livros de Baruc, Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, I e II Macabeus e parte dos livros de Ester e Daniel, que fazem parte da Bíblia Católica ou não-evangélica. Esses livros a mais são considerados pelos estudiosos como os “Livros Apócrifos”.

Este termo, no seu significado básico, significa que eles não foram Inspirados por Deus, sendo, portanto, passíveis de falhas, não podendo ser considerados inerrantes. Partes desses livros só devem ser aceitos como um bom registro histórico. Também contém outras partes inseridas do tecido da Bíblia católica que são considerados pseudo-epígrafo.
8.3 Período Inter-Bíblico

Entre o livro de Malaquias (último do Antigo Testamento) e o livro de Mateus (primeiro do Novo Testamento) passou-se um período de quatrocentos anos de silêncio, tempo que os estudiosos chamam de “Período Inter-testamentário”, ou seja, período entre os dois testamentos.

Isso sinaliza para nós que, entre a conclusão do Antigo Testamento e o nascimento de Jesus Cristo passaram-se mais de quatrocentos anos, durante os quais não houve profetas que falassem da vontade de Deus. É por isso que os estudiosos chamam esse tempo de “anos de silêncio”, período que teve o seu fim com o aparecimento de João Batista, o precursor de Cristo.

Um dos pontos importantes no transcorrer da Bíblia foi o surgimento da Septuaginta. Nessa época inter-bíblica, o grego era a língua corrente, o que exigiu uma tradução das Escrituras do hebraico para essa língua, por volta de 250 a.C. Por esse trabalho ter sido realizado por 72 estudiosos judeus, recebeu o nome de “Septuaginta” (LXX=70).

8.4 Novo Testamento

O Novo Testamento, por sua vez, é dividido em quatro categorias: Evangelhos, História, Epístolas (Cartas) e Profecia, num total de 27 livros.

• Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas, João;

• História: Atos dos Apóstolos;

• Epístolas (Cartas): Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito, Filemom, Hebreus, Tiago, I e II Pedro, I , II e III João, Judas.

• Profecia: Apocalipse.

9. A IMPORTÂNCIA DE LERMOS A BÍBLIA

Vivemos hoje uma época em que as pessoas têm gasto pouco tempo com a Palavra de Deus. Atualmente, no círculo evangélico, muitos crentes se satisfazem somente com a pregação de domingo, não lendo a Bíblia nos demais dias e, quando a lêem, o fazem de maneira errada. Será que vale a pena gastar tempo com a Bíblia? Ela mesma, em tom bem alto, responde que sim. Além disso, quando alguém se debruça em estudar a Bíblia ele:

• Tornar-se-á um crente mais forte;
• Terá plena certeza da salvação em Cristo;
• Vai encontrar alívio para a sua alma;
• Vai ter um conhecimento maduro da própria Bíblia;
• Vai ter um crescimento sadio na fé cristã;
• Conhecerá os planos de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo;
• Vai testemunhar com segurança sobre a sua vida cristã.

Quando procuramos entender que é importante ler as Sagradas Escrituras, devemos ter em mente que o cristão sincero, ao lê-la, não está diante de um texto morto, descontextualizado, mas diante de Deus, do autor das Escrituras. Logo, ler a Bíblia nos remete para o seguinte entendimento:

• Deus está presente e está falando conosco;
• Eu e você temos que ser obedientes à Sua vontade e Seus princípios;
• Eu e você devemos confiar plenamente nas Suas promessas;
• Que eu e você devemos, como Filhos de Deus, ao abrirmos a Sua Palavra, banhar o nosso coração de oração e temor, na santa expectativa de que o Espírito Santo irá nos ajudar a compreendê-la;
• Que eu e você devemos ler a Bíblia para o nosso conhecimento de Deus e
nosso crescimento espiritual;
• Que eu e você não fomos chamados para termos um relacionamento com um livro, mas com um Deus que é santo, soberano e pessoal, e que se revela através da Bíblia;
• Eu e você devemos entender que a Bíblia deve fazer parte do nosso viver diário e não somente quando achamos que devemos ler, em virtude de circunstâncias adversas ou em forma de talismã ou sorte.


