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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

SAMUEL ESCOBAR: DESAFIOS DA IGREJA NA AMÉRICA LATINA: HISTÓRIA, ESTRATÉGIA E TEOLOGIA DE MISSÕES.

O Dr. Samuel Escobar, respeitado teólogo e fundador da Fraternidade Teológica Latina Americana, nos convida através do seu livro refletir sobre a realidade da Igreja latino-americana, rumando para o século XXI.

O autor trabalha missões de maneira objetiva e reflexiva no contexto latino. Ele nos leva a uma revisão histórica entre os protestantes e nos leva a refletir sobre o paradigma Paulino de missões.

Para Samuel Escobar esta hora da história de missões é muito importante haver uma reflexão a luz da palavra de Deus, pois este início do século encontramos um afã missionário incrível a partir da América-Latina principalmente no chão brasileiro.

Para o autor não adianta somente um ativismo missionário sem reflexão, pois isso pode levar a vários erros e consequencias. Escobar reconhece que a América-Latina é um laboratório missiológico singular, pensando nisso ele faz uma distinção entre o missionário e o missiólogo e diz que o melhor missiólogo será um missionário cujo compromisso com a missão e cuja vitalidade espiritual são parte integrativa de suas reflexões sobre a prática missionária.

A reflexão missiológica não é mero exercício acadêmico, mas é parte da obediência missionária. Samuel Escobar em que se tratando de América-Latina está convicto que o treinamento de pessoas para missões deve acontecer dentro do âmbito de um relacionamento "pessoa a pessoa", nenhum grau de academicismo deve substituir isso. Samuel Escobar também nos afirma que a nossa história latina eclesiológica tem que passar por uma revista histórica.

Geralmente lembramos somente dos reformadores em nossas comemorações, porém segundo aponta o autor a nossa herança missiológica evangélica não reside aqui mas sim no movimento pietista e ao avivamento Wesleyano. Escobar também abre a nossa visão mostrando que nós evangélicos podemos aprender com missionários católicos não é uma imitação profana preconceituoso mas um aprender a partir da prática e da reflexão.

Ele também nos alerta dizendo que a América Latina é um desafio missionário tanto para católicos como para protestante. Escobar observa também na prática missionária que para os católicos missões tem sido estabelecer igrejas institucionais, porém para os evangélicos, a conversão de indivíduos ao evangelho.

Ele então detecta que ambos estão errados. Escobar também está ciente que o missionário latino precisa atravessar várias fronteiras. Ele aponta então quatro que são: "A Fronteira Cultural, A Fronteira Social. A Fronteira do Poder Espiritual e A Fronteira Religiosa".

Samuel Escobar finaliza sua reflexão trabalhando com o modelo "Paulino de missões para América-Latina". Para ele a missiologia de Paulo muitas vezes é expressa como exposição teológica, entrelaçadas de sua prática missionária. Ele ainda acrescenta que a compulsão que Paulo sentia para evangelizar vinha da fonte profunda do amor de Cristo "amor de Cristo nos constrange", ( 2 Cor. 5.14).

Este clássico escrito por um latino como Dr. Escobar é um livro texto para despertar a nossa consciência missionária a partir da nossa gente. Ele não é só recomendável mas é um leitura obrigatória tanto para leigos como para pastores, professores e líderes.


Livro: Desafios Da Igreja na América Latina: História, Estratégia e Teologia de Missões.

Autor: Samuel Escobar

Editora: Ultimato,1997, Viçosa (MG),104 pp

Tradução Hans Udo Fuchs

RESENHA FEITA PELO PASTOR CARLOS AUGUSTO LOPES

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

JONHANES BLAUW - A NATUREZA MISSIONÁRIA DA IGREJA.

