terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A.W.TOZER - SEGUINDO A DEUS DE PERTO.

“A minha alma apega-se a ti: a tua destra me ampara” (Sl 63:8.).

O evangelho nos ensina a doutrina da graça preveniente, que significa simplesmente que, antes de um homem poder buscar a Deus, Deus tem que buscá-lo primeiro.
Para que o pecador tenha uma idéia correta a respeito de Deus, deve receber antes um toque esclarecedor em seu íntimo; que, mesmo que seja imperfeito, não deixa de ser verdadeiro, e é o que desperta nele essa fome espiritual que o leva à oração e à busca.

Procuramos a Deus porque, e somente porque, Ele primeiramente colocou em nós o anseio que nos lança nessa busca. “Ninguém pode vir a mim”, disse o Senhor Jesus, “se o Pai que me enviou não o trouxer” (Jo 6:44), e é justamente através desse trazer preveniente, que Deus tira de nós todo vestígio de mérito pelo ato de nos achegarmos a Ele. O impulso de buscar a Deus origina-se em Deus, mas a realização do impulso depende de O seguirmos de todo o coração. E durante todo o tempo em que O buscamos, já estamos em Sua mão: “... o Senhor o segura pela mão” (Sl 37:24.).

Nesse “amparo” divino e no ato humano de “apegar-se” não há contradição. Tudo provém de Deus, pois, segundo afirma Von Hügel, Deus é sempre a causa primeira. Na prática, entretanto (isto é, quando a operação prévia de Deus se combina com uma reação positiva do homem), cabe ao homem a iniciativa de buscar a Deus.

De nossa parte deve haver uma participação positiva, para que essa atração divina possa produzir resultados em termos de uma experiência pessoal com Deus. Isso transparece na calorosa linguagem que expressa o sentimento pessoal do salmista no Salmo 42: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma.

A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando irei e me verei perante a face de Deus?” E um apelo que parte do mais profundo da alma, e qualquer coração anelante pode muito bem entendê-lo.

A doutrina da justificação pela fé — uma verdade bíblica, e uma bênção que nos liberta do legalismo estéril e de um inútil esforço próprio — em nosso tempo tem-se degenerado bastante, e muitos lhe dão uma interpretação que acaba se constituindo um obstáculo para que o homem chegue a um conhecimento verdadeiro de Deus.

O milagre do novo nascimento está sendo entendido como um processo mecânico e sem vida. Parece que o exercício da fé já não abala a estrutura moral do homem, nem modifica a sua velha natureza. É como se ele pudesse aceitar a Cristo sem que, em seu coração, surgisse um genuíno amor pelo Salvador.

Contudo, o homem que não tem fome nem sede de Deus pode estar salvo? No entanto, é exatamente nesse sentido que ele é orientado: conformar-se com uma transformação apenas superficial.
Os cientistas modernos perderam Deus de vista, em meio às maravilhas da criação; nós, os crentes, corremos o perigo de perdermos Deus de vista em meio às maravilhas da Sua Palavra.

Andamos quase inteiramente esquecidos de que Deus é uma pessoa, e que, por isso, devemos cultivar nossa comunhão com Ele como cultivamos nosso companheirismo com qualquer outra pessoa. É parte inerente de nossa personalidade conhecer outras personalidades, mas ninguém pode chegar a um conhecimento pleno de outrem através de um encontro apenas. Somente após uma prolongada e afetuosa convivência é que dois seres podem avaliar mutuamente sua capacidade total.

Todo contato social entre os seres humanos consiste de um reconhecimento de uma personalidade para com outra, e varia desde um esbarrão casual entre dois homens, até a comunhão mais íntima de que é capaz a alma humana. O sentimento religioso consiste, em sua essência, numa reação favorável das personalidades criadas, para com a Personalidade Criadora, Deus. “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste".

Deus é uma pessoa, e nas profundezas de Sua poderosa natureza Ele pensa, deseja, tem gozo, sente, ama, quer e sofre, como qualquer outra pessoa. Em seu relacionamento conosco, Ele se mantém fiel a esse padrão de comportamento da personalidade. Ele se comunica conosco por meio de nossa mente, vontade e emoções.
O cerne da mensagem do Novo Testamento é a comunhão entre Deus e a alma remida, manifestada em um livre e constante intercâmbio de amor e pensamento.

Extraído do livro: O Melhor de A.W.TOZER

Dr. Tozer foi pastor da Igreja Aliança Cristã e Missionária no Canadá, ate sua morte na década de 60. Tozer foi considerado um dos maiores expositores e escritores do século 20. Sua profundidade e seriedade fazem dele um exemplo para os líderes cristaos e para a cristandade de modo geral espalhada em todo o mundo. Partircularmente como pastor, escritor e professor sempre consulto os livros de Tozer como enriquecimento espiritual e doutrinário.

Pastor Carlos Augusto Lopes
Teólogo

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

WARREN W. WIERSBE - PERSEGUIÇÃO,ORAÇÃO E PODER.

A igreja Primitiva não tinha as "vantagens"que alguns ministérios se orgulham de possuir e das quais dependem hoje em dia. Não tinham recursos providos por doadores ricos.