10. COMO DEVEMOS ESTUDAR A BÍBLIA


Muitas pessoas dizem que não conseguem ler a Bíblia, argumentando que ela foi escrita para os intelectuais, pastores, professores, teólogos, etc. Essas afirmações, na verdade, não expressam o que a própria Bíblia diz: é dever de todo o cristão conhecer os caminhos do Senhor, ou seja, ler a Bíblia.
É importante que os crentes compreendam que o estudo da Bíblia deve ser algo sério e constante e não apenas leviano e superficial. Assim, para que haja uma perfeita compreensão da Palavra de Deus, o cristão deve se submeter a algumas orientações:

a) Você deve arrumar tempo para ler a Bíblia: Muitos cristãos gastam tempo com tantas coisas dessa vida fugaz, mas não gastam tempo lendo, estudando e meditando sobre as mensagens da Bíblia. Marque um tempo diário e responsável para essa atividade;

b) Faça um plano de leitura: Quando a leitura é planejada, a pessoa não fica divagando, abrindo a Bíblia aleatoriamente. Para isso, você pode preparar a leitura de um livro, da Bíblia toda, ou parte dela, como as epístolas, os Salmos, etc.;

c) O cristão pode usar materiais extras no seu estudo da Bíblia, como um dicionário bíblico, a concordância bíblica, comentários bíblicos, etc. São ferramentas que auxiliam o leitor no entendimento das Escrituras;

d) Ler diariamente a Bíblia: O cristão não deve ler a Bíblia só quando sentir vontade para isso, mas ter uma disciplina de leitura;

e) Estude a Bíblia: Enquanto estuda, faça anotações daquilo que Deus está mostrando;

f) No seu estudo, faça perguntas sobre aplicação pessoal da Bíblia: Qual é o assunto principal? Quais os princípios e valores dessa passagem que posso tirar para a minha vida? Há algum exemplo que devo seguir? Há algum erro que devo evitar? Há algum pecado que devo abandonar? Há alguma promessa que devo me apropriar? Há alguma ordem que devo obedecer? Qual é a lição principal?

g) Devemos ser leitores-repórteres: Os estudiosos dizem que devemos perguntar sobre tudo. Existem seis perguntas básicas que são importantes para o nosso aprofundamento no texto: Quem? O que? Onde? Quando? Por quê? Como?. Também podemos perguntar: A quem foi escrita a carta ou o livro? Qual foi o pano de fundo do escritor? Qual foi a experiência ou ocasião que deu origem à mensagem? Quem são os principais personagens?

h) O Espírito Santo dá o entendimento: O estudante da Bíblia deve depender completamente do Espírito Santo para o seu estudo das Escrituras Sagradas;

i) Aprendizagem inclui pedidos de ajuda: O estudante da Bíblia deve ter a humildade de pedir ajuda para os seus líderes e mestres, pois Deus capacita pessoas para auxiliar Seus filhos no caminho seguro da verdade.

11 A LEITURA DIVINA DA BÍBLIA (Lectio Davina)

É de suma importância que o cristão se aprofunde na Lectio Divina para o seu conhecimento e discernimento. A Lectio Divina significa a Leitura Divina da Bíblia, com fidelidade que alimente a sua fé, esperança e amor. Essa leitura sempre foi a espinha dorsal da cristandade.
No livro de Deuteronômio está registrado que “A palavra está muito perto de ti: na tua boca, e no teu coração para que ponhas em prática” (Dt. 30.14). Na boca, pela leitura; no coração, pela meditação e; pela oração e na prática pela contemplação.
Essa é a base da Lectio Divina, pois o seu objetivo é comunicar a sabedoria que leva à salvação, pela fé em Jesus Cristo o Senhor (II Tm. 3.15), como também instruir, refutar, corrigir, formar na justiça e, assim, qualificar o homem de Deus para toda boa obra (II Tm. 3.16-17); também para proporcionar perseverança, consolo e esperança (Rm. 15.4) e, por fim, para ajudar-nos a aprender dos erros dos antepassados (I Cor. 10.6-10).
A Lectio Divina possui quatro fundamentos básicos para o nosso conhecimento de Deus e da Sua vontade.