(Equipe Missionária brasileira no Chile e na Argentina - Foto tirada na Cordilheiras dos Andes com brasileiros, argentinos, chilenos e mexicanos)

Há convite do grupo de trabalho do departamento de estudos missionários, pelo conselho mundial de missões e pelo conselho mundial de igreja, o doutor Jonhanes Blauw tem dado uma grande contribuição para a igreja. Em seu livro A Natureza Missionária da Igreja, Blauw, aponta caminhos para uma sadia teologia bíblica de missões.

Ele mesmo diz que quando as missões não são consideradas como fenômeno histórico, mas como comissão divina, a questão de uma base bíblica e teológica da missão passa a ser importante A busca do motivo para a missão no A.T. era somente confinada á indicação de algumas pessoas não israelitas que foram incorporadas a Israel ou que lhe aceitavam a fé.

Para Blauw a teologia de missão, não pode se basear apenas na faixa estreita de alguns textos missionários, mas em todo o testemunho tanto do A.T. como o N.T. O autor inicia sua tese no A.T. mas precisamente em Gênesis 1-11, ele mostra que a criação foi instituída com base no homem e para o homem, mas o homem usou mal esta centralidade e não compreendeu a sua responsabilidade. Inicia então a culposa alienação de Deus.

Todavia em Gn. 12 com a chamada de Abraão e a história de Israel se dá então o começo da restauração da unidade humana perdida e da comunhão quebrada com Deus. Blauw então advoga que a história de Israel nada mais é do que a continuação do trato de Deus com as nações.

Rowley que é citado pelo autor diz que o propósito da eleição é o serviço. Eleição e escolha no A.T., para Israel é usada na forma ativa e não passiva. Na verdade a eleição de Israel não significa a rejeição das nações (Sal.67;86:9) A eleição de Israel não é um acomodamento mas ela tem um objetivo na qual se expressa em serviço "trazer o mundo a Deus". Sintetizando o A.T. juntamente com a figura messiânica que Blauw explica, o autor mostra que nos seus escritos Israel mostra uma mentalidade missionária centrípeta e a atividade missionária centrífuga.

O autor após trabalhar com A.T. nos arremete para o período Inter-bíblico, mostrando que neste lapso ouve uma atividade missionária judaica e que a igreja incipiente adotou e também substituiu. Abrindo a janela do N.T. ele mostra que á uma continuidade entre o testemunho do Antigo e do Novo com respeito as nações, todavia continuidade é bem diferente de identidade, pois o novo distingue do velho mesmo tendo ali suas raízes. No Novo a história da salvação está desabrochando (heilgeschichte).

A vinda de Jesus é de fato o cumprimento da expectação vétero-testamentário e seu sofrimento e ressurreição introduzem uma nova era. Isso deixa claro que Deus não abandonou o mundo, mas continua a sua obra. Assim a proclamação do evangelho é a proclamação da soberania de Cristo sobre as nações, e essa proclamação segundo Blauw é através do Espírito Santo, pois ele garante na Igreja a presença de Deus no mundo e a publicação do evangelho. Cristo é o fim do A.T. e o primogênito da nova criação, o fim de um mundo, e o começo de outro novo.

Ele é o ponto central da história, e a igreja de Cristo durante toda a sua existência é serva do mundo, enviada ao mundo. A comunidade existe para o mundo, porque é a comunidade de Jesus Cristo.

Johannes Blauw nos adverte dizendo para nós não esquecermos de que o grande primeiro motor da pregação do Evangelho não vem de fora (da necessidade do mundo), nem tampouco de dentro (do impulso religioso), mas de cima, como coerção divina (I Cor.9.16-23).

O livro é um clássico da teologia bíblica de missões e é recomendável. Johannes Blauw encerra seu livro trazendo a mente o texto de I Pedro2.9-10, deixando claro a grande responsabilidade da Igreja. "Enquanto é dia a comunidade de Cristo pode e deve proclamar os feitos de Deus".

Livro: A Natureza Missionária da Igreja - Editora ASTE

Resenha feita pelo
Pastor Carlos Augusto Lopes
Teólogo