Seus pastores não possuíam credenciais de instituições acadêmicas famosas nem contavam com o apoio dos líderes políticos de sua época. A maioria de seus ministros havia passado tempo na cadeia e dificilmente se tornaria membro, quanto mais líder de igrejas como as nossas.

Qual era, de fato, o segredo de seu sucesso? Os cristãos da Igreja Primitiva sabiam orar para que a mão de Deus operasse com grande poder.

Quando alguém pediu a Charles Spuorgeon que explicasse o segredo de seu ministério extraordinário, o grande pregador inglês respondeu: "Meu povo ora por mim".

Agostinho disse: "Ore como se tudo dependesse de Deus e trabalhe como se tudo dependesse de você". A oração não é uma fuga das responsabilidades; é nossa resposta á capacidade de Deus. A verdadeira oração dá energia para servir e lutar.

(...)A igreja Primitiva acreditava firmemente na soberania de Deus e em seu plano perfeito para o seu povo. Convém observar, porém, que não permitiam que sua fé na soberania de Deus anulasse a responsabilidade humana, pois davam testemunho fiel e oravam.

Quando o povo de Deus perde o equilíbrio e enfatiza excessivamente a soberania de Deus ou a responsabilidade humana, a Igreja perde o poder. Mais uma vez, somos lembrados das palavras sábias de Agostinho: "Ore como se tudo dependesse de Deus e trabalhe como se tudo dependesse de voce".

A fé em um Senhor soberano é um grande estímulo para o povo de Deus continuar servindo ao Senhor quando as coisas ficam difíceis. O nome de Jesus Cristo não perdeu o poder, mas muitos do povo de Deus não têm mais esse poder, pois deixaram de orar ao Deus soberano.

"Nada está além do alcance da oração, exceto o que está fora da vontade de Deus". Não sei quem disse essas palavras, mas se trata de uma declaração verdadeira. Como sugeriu R.A.Torrey, o conhecido evangelista e educador:

" Ore por grandes coisas, espere grandes coisas, trabalhe para alcançar grandes coisas, mas acima de tudo, ore". A igreja Primitiva orou, e Deus respondeu com grande poder.

Extraído do livro Comentário Bíblico Expositivo, Novo Testamento Volume I do Dr. Warren W. Wiersbe,PP.538,542,543. Escrito na íntegra sem nenhum acréscimo pelo pastor Carlos Augusto Lopes. Geo-gráfica e editora Ltda, Santo André - SP - Brasil

Pastor Carlos Augusto Lopes
Teólogo e pensador Cristão

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

GORDON FEE - PAULO, O ESPÍRITO E O POVO DE DEUS.

Gordon D. Fee, erudito neo-testamentário em seu fabuloso livro "Paulo, O Espírito e o Povo de Deus", apresenta para a cristandade hodierna uma visão esclarecedora do Espírito Santo a partir dos escritos do Apóstolo Paulo.

Em sua análise o autor afirma que atualmente o Espírito Santo tem sido deixado á margem tanto da ala pentecostal como da ala tradicional histórico, mostrando assim que a comunidade da fé não está seguindo as pegadas da Igreja Primitiva que viveu sobre a direção do Espírito Santo.

Para Fee o sucesso da Igreja Incipiente não estava na sua metodologia mas na presença do Espírito Santo que os fortalecia para a boa obra de Cristo. Gordon Fee nos convida então para lermos novamente os escritos do Apóstolo Paulo e identificarmos o papel decisivo do Espírito Santo em sua vida e pensamento, bem como na vida de suas igrejas.

Esta nova leitura de Paulo tornará claro que para ele, a presença do Espírito Santo como uma realidade experimentada e viva era a questão fundamental para a vida cristã, do começo ao fim. É claro que está leitura advogada pelo autor não é aleatória não reflexiva mas reflexiva e inteiramente exegética e hermenéutica.

O autor mostra de maneira objetiva que a leitura de Paulo e sobre o que ele diz a respeito do Santo Espírito é a janela principal para entendermos seu corpo epistolar. Ele não medi esforços para expor essa tônica Paulina e por isso afirma que o Espírito Santo era uma Presença Fortalecedora para a Igreja Primitiva. Além das experiências os irmão primeiros tinham uma compreensão que o Espírito era o cumprimento das esperanças judaicas do retorno da Presença Divina.

Paulo compreendia a vinda do Espírito Santo como cumprimento de três expectativas que se relacionam. "Primeiro" o Espírito e a Nova Aliança, "Segundo" o uso da palavra Habitar e "Terceiro o Espírito e o Templo. Isso ratifica que o Espírito se torna o meio pela qual o próprio Deus esta agora presente.

Gordon Fee, também nos lembra que os primeiros irmãos tinham também uma compreensão escatológica do Espírito ou seja do "Já/ Ainda Não". Para Paulo a salvação em Cristo é fundamentalmente escatológica. Esta estrutura leva Paulo ver a igreja como uma comunidade do fim dos tempos cujos membros vivem no presente como aqueles selados para eternidade, então pelo Espírito vivemos a vida do futuro.

Fee também mostra que um dos pontos básicos da teologia Paulina é a continuidade e descontinuidade entre a antiga e a nova aliança essa temática é esclarecedora no que tange o Espírito e a presença de Deus.