• Leitura: Devemos compreender que o primeiro passo para a compreensão bíblica é a leitura. A leitura faz com que eu e você conheçamos e amemos a Palavra de Deus. Alguém já disse que não se ama o que não se conhece. Assim, a leitura deve ser perseverante e diária. Esse fundamento é de suma importância para a comunidade da fé;

• Meditação: A leitura se preocupa com o que diz o texto? A meditação vai responder à pergunta sobre o que o texto está dizendo? É na meditação que conseguimos perceber o que Deus está dizendo para nós hoje (Lc. 2.19).

• Oração: Tudo deve ser regado com oração, fundamento central de tudo. Na leitura e na meditação Deus fala conosco; na oração, nós falamos com Deus. A oração é a nossa resposta para a inquietação que a Palavra de Deus cria no nosso coração. Na oração exteriorizamos que dependemos completamente de Deus em tudo e, principalmente, da compreensão da Sua Palavra, através do Santo Espírito que nos ensina em tudo;

• Contemplação: Na contemplação, olhamos o mundo pela ótica divina, uma vez que a leitura, a meditação e a oração geram em nós uma nova visão do mundo. A contemplação não só medita na palavra, mas também realiza; não só ouve, mas também a pratica; na contemplação, não nos afastamos do mundo, mas olhamos o mundo de maneira divina, encarnando o nosso papel de ser sal e luz do mundo;

Assim, para que haja crescimento em nós, precisamos ler a Bíblia diariamente. Não podemos cair na armadilha de que já sabemos tudo, que não precisamos de mais nada. Além de orgulho carnal, isso é um atraso para a vida de qualquer crente.
O princípio de Maria, que optou por assentar-se aos pés de Jesus, deve ser um modelo para nós, na leitura da Bíblia (Lc. 10.39-40). É a partir disso que fazemos exegese contemplativa para a alma.
Como temos falado, estudar a Bíblia é algo muito prazeroso e importante para todos nós. A Bíblia nos incentiva a sempre lermos a Palavra do Senhor, sem interesse simplesmente de conhecê-la.
O salmista diz com clareza: “Guardo no coração as tuas Palavras para não pecar contra ti.” (Sl. 119.11). “E de que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra.” (Sl. 199.9). Veja o que diz o Salmo 1 sobre isso:


Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores! Ao contrário, sua satisfação está na lei do Senhor, e nessa lei medita de dia e de noite. É como árvore plantada à beira de águas correntes: Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. Tudo o que ele faz prospera!


Cremos, como cristãos, que a Bíblia foi Inspirada por Deus e que tem autoridade, por ser a Sua revelação. Neste sentido, cremos piamente que a Bíblia tem a palavra final no que tange à Ortodoxia (Doutrina) e também à Ortopraxia (Vida Cristã). Os cristãos sinceros não podem abrir mão disso.


12. HERANÇA DOUTRINÁRIA

Em seu livro “Teologia Sistemática: Uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual”, os teólogos Franklin Ferreira e Alan Myatt, mostram a importância dos conceitos dos pais da Igreja quanto à Bíblia. Citaremos aqui o teólogo Agostinho, como representante desse grupo de homens da Bíblia. Para ele, “Estes livros são obra dos dedos de Deus. Foram compostos por inspiração do Espírito Santo aos santos”. Ele completa: “A fé cambaleará se a autoridade das Escrituras vacilar”.

Na estrutura doutrinária reafirmamos, com clareza, a posição firme dos reformadores, no que tange ao ensino bíblico. Para isso, admitimos e transmitimos as verdades da nossa tradição eclesiástica: “Sola Scriptura, Sola Christi, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Glória.” São esses cinco termos latinos que devem sintetizar a nossa fé.

12.1 Sola Scriptura (Somente a Escritura)

Segundo Heinrich Heppe, a Sagrada Escritura é única fonte e norma para todo o conhecimento cristão. Da mesma forma, o S.T.S. advoga que a base de seus ensinamentos é, e sempre será, a Escritura Sagrada, que está acima da tradição, da razão, do pragmatismo e da cultura. Acima de tudo, o cristão autêntico deve sempre ser dirigido pela Palavra de Deus.

Com Sola Scriptura queremos afirmar que a Bíblia é a Palavra de Deus, que ela é inerrante, infalível e que tem autoridade em tudo. Essa doutrina é importante para a purificação, crescimento e preservação da Igreja.
Segundo a Declaração de Cambridge, “...a obra do Espírito Santo na experiência pessoal não pode ser desvinculada da Escritura. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para a nossa salvação do pecado e é o padrão pela qual todo comportamento cristão deve ser avaliado


12.2. Solo Christi (Somente Cristo)


Cremos piamente que somente Cristo Jesus, o Filho de Deus, pode salvar o homem (Jo. 3.16), que não existe mais ninguém que possa mediar o homem a Deus (ITm. 2.5), nem justificá-Lo, se não for Cristo, o Senhor (Rm. 5.1), pois somente Ele e mais ninguém é o caminho a verdade e a vida (Jo.8.33). É preciso que entendamos que somente Ele e mais ninguém pode perdoar os nossos pecados (Jo. 1.29) e nos dar vida eterna (Jo.1 0.10).

A Declaração de Cambridge conclui: “Por isso reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai”.


12.3. Sola Gratia (Somente a Graça)


É a Doutrina da Graça, na Bíblia, que aponta todos os méritos para Cristo. Com a Sola Gratia queremos afirmar, como Igreja de Cristo, que a salvação do homem pecador é obra exclusiva da Graça de Deus. O homem pecador não tem poder para se salvar e nem para viver de maneira bíblica, neste mundo.
Como sublinha a Bíblia em Tito 2.11, somente Deus pode ofertar isso para o homem: “Por que a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens”. A Bíblia também diz em Efésios 2.8-9 o seguinte: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus não vem de obras, para que ninguém se glorie”.


12.4. Sola Fide (Somente a Fé)


É pela graça de Deus que somos justificados, mediante a fé em Cristo Jesus. A fé é um dom de Deus, como diz a Bíblia em Romanos 1.16.17 “Porque não me envergonho do Evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: O justo viverá da fé”.
A fé salvífica é uma confiança plena no sacrifício de Jesus Cristo por mim, logo, eu obedeço a Ele e me sujeito a Ele, pois justificado através d’Ele eu vivo de fé em fé.
É importante dizer também que a fé não é um sentimento vago. O homem não pode ser salvo se ele não crer inteiramente no sacrifício de nosso Senhor Jesus Cristo (Ef.2:8-9).


12.5 Soli Deo Glória (Somente a Deus a Glória)


crêmos que o único que pode receber toda a glória é somente Deus (Mt. 5.16; I Cor.10.31; Ef.3.21); que o homem é um ser que glorifica a Deus e não um ser que recebe a glória (Rm. 15.5-6; I. Cor.3.21).
O humanismo tem colocado o homem num patamar que a Bíblia não coloca (Jer. 9.24). A Bíblia deixa claro que Deus é o único que pode receber toda a glória (Sal. 29.8; Lc. 2.14; Rm. 11.36), pois tudo vem das Suas mãos — Tanto a graça comum (Sal. 19.1; Mt. 5.45) quanto a graça salvífica (I Co. 6.20).

O breve Catecismo de Westminster (1647) sublinha: “Qual é o fim principal do homem? O fim principal do homem é glorificar a Deus e alegrá-lo para sempre. O próprio Jesus Cristo definiu a sua vida e ministério dizendo: Eu te glorifiquei na terra” (Jo. 17.4) É assim que deve ser a Igreja, que é fiel a Deus: Ela deve glorificar a Deus em tudo.


13. COMO A BÍBLIA CHEGOU EM TERRAS BRASILEIRAS


Como já foi mencionado, o vocábulo “Bíblia”, no grego, significa ‘livros". A Bíblia foi escrita ao longo de 1.200 anos, entre 1100 a.C. e 100 d.C., sendo dividida em duas partes: Antigo Testamento (escrito na língua hebraica) e Novo Testamento (escrito na língua grega). O Antigo Testamento, mais tarde, foi traduzido para o grego, versão que os teólogos chamam de “Septuaginta” (LXX). As Bíblias mais antigas eram na língua grega, porém no século II as Escrituras começaram a ser traduzidas para outras línguas.