O autor também nos lembra que a conversação é uma entrada do Espírito identificando o povo de Deus na era escatológica presente. O Espírito também é a chave da vida ética e a instrução “Andai no Espírito”, é a ordem básica na ética de Paulo. Gordon Fee salienta também o fruto do Espírito, pois é o próprio Espírito que produz esses frutos e os crentes andam continuamente com a ajuda do Espírito.

Paulo em seus escritos mostra para nós o conflito entre o Espírito e a carne entre viver Kata sarka “de acordo com a carne”, e Kata pneuma “de acordo com o Espírito". O Espírito na teologia Paulina é aquele que nos fortalece na fraqueza na oração.

Isso mostra que o Espírito foi experimentado nas igrejas de Paulo; ele não era simplesmente parte de uma frase no credo. Espírito doxológico é a chave da adoração do recém constituído povo de Deus, ele que concede os dons para o crescimento do povo de Deus aqui na terra enquanto este mesmo povo espera a vinda final de Deus.

A esse respeito no que tange os dons Fee trabalha de maneira muita rica esta questão. Ele não parte de correntes denominacional extremista mais de uma profunda exegese bíblica e de uma teologia Bíblica do Espírito.

Gordon Fee encerra o seu livro dizendo que precisamos do Espírito Santo em todas as esferas comunitárias eclesial, pois uma restauração genuína da perspectiva de Paulo não isolará o Espírito, pelo contrário Ele é o eixo central para compreendermos a cristologia e o impulso eclesiológico-missiologal , pois isso levará a igreja a ser mais vitalmente trinitariana, não somente na sua teologia, mas também em sua espiritualidade prática.

É de suma importância folearmos e analisarmos o conjunto teológico de Gordon Fee a respeito do Espírito Santo. É uma das obras mais profundas e equilibradas sobre a Terceira pessoa da Trindade.O livro é Marcado por uma exegese clássica e uma argumentação teológica, Fee nos brinda com erudição e espiritualidade.

Livro: Paulo, O Espírito e o Povo de Deus

Editora:United Press, pp.222

Autor: Dr. Gordon Fee

Resenha feita pelo Pastor Carlos Augusto Lopes

SAMUEL ESCOBAR: DESAFIOS DA IGREJA NA AMÉRICA LATINA: HISTÓRIA, ESTRATÉGIA E TEOLOGIA DE MISSÕES.

O Dr. Samuel Escobar, respeitado teólogo e fundador da Fraternidade Teológica Latina Americana, nos convida através do seu livro refletir sobre a realidade da Igreja latino-americana, rumando para o século XXI.

O autor trabalha missões de maneira objetiva e reflexiva no contexto latino. Ele nos leva a uma revisão histórica entre os protestantes e nos leva a refletir sobre o paradigma Paulino de missões.

Para Samuel Escobar esta hora da história de missões é muito importante haver uma reflexão a luz da palavra de Deus, pois este início do século encontramos um afã missionário incrível a partir da América-Latina principalmente no chão brasileiro.

Para o autor não adianta somente um ativismo missionário sem reflexão, pois isso pode levar a vários erros e consequencias. Escobar reconhece que a América-Latina é um laboratório missiológico singular, pensando nisso ele faz uma distinção entre o missionário e o missiólogo e diz que o melhor missiólogo será um missionário cujo compromisso com a missão e cuja vitalidade espiritual são parte integrativa de suas reflexões sobre a prática missionária.

A reflexão missiológica não é mero exercício acadêmico, mas é parte da obediência missionária. Samuel Escobar em que se tratando de América-Latina está convicto que o treinamento de pessoas para missões deve acontecer dentro do âmbito de um relacionamento "pessoa a pessoa", nenhum grau de academicismo deve substituir isso. Samuel Escobar também nos afirma que a nossa história latina eclesiológica tem que passar por uma revista histórica.

Geralmente lembramos somente dos reformadores em nossas comemorações, porém segundo aponta o autor a nossa herança missiológica evangélica não reside aqui mas sim no movimento pietista e ao avivamento Wesleyano. Escobar também abre a nossa visão mostrando que nós evangélicos podemos aprender com missionários católicos não é uma imitação profana preconceituoso mas um aprender a partir da prática e da reflexão.

Ele também nos alerta dizendo que a América Latina é um desafio missionário tanto para católicos como para protestante. Escobar observa também na prática missionária que para os católicos missões tem sido estabelecer igrejas institucionais, porém para os evangélicos, a conversão de indivíduos ao evangelho.

Ele então detecta que ambos estão errados. Escobar também está ciente que o missionário latino precisa atravessar várias fronteiras. Ele aponta então quatro que são: "A Fronteira Cultural, A Fronteira Social. A Fronteira do Poder Espiritual e A Fronteira Religiosa".

Samuel Escobar finaliza sua reflexão trabalhando com o modelo "Paulino de missões para América-Latina". Para ele a missiologia de Paulo muitas vezes é expressa como exposição teológica, entrelaçadas de sua prática missionária. Ele ainda acrescenta que a compulsão que Paulo sentia para evangelizar vinha da fonte profunda do amor de Cristo "amor de Cristo nos constrange", ( 2 Cor. 5.14).

Este clássico escrito por um latino como Dr. Escobar é um livro texto para despertar a nossa consciência missionária a partir da nossa gente. Ele não é só recomendável mas é um leitura obrigatória tanto para leigos como para pastores, professores e líderes.


Livro: Desafios Da Igreja na América Latina: História, Estratégia e Teologia de Missões.

Autor: Samuel Escobar

Editora: Ultimato,1997, Viçosa (MG),104 pp

Tradução Hans Udo Fuchs

RESENHA FEITA PELO PASTOR CARLOS AUGUSTO LOPES

sábado, 25 de dezembro de 2010

A BUSCA OBSTINADA POR DEUS: O DEVER DE TODO O CRISTÃO EM 2011-UM CAMINHO SEGURO E DÓCIL.

Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água.(Sa.63.1)

Na década de 80 muitas pessoas de várias partes do Brasil migraram para um lugar desconhecido chamado, "Curionópolis" no Pará. Eles estavam em busca de algo que poderia mudar as suas vidas, tirar eles da pobreza e dar uma dignidade naquela época de vacas magras.

Graças ao senhor "Aristeu" que estava a serviço de "Genésio Ferreira da Silva" proprietário da fazenda Três Barras foi descoberto o garimpo do ouro em "SERRA PELADA", que foi considerado a maior mina de ouro a céu aberto do mundo.

A imensa cava coberta de lama, fazia aqueles homens trabalharem de sol a sol escavando, carregando sacos de barro de 20 kilos em busca do ouro. O trabalho era duro, desgastante, mais o sonho de buscar e achar o ouro fazia eles ficarem.

Seu "JOSE LOPES" um dos garimpeiros de SERRA PELADA em seu testemunho disse: "A primeira vez que me deparei com Serra Pelada TIVE VONTADE DE VOLTAR , MAIS O DESEJO DE BUSCAR O OURO E ENRICAR ME FEZ FICAR".

Os estudiosos dizem que Serra Pelada era um formigueiro humano, mais de 100 mil pessoas trabalharam na extração do metal precioso. A palavra "BAMBURRAR" no dialeto dos garimpeiros era achar ouro era "enricar".

Serra Pelada foi um modelo para o mundo todo de Busca, de utopia, de ir atrás do sonho, de pagar um preço alto em busca da felicidade, em busca do ouro.

Um dos fundamentos básicos da vida cristã é ter uma "vida de oração" e de "busca do Senhor". A Bíblia constantemente nos chama para mergulharmos na busca obstinado de Deus. Com isso ela nos dá promessas que podem enriquecer nosso relacionamento com o Todo Poderoso.

"Charles Spurgeon" o grande pregador inglés, falando sobre a "Busca de Deus" há um século atrás ele diz:

“Você quer esquecer sua tristeza? Quer livrar-se de seus cuidados? Então, vá, atire-se no mais profundo mar da divindade de Deus; perca-se na sua imensidão, e sairá dele completamente refrescado e revigorado. Não conheço coisa que possa confortar mais a alma, acalmar as ondas de tristeza e da mágoa, pacificar os ventos da provação do que uma busca uma meditação piedosa a respeito de Deus”.

A lei áurea do Reino de Deus é "Buscar ao Senhor enquanto se pode achar". Todas as vezes na história que o povo de Deus teve um senso simplesmente religioso e não buscou a Deus de todo o coração não ouve derramar de Deus e nem obediencia a sua Lei.

Mais todas as vezes que as pessoas buscaram a Deus Ele sempre se apresentou como um Deus, Poderoso,Santo, Misericordioso, disposto a livrar o seu povo, perdoar seus pecados, curar suas feridas etc. Todas as vezes que as pessoas buscaram a Deus, de todo o coração ouve impulso missionário, temor no coração, vida transbordante, confisão de pecado, compromisso sério com Deus etc.

O estudioso “Andrew Murray”, foi convidado para pregar na Conferência Missionária em Nova Iorque em 1900, ele não pode ir em virtude da guerra mais escreveu sobre a vida dos "Morávios" e sua busca obstinado por Deus. Os moravianos influenciaram a igreja com o seu impulso missionário e a sua busca obstinada por Deus.

Poderíamos aqui falar de homens que buscaram a Deus de todo o seu coração. Homens que nutriram na sua alma uma busca obstinada por Deus. O que dizer de "Johm Wesley, Zinzendorf, Moody,Edwards,Studd,Brainerd", etc.

A palavra "BUSCAR" tem sido uma das palavras mais usadas na nossa geração. Todas as pessoas estão em busca de algo. Por isso dedicam seu tempo, sua força e sua vida neste projeto transitório. Muitos estão em busca:

1) Dos seus sonhos
2) Em busca da Felicidade
3) Em busca de Oportunidades
4) Em busca de uma porta de emprego
5) Em busca de um curso universitário
6) Em busca de um concurso público
7) Em busca da casa própria
8) Em busca de poder
9) Em busca de academicismo

Deus também deseja que nós o buscamos de "Todo o nosso coração e força". Buscar essas coisas alistadas a cima não tem nenhuma conotação de pecado, pelo contrário elas fazem parte da vida humana. Porém o anormal e loucura é buscar essas coisas e esquecer completamente de buscar a Deus. Agindo assim estamos quebrando uma regra básica da fé cristã dita por Jesus Cristo: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e a outras coisas vos serão acrescentada”.

Nosso senso de prioridades devem ser claros. Primeiro devemos buscar a Deus e honrar e glorificar o seu nome. Segundo devemos nos dedicar a nossa família como expressão da graça de Deus. Terceiro, devemos nos dedicar ao trabalho como benção de Deus para a nossa vida. Quarto devemos nutrir uma vida de lazer em sua forma mais digna e nobre.