No ano 405, Jerônimo, o estudioso e lingüista mais capacitado de sua época, traduziu a Bíblia para o latim, que é conhecido pelo eruditos e teólogos como a “Vulgata de Jerônimo” Vale registrar que "Vulgatus” significa Comum. Essa foi a primeira Bíblia a ser impressa e ficou conhecida como a “Bíblia de Gutemberg” inventor da imprensa.
O erudito João Wycliffe deu início à primeira tradução da Bíblia para a língua inglesa.

Esse trabalho árduo de Wycliffe foi concluído pelos seus alunos que traduziram a Vulgata em 1382. William Tyndale foi o pai da Bíblia em inglês. Em 1526 ele traduziu o Novo Testamento como a primeira tradução em inglês. Mais tarde, a Bíblia do Rei Jaime (King James) de 1611, passou a ser a Bíblia evangélica mais usada nos países de língua inglesa.

Para compreendermos como a Bíblia chegou em solo brasileiro, devemos historiar a vida de um servo de Deus chamado João Ferreira de Almeida, que nasceu em 1628 em Portugal. Ele, cedo, foi para os países baixos e de lá foi para a Indonésia, aonde aceitou o evangelho numa igreja reformada da Holanda.

Almeida era dotada de grande capacidade no campo da lingüística e com 16 anos ele traduziu o Novo Testamento para a língua portuguesa. Depois de trabalhar como missionário em alguns países, ele começou a traduzir toda a Bíblia dos originais hebraico e grego, porém sua morte em 1691, quando tinha 63 anos, o impediu de terminar o Velho Testamento, completado mais tarde por Jacobus Akker.

A versão de Almeida,118 anos depois de sua morte,começou a ser editada, sendo a primeira Bíblia em português e a 32ª versão integral das Escrituras nas línguas modernas, depois da reforma protestante. ‘ Houve uma tradução feita pelo padre Antonio Pereira de Figueiredo (1725-1797), da vulgata latina, e ele demorou 18 anos para traduzir a Bíblia.

O público alvo da versão Almeida era os refugiados portugueses que migraram para a Inglaterra quando Napoleão invadiu o país de Portugal (1807). Porém, mais tarde, pela graça divina, a Bíblia começou a ser enviada para Portugal e para o Brasil. Em 1814, exemplares do Novo Testamento e Bíblias em sua inteireza eram distribuídos a bordo de navios que deixavam Lisboa com destino ao Brasil.


14. SÍNTESE BIBLIOLÓGICA

A Bíblia é uma coleção de 66 livros, escritos por 40 ou mais autores, formada durante um período de aproximadamente 1.200 anos. No início, a tradição era oral, passando os eventos da história antiga de uma geração para outra, durante muitos séculos. Mais tarde, essas histórias foram anotadas, talvez começando com Jó e os livros de Moisés.

À| medida que Deus continuava a revelar sua verdade aos seus profetas, mais e mais livro foram acrescentados à Palavra de Deus. O povo de Deus veio a reconhecer quais livros eram de Deus (O Cânon) entre os muitos livros que alegavam ter escritos por profetas ou apóstolos.
O Antigo Testamento foi escrito em hebraico, a língua dos israelitas, com alguns trechos em aramaico, a língua que começou a predominar na região, no final do período.

O Novo Testamento foi escrito em grego, a principal língua falada na Palestina na época do Império Romano. Em 388 dC., os 66 livros canônicos do Antigo e do Novo Testamento foram traduzidos para o latim por um estudioso de Nome Jerônimo, tradução chamada de “Vulgata”, que continha os mesmos 66 livros que se encontram na Bíblia protestante de hoje. A Bíblia Católica Romana contém 15 livros e trechos adicionais, chamados de apócrifos, que foram acrescentados em 1546 por uma decisão de um concílio da Igreja Católica.

A primeira tradução da Bíblia para uma língua moderna, no caso o inglês, foi feita por John Wycliffe em 1384. No entanto, a Bíblia teve uma circulação mais ampla apenas após a invenção da imprensa na Alemanha, em 1456. A primeira tradução para o português foi feita por João Ferreira de Almeida, em 1681.
As descobertas recentes da arqueologia permitiram aos estudiosos traduzir várias versões muito acuradas da Bíblia, nos últimos anos. A descoberta dos rolos do Mar Morto, em 1947, confirmou aos estudiosos que os livros da Bíblia tinham sido copiados com muito cuidado pelos escribas de uma geração para a outra. (DONOVAN, p. 51)




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BARTH, Karl. Esboço de Uma Dogmática. Trad. Paulo Zacarias. São Paulo: Fonte Editorial, 2006.