Depois da ascensão de Cristo a Igreja Primitiva começou a buscar profundamente o Senhor. Foi justamente nesta "BUSCA" que a Bíblia diz que Deus se derramou sobre eles. O teólogo Warrem Wiersbe em seu livro “O que Acontece Quando as Igrejas Oram” diz que:

"A primeira reunião da igreja de Atos dos apóstolos não foi de milagres, não foi de estratégia missionária, não foi de negócios, não foi de pregação. A primeira reunião desta igreja foi de “BUSCAR” o Senhor em Oração".

Foi por que eles buscaram ao Senhor de Todo o Coração é que Deus:

1) Derramou sobre eles o seu Santo Espírito
2) Derramou sobre eles sinais e maravilhas
3) Derramou sobre eles ousadia para anunciar a Cristo.
4) Derramou sobre eles temor, confiança,intimidade e convicção de pecado

Atos dos A,póstolos mostra uma igreja em profunda busca obstinada por Deus em oração e essa busca é visível nas suas vidas e testemunho missiologal.

Parece que a geração de cristão pós-moderno está andando na contra mão da história cristã, pois queremos, poder, vida feliz, experiência com Deus, sem buscar a Ele, sem dar á mínima para a sua Palavra.

Caímos na conversa fácil do nosso ego que só vir na igreja está ótimo, está bom. Caímos na conversa fácil da presa, pois não temos mais tempo para buscarmos ao Senhor. Muitos usam o jargão: "Isso na verdade é tarefa dos líderes e não minha".

As pessoas passam mais tempo na Internet em suas variadas formas do que buscando a Deus. Passamos mais tempo em nossos projetos pessoas do que buscando a Deus com fervor, dedicação e paixào nobre.

Quando estudamos a palavra "BUSCAR" na Bíblia percebemos, que ela aparece quase sempre no contexto ou em situação de "Crise", de "sofrimento", ou de profundo "deleite e regozijo" Vivemos também momento igual aonde as pessoas não estão buscando a Deus como deveriam buscar.

Não seria o momento de buscarmos arrependimento, de nos prostrarmos diante de Deus e mudarmos nossas atitudes religiosas?, parasitas, destituídas de paixão, de amor e zelo? Não seria por acaso o momento de buscarmos a Deus de todo o nosso coração, não importando se estamos no vale ou nos montes?

Somente nos dois livros de Crônicas o verbo "BUSCAR AO SENHOR", aparece "30" vezes. A Bíblia nos convoca para buscarmos a Deus de todo o coração?

Vejamos o que a Bíblia diz sobre isto.

1) Deut. 4.29 “ De lá, buscarás ao Senhor, teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma”

2) I Cr. 16.11-Sal.105.4 “ Buscai o Senhor e o seu poder, buscai perpetuamente a sua presença.

3) I Cr. 7.14 “ Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra. Estarão abertos os meus olhos e atento os meus ouvidos á oração que se fizer neste lugar. As marcas do verdadeiro avivamento: A) coração apaixonado por Deus b) Confissão de Pecado C) O mundo não me atraí mais D) coração apaixonado por pessoas.

4) Sal.9.10 “ Em ti, pois,, confiam os que conhecem o teu nome por que tu, Senhor não desamparas os que te buscam.

5) Sal.14.2-53.2 “ Do céu olha o Senhor para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. (Jo. 4) Evan Roberts

6) Sal. 27.4 “ Uma coisa pedi ao Senhor e BUSCAREI que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida”.

7) Is. 55.6 “ Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, por que é rico em perdoar”.
8) Jer.29. 12-13 “ Então, me invocareis, passareis a orar a mim e eu vos ouvirei. Buscar-me eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração”.

9) Lam.Jer.3.25 “ Bom é o Senhor para os que esperam por ele. Para a alma que o buscam”
10) Am. 5. 6-8 “ Buscai ao Senhor e vivei; O Senhor é o seu nome”

11) Lc. 11.9 “Pedi, e dar-se vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se lhe á”

12) Mt. 6.33 “ Buscai, pois em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça e as demais coisas vos serão acrescentadas”.

13) Cl. 3.1 “ Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, Buscai, as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado a direita de Deus

Quando olhamos o salmo 63, percebemos que ele foi escrito no contexto da revolta de Absalão filho de Davi. Ele retrata o desejo do salmista de buscar a Deus. O erudito Dr. Derek Kidner, diz que o título no texto canônico identifica o cenário desolado que deu origem a estes pensamentos, e a mensão do rei no V. 11 indica a ocasião em que Absalão, e não Saul, fê-lo refugiar-se no deserto de Judá.

O cansaço de Davi, em virtude da fuga se mistura com sua fé e sua busca obstinada por Deus , em meio as lutas e as diversidades da vida.

Este salmo real não é marcado por um estranho que esta tateando por Deus, o salmista conhecia o seu Senhor, e sabia que somente "Ele' é o nosso refúgio e refrigério.

Dr. Kindner , nos lembra que a simplicidade e a intrepidez de "Tu és meu Deus" é o segredo de tudo quanto segue, pois este relacionamento é o âmago da aliança, desde os tempos dos patriarcas até ao dia de hoje ( Gn.17.8;Hb.8.10).