BOICE, James Montgomery (Editor) O Alicerce da Autoridade Bíblica. Trad. Gordon Chown. São Paulo, 1989.

CALVINO, João. As Institutas: Tratado da Religião Cristã, Vol.I Trad. Waldyr Carvalho Luz São Paulo: Casa da Editora Presbiteriana, 1985.

DONOVAM, Wilbur. O Cristianismo Bíblico da Perspectiva Africana. Trad. Hans Udo Fuchs. São Paulo: Vida Nova,1999.

ERICKSON, Millard. Introdução á Teologia Sistemática, Trad. Norio Yamakami: São Paulo: Vida Nova, 1997

FERREIRA, Franklin; Alan Myatt. Teologia Sistemática: Uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo. Vida Nova, 2007.

GEISLER, Norman; WILLIAM, Nix Introdução Bíblica: Como a Bíblia Chegou até Nós. Trad. Oswaldo Ramos. São Paulo: Editora Vida, 1997.

GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. Trad..Luiz Sayão. São Paulo: Vida Nova,1994.

KELLY, J.N.D. Doutrinas Centrais da Fé Cristã: Origem e desenvolvimento. Trad.Márcio Loureiro Redondo. São Paulo: Vida Nova, 1994.

LOPES, Carlos Augusto. VOX DEI: Revista Teológica do CAD, s/e Tubarão/SC, 2006

MILNE, Bruce. Estudando as Doutrinas da Bíblia. Trad. Neid Siqueira. São
Paulo: ABU,1995

MCKIM, Donald (ed.) Grandes Temas da Tradição Reformada. Trad. Gerson Correia de Lacerda. São Paulo: Pendão Real, Publicações João Calvino, 1998.

OLSON, Roger. História da Teologia Cristã: 2000 anos de tradição e reformas. Trad. Gordon Chown. São Paulo: Editora Vida, 2001.

STRONG, Augustus Hopkins. Teologia Sistemática. Trad. Augusto Victorino. São Paulo: Hagnos, 2003.

THIESSEN, H , Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 2001.

Estudo Realizado por Carlos Augusto Lopes
Teólogo, Pastor da Igreja ADI- Tubarão-Santa Catarina
e um dos Coordenadores da Aliança Evangélica no Brasil

11 comentários:

rafael jacome disse...

Muito bom este texto. Sua simplicidade e clareza envolve as pessoas, deixando enfático o objetivo de estimular os crentes a leitura da Palavra, assim como de servir como estudo. Parabens Pr. Carlos Augusto Lopes.

Francisco disse...

Parabéns pelo trabalho apresentado, que nos serve de base para uma compreensão mais aprofundada das Escrituras.

Cleiton Profer disse...

Gostei pastor apesar de saber tudo isso, mas nunca é demais rever o que é bom principalmente quando se trata de uma pessoa que realmente sabe o que está fazendo.
PARABÉNS!!!

Cleiton Profer disse...

muito bem pastor gostei do seu blog muito rico em verdade!!

Ev.Jader Donizette Pereira disse...

É a Biblia não tem tudo que quero,mas temtudo que preciso.

Carlos Augusto Lopes disse...

Sempre é importante aprendermos de Deus na sua própria Palavra a Bíblia.

Unknown disse...

Obg Pr. Carlos Augusto pelas clarezas e os detalhes,abriu um grande leque para os meus conhecimentos!!!

Unknown disse...

Obg Pr. Carlos Augusto pelas clarezas e os detalhes,abriu um grande leque para os meus conhecimentos!!!

Unknown disse...

Obg Pr. Carlos Augusto pelas clarezas e os detalhes,abriu um grande leque para os meus conhecimentos!!!

Gilliard Nunes disse...

Pr Carlos muito bom estudo, Deus te abençoe mais e mais nessa jornada.

leonardo s. santos disse...

pastor Carlos que o nosso SENHOR JESUS continue te abençoando.
estudo maravilhoso, queria a sua permissão para imprimir esse estudo e ensinar nos cultos de ensino em minha igreja ficarei aguardando resposta, a paz!