Davi expressa a sua fé em Deus dizendo:

1) Ó Deus, tu és o meu Deus forte.
2) Eu te busco ansiosamente,
3) A minha alma tem sede de ti; o meu corpo te almeja,
4) O salmista expressa sua busca dizendo: "Tua graça é melhor que a vida".

Os homens de Serra Pelada enfrentaram todo aquele sofrindo em busca de ouro, alguns perderam a sua vida, outros nunca encontram nada.

Deus, convoca o seu povo para "BUSCAR" a sua face como fez Davi no "Deserto de Judá", pois Deus é melhor do que mil toneladas de ouro. Em Serra Pelada, alguns encontraram ouro, outros nunca encontraram, outros até hoje ainda sonha em encontrar, porém no Reino de Deus e na sua economia é diferente,pois todos que buscam ao Senhor, pela sua maravilhosa graça irão encontrar como temos visto nos capítulos acima.

Nosso Desejo é que todos nós em 2011, possamos estar enquadrado no salmo 24.6 que diz: “Essa é a geração dos que buscam a face do Deus de Jacó”. Que Deus nos ajude e nos de força para buscarmos a sua face, sua vontade e presença em 2011

Pastor Carlos Augusto Lopes
Teólogo - Feliz 2011

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

JONHANES BLAUW - A NATUREZA MISSIONÁRIA DA IGREJA.

(Equipe Missionária brasileira no Chile e na Argentina - Foto tirada na Cordilheiras dos Andes com brasileiros, argentinos, chilenos e mexicanos)

Há convite do grupo de trabalho do departamento de estudos missionários, pelo conselho mundial de missões e pelo conselho mundial de igreja, o doutor Jonhanes Blauw tem dado uma grande contribuição para a igreja. Em seu livro A Natureza Missionária da Igreja, Blauw, aponta caminhos para uma sadia teologia bíblica de missões.

Ele mesmo diz que quando as missões não são consideradas como fenômeno histórico, mas como comissão divina, a questão de uma base bíblica e teológica da missão passa a ser importante A busca do motivo para a missão no A.T. era somente confinada á indicação de algumas pessoas não israelitas que foram incorporadas a Israel ou que lhe aceitavam a fé.

Para Blauw a teologia de missão, não pode se basear apenas na faixa estreita de alguns textos missionários, mas em todo o testemunho tanto do A.T. como o N.T. O autor inicia sua tese no A.T. mas precisamente em Gênesis 1-11, ele mostra que a criação foi instituída com base no homem e para o homem, mas o homem usou mal esta centralidade e não compreendeu a sua responsabilidade. Inicia então a culposa alienação de Deus.

Todavia em Gn. 12 com a chamada de Abraão e a história de Israel se dá então o começo da restauração da unidade humana perdida e da comunhão quebrada com Deus. Blauw então advoga que a história de Israel nada mais é do que a continuação do trato de Deus com as nações.

Rowley que é citado pelo autor diz que o propósito da eleição é o serviço. Eleição e escolha no A.T., para Israel é usada na forma ativa e não passiva. Na verdade a eleição de Israel não significa a rejeição das nações (Sal.67;86:9) A eleição de Israel não é um acomodamento mas ela tem um objetivo na qual se expressa em serviço "trazer o mundo a Deus". Sintetizando o A.T. juntamente com a figura messiânica que Blauw explica, o autor mostra que nos seus escritos Israel mostra uma mentalidade missionária centrípeta e a atividade missionária centrífuga.

O autor após trabalhar com A.T. nos arremete para o período Inter-bíblico, mostrando que neste lapso ouve uma atividade missionária judaica e que a igreja incipiente adotou e também substituiu. Abrindo a janela do N.T. ele mostra que á uma continuidade entre o testemunho do Antigo e do Novo com respeito as nações, todavia continuidade é bem diferente de identidade, pois o novo distingue do velho mesmo tendo ali suas raízes. No Novo a história da salvação está desabrochando (heilgeschichte).

A vinda de Jesus é de fato o cumprimento da expectação vétero-testamentário e seu sofrimento e ressurreição introduzem uma nova era. Isso deixa claro que Deus não abandonou o mundo, mas continua a sua obra. Assim a proclamação do evangelho é a proclamação da soberania de Cristo sobre as nações, e essa proclamação segundo Blauw é através do Espírito Santo, pois ele garante na Igreja a presença de Deus no mundo e a publicação do evangelho. Cristo é o fim do A.T. e o primogênito da nova criação, o fim de um mundo, e o começo de outro novo.

Ele é o ponto central da história, e a igreja de Cristo durante toda a sua existência é serva do mundo, enviada ao mundo. A comunidade existe para o mundo, porque é a comunidade de Jesus Cristo.

Johannes Blauw nos adverte dizendo para nós não esquecermos de que o grande primeiro motor da pregação do Evangelho não vem de fora (da necessidade do mundo), nem tampouco de dentro (do impulso religioso), mas de cima, como coerção divina (I Cor.9.16-23).

O livro é um clássico da teologia bíblica de missões e é recomendável. Johannes Blauw encerra seu livro trazendo a mente o texto de I Pedro2.9-10, deixando claro a grande responsabilidade da Igreja. "Enquanto é dia a comunidade de Cristo pode e deve proclamar os feitos de Deus".

Livro: A Natureza Missionária da Igreja - Editora ASTE

Resenha feita pelo
Pastor Carlos Augusto Lopes
Teólogo

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A.W.PINK - A SOLIDÃO DE DEUS.


O título deste capítulo talvez não seja suficientemente claro para indicar o seu tema. Isto se deve, em parte, ao fato de que hoje em dia bem poucas pessoas estão acostumadas a meditar nas perfeições pessoais de Deus. Dos que lêem ocasionalmente a Bí¬blia, bem poucos sabem da grandeza do caráter divino, que ins¬pira temor e concita à adoração.

Que Deus é grande em sabedo¬ria, maravilhoso em poder, não obstante, cheio de misericórdia, muitos acham que pertence ao conhecimento comum; contudo, chegar-se a um conhecimento adequado do Seu Ser, Sua natu¬reza, Seus atributos, como estão revelados nas Escrituras Sagra¬das, é coisa que pouquíssimas pessoas têm alcançado nestes tem¬pos degenerados. Deus é único na excelência do Seu Ser. "Ó Senhor, quem é como Tu entre os deuses? Quem é como Tu glorificado em santidade, terrível em louvores, operando maravi¬lhas?" (Êxodo 15:11).

"No princípio... Deus..." (Gênesis 1:1). Houve tempo, se é que se lhe pode chamar "tempo", em que Deus, na unidade de Sua natureza, habitava só (embora subsistindo igualmente em três pessoas divinas). "No princípio... Deus...". Não existia o céu, onde agora se manifesta particularmente a Sua glória.

Não existia a terra, que Lhe ocupasse a atenção, Não existiam os anjos, que Lhe entoassem louvores, nem o universo, para ser sustentado pela palavra do Seu poder. Não havia nada, nem ninguém, senão Deus; e isso, não durante um dia, um ano ou uma época, mas "desde sempre". Durante uma eternidade passada, Deus esteve só: com¬pleto, suficiente, satisfeito em Si mesmo, de nada necessitando.

Se um universo, ou anjos, ou seres humanos Lhe fossem necessá¬rios de algum modo, teriam sido chamados à existência desde toda a eternidade. Ao serem criados, nada acrescentaram a Deus essen¬cialmente. Ele não muda (Malaquias 3:6), pelo que, essencial¬mente, a Sua glória não pode ser aumentada nem diminuída.

Deus não estava sob coação, nem obrigação, nem necessidade alguma de criar. Resolver fazê-lo foi um ato puramente soberano de Sua parte, não produzido por nada alheio a Si próprio; não determinado por nada, senão o Seu próprio beneplácito, já que Ele "faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade" (Efésios 1:11).

O fato de criar foi simplesmente para a manifestação da Sua glória. Será que algum dos nossos leitores imagina que fomos além do que nos autorizam as Escrituras? Então, o nosso apelo será para a Lei e o Testemunho: "... levantai-vos, bendizei ao Senhor vosso Deus de eternidade em eternidade; ora bendigam o nome da tua glória, que está levantado sobre toda a bênção e louvor" (Neemias 9:5).

Deus não ganha nada, nem sequer com a nossa adoração. Ele não precisava dessa glória externa de Sua graça, procedente de Seus redimidos, porquanto é suficientemente glorioso em Si mesmo sem ela. Que foi que O moveu a predes¬tinar Seus eleitos para o louvor da glória de Sua graça? Foi, como nos diz Efésios 1:5, ".... o beneplácito de sua vontade".

Sabemos que o elevado terreno que estamos pisando é novo e estranho para quase todos os nossos leitores; por esta razão faremos bem em andarmos devagar. Recorramos de novo às Es¬crituras. No final de Romanos capítulo 11, onde o apóstolo con¬clui sua longa argumentação sobre a salvação pela pura e sobe¬rana graça, pergunta ele: "Por que quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu pri¬meiro a ele, para que lhe seja recompensado?" (vers. 34-35).

A importância disto é que é impossível submeter o Todo-poderoso a quaisquer obrigações para com a criatura; Deus nada ganha da nossa parte. "Se fores justo, que lhe darás, ou que receberá da tua mão? A tua impiedade faria mal a outro tal como tu; e a tua justiça aproveitaria a um filho do homem" (Jó 35:7-8), mas cer¬tamente não pode afetar a Deus, que é bem-aventurado em Si mesmo. "...quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer" (Lucas 17:10) — nossa obediência não dá nenhum proveito a Deus.

De mais a mais, vamos além: nosso Senhor Jesus Cristo não acrescentou nada a Deus em Seu Ser essencial e à glória essencial do Seu Ser, nem pelo que fez, nem pelo que sofreu. É certo, bendita e gloriosamente certo, que Ele nos manifestou a glória de Deus, porém nada acrescentou a Deus. Ele próprio o declara expressamente, e não há apelação quanto às Suas palavra.; "... não tenho outro bem além de ti" (Salmo 16:2; na versão usada pelo autor, literalmente: "... a minha bondade não chega a Ti").

Em toda a sua extensão, este é um Salmo sobre Cristo. A bondade e a justiça de Cristo alcançou os Seus santos na terra (Salmo 16:3), mas Deus estava acima e além disso tudo, pois unicamente Deus é "o Bendito" (Marcos 14:61, no grego).

É absolutamente certo que Deus é honrado e desonrado pelos homens; não em Seu Ser essencial, mas em Seu caráter oficial. É igualmente certo que Deus tem sido "glorificado" pela criação, pela providência e pela redenção. Não contestamos isso, e não ousamos fazê-lo nem por um momento.

Mas isso tudo tem que ver com a Sua glória declarativa e com o nosso reconhecimento dela. Todavia, se assim Lhe aprouvesse, Deus poderia ter continuado só, por toda a eternidade, sem dar a conhecer a Sua glória a qualquer criatura. Que o fizesse ou não, foi determinado unicamente por Sua própria vontade.

Ele era perfeitamente bem-aventurado em Si mesmo antes de ser chamada à existência a primeira criatura. E, que são para Ele todas as Suas criaturas, mesmo agora? Deixemos outra vez que as Escrituras dêem a resposta: "Eis que as nações são consideradas por ele como a gola dum balde, e como o pó miúdo das balanças: eis que lança por ai as ilhas como a uma coisa pequeníssima. Nem todo o Líbano basta para o fogo, nem os seus animais bastam para holocaustos.

Todas as nações são como nada perante ele; ele as considera menos do que nada e como uma coisa vã. A quem pois fareis semelhante a Deus: ou com que o comparareis?" (Isaías 40:15-18). Esse é o Deus das Escrituras; infelizmente Ele continua sendo o "Deus desconhecido" (Atos 17:23) para as multidões desatentas. "Ele é o que está assentado sobre o globo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; ele é o que estende os céus como cor¬tina, e os desenrola como tenda para neles habitar; o que faz voltar ao nada os príncipes e torna coisa vã os juízes da terra" (Isaías 40.22-23). Quão imensamente diverso é o Deus das Escri¬turas do "deus" do púlpito comum!

O testemunho do Novo Testamento não tem nenhuma dife¬rença do que vemos no Velho Testamento; como poderia ser, uma vez que ambos têm o mesmo Autor! Ali também lemos: "A qual a seu tempo mostrará o bem-aventurado, o único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores; aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver: ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém" (1 Timóteo 6:15-16). O Ser que aí é descrito deve ser reverenciado, cultuado, adorado.

Ele é solitário em Sua majestade, único em Sua excelência, incomparável em Suas perfeições. Ele tudo sustenta, mas Ele mesmo é independente de tudo e de todos. Ele dá bens a todos, mas não é enriquecido por ninguém.
Um Deus tal não pode ser encontrado mediante investigação; só pode ser conhecido como e quando revelado ao coração Espírito Santo, por meio da Palavra.

É verdade que a criação manifesta um Criador, e isso com tanta clareza, que os homens fi¬cam "inescusáveis" (Romanos 1:20); contudo, ainda temos que dizer com Jó: "Eis que isto são apenas as orlas dos seus cami¬nhos; e quão pouco é o que temos ouvido dele! Quem pois en¬tenderia o trovão do seu poder?" (Jó 26:14). Cremos que o argumento baseado no desígnio, assim chamado, argumento apre¬sentado por "apologetas" bem intencionados, tem causado mais dano que benefício, pois tenta baixar o grande Deus ao nível do entendimento finito e, com isso, perde de vista a Sua singular excelência.

Tem-se feito uma analogia com o selvagem que achou um relógio e que. depois de um detido exame, inferiu a existência de um relojoeiro. Até aqui, tudo bem. Tentemos ir mais longe, porém. Suponhamos que o selvagem procure formar uma concepção pessoal desse relojoeiro, de seus afetos pessoais, de suas maneira, de sua disposição, conhecimentos e caráter moral — de tudo aquilo que se junta para compor uma personalidade.

Poderia ele chegar a imaginar ou pensar num homem real ___ o homem que fabricou o relógio — de modo que pudesse dizer: "Eu o conhe¬ço"? Fazer perguntas como esta parece fútil, mas estará o eterno e infinito Deus tanto mais ao alcance da razão humana? Real¬mente, não. O Deus das Escrituras só pode ser conhecido por aqueles a quem Ele próprio Se dá a conhecer.

Tampouco o intelecto pode conhecer a Deus. "Deus é espí¬rito..." (João 4:24) e, portanto, só pode ser conhecido espiri¬tualmente. Mas o homem decaído não é espiritual; é carnal, Está morto para tudo que é espiritual. A menos que nasça de novo, que seja trazido sobrenaturalmente da morte para a vida, miraculosamente transferido das trevas para a luz, não pode sequer ver as coisas de Deus (João 3:3), e muito menos entendê-las (1 Coríntios 2:14.

E mister que o Espírito Santo brilhe em nossos cora¬ções (não no intelecto) para dar-nos o "... conhecimento da gló¬ria de Deus, na face de Jesus Cristo" (2 Coríntios 4:6). E até mesmo esse conhecimento espiritual é apenas fragmentário. A alma regenerada terá de crescer na graça e no conhecimento do Senhor Jesus (2 Pedro 3:18).

A nossa principal oração e finalidade como cristãos deve ser que possamos "... andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus" (Colossenses 1:10).

EXTRAÍDO DO LIVRO OS ATRIBUTOS DE DEUS
EDITORA PES