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sábado, 24 de outubro de 2009

HOMENAGEM A REFORMA PROTESTANTE PARTE II: LUTERO, BUCER E CALVINO: REFLEXÃO E APONTAMENTOS PARA A NOSSA CAMINHADA DE FÉ

O Reformador Martinho Lutero: Reflexões em Mateus 6.19-21 e 26

Por volta de 1500, os fundamentos da velha sociedade medieval estavam ruindo e uma nova sociedade estava surgindo. O frei Agostiniano Martinho Lutero rompeu com a Igreja Romana e deu inicio a Reforma Protestante.

Paul Tillich em seu livro História do Pensamento Cristão comenta o seguinte.

O ponto decisivo da Reforma, e da história da igreja em geral, foi a experiência de um monge agostiniano em sua cela monástica. Martinho Lutero Não apenas ensinou doutrinas diferentes; outros já o haviam feito, como Wyclif. Mas nenhuns dos que protestaram contra o sistema romano havia conseguido romper com ele. O único homem que realmente conseguiu essa ruptura, e com ela transformou a face da terra, foi Lutero (1967,p.209).

Tillich nos mostra que, vários homens precederam Lutero no afã de ensinar doutrinas diferentes do sistema aprisionador papal. Porém, ele foi mas a frente do que eles, ele ensinou doutrinas diferentes e iniciou a reforma protestante.
Martinho Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, no sopé da montanha do Harz na cidade de Eislebem. No dia seguinte o menino foi levado a pia batismal, onde recebeu o nome de Martinho, em homenagem ao santo do dia. O reformador Martinho Lutero era filho de um minerador de prata de classe média.

O jovem foi destinado para estudar direito, porém, assustado durante uma tempestade perigosa numa estrada próximo de Erfurt, ele prometeu a Santa Ana tornar-se monge caso fosse livre. Todavia o que levou Lutero a tomar o hábito foi o seu profundo interesse pela própria salvação.

Em junho de 1505, antes de completar os vinte e dois anos de idade, Lutero ingressou no Mosteiro Agostinho de Erfurt. Desgostoso com a Igreja Romana em 31 de outubro de 1517, Lutero afixou sua 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg.
A vida deste homem não só ficou marcada como reformador mais Lutero foi um grande expositor bíblico. Durante um período de um ano e meio Lutero ministrou todas as quartas feiras na Igreja em Wittenberg o Sermão do Monte.

O comentário do Sermão do Monte proferido pelo reformador protestante Martinho Lutero entre os anos (1530-1532), nasceu quando Lutero exerceu sua atividade pastoral em Wittenberg, substituindo o pastor Johannes Bugenhagen que durante este período estava reorganizando a vida eclesiástica nos lugares que aceitaram a Reforma. Durante um período de um ano e meio todas as quartas-feiras Lutero pregou sobre Mateus.

Nossa exposição sobre essa obra de Lutero que foi publicada no ano 1532, será em Mateus. 6.19-21 e 6.24.

Não se preocupem em acumular riquezas aqui, onde tudo pode estragar-se ou ser roubado. Guardem, sim, coisas preciosas no céu, onde nunca perdem seu valor, e estão livres dos ladrões! Se as riquezas estiverem no céu, o seu coração também estará lá. (...) Vocês não podem servir a dois patrões: Deus e o dinheiro. Porque vocês odiarão um e amarão outro, ou vice versa. (B.V.).

Martinho Lutero começa seu comentário em Mateus 6.19-21, dizendo que Jesus Cristo atacou com veemência esse grande vício chamado ganância.

Lutero tem razão para abordar de maneira enérgica esse ponto que foi tão forte na Igreja Romana. Leão X, o Papa que instituiu as indulgência falando aos Bispos Romano expressou Oh! Quanto dinheiro já nos rendeu a fábula de Cristo.(Just,1983,p.65).

Lutero diz que foi justamente isso que Cristo advertiu seus discípulos em (Mt.10:10) falsa doutrina e a ganância, para ele estes dois pontos corrompem a cristandade e o próprio ministério ( grifo meu). Como pastores numa época globalizada capitalista devemos deixar de lado toda vaidade, interesse monetária e realizar a obra de Cristo em santo temor.

Ora foi justamente esses dois pontos que fez o Monge Lutero romper com a igreja Romana. A Igreja estava corrompida com o sistema e se distanciou por completo da Palavra por causa da ganância e da falsa doutrina e essa era agora a preocupação do Reformador com os irmãos de Wittenberg.

Lutero deixa claro aqui a mordomia sincera do dinheiro que o nosso coração não pode se apegar. Muitas vezes é inevitável o nosso contato com os tesouros desse mundo, todavia se tivermos os nossos olhos fixados no tesouro que estão reservados no céu, desprezaremos esse tesouro aqui na terra.

Lutero considera a ganância como idolatria. Quando Lutero trata de Mt.6.24, na qual Jesus esta falando dos dois senhores ele diz que Cristo emitiu terrível juízo sobre os gananciosos de sua época que queriam ser santos mais era autênticos gananciosos.

Lutero interpreta essa passagem dizendo que assim como esses judeus são os padrecos e clérigos ele diz: Não passam de malandros mesquinhos, que tudo fazem por amor de Mâmon, mesmo servindo a Deus (1994,p.440).
Temos que entender aqui o Sitz In Leben, na qual Lutero estava inserido. Se fosse hoje Lutero não ia só acrescentar os padrecos mais vários pastores. Para Lutero o verdadeiro culto a Deus vem por meio da palavra a isso ele diz:

Porque culto a Deus é apegar-se apenas à sua palavra, com empenho exclusivo. Quem portanto, pretende viver de acordo com sua palavra e perseverar nela, precisa renunciar sumariamente ao deus Mâmon ( 1994,p.441).

Numa época a onde a opulência reinava no coração de muita gente, o reformador Lutero traz uma proposta bíblica-teológica à respeito do dinheiro e Cristo. Lutero não economiza palavras e com veemência denunciou a corrupção reinante.
O pastor Lutero traz para o centro de suas reflexões o Sermão do Monte que estava esquecido na sua época. Seu protesto contra o clero e sua preocupação com a igreja de Wittenberg faz ele encontrar no Sermão proferido por Cristo respostas e caminhos para a Igreja de seus dias seguir.
Lutero era um tipo de líder que não se conformava com o sistema estragado vigente, mais com muita ousadia ele denunciava. Ele não fazia isso na sua força, mas na palavra de Deus ele mesmo disse:

Simplesmente ensinei, preguei, escrevi a Palavra de Deus; não fiz nada. E então, enquanto eu dormia, ou bebia cerveja de Wittenberg com meu Felipe e meu Amsdorf, a Palavra enfraqueceu tão intensamente o papado que nenhum príncipe ou imperador jamais fez estrago assim. Não fiz nada. A palavra fez tudo (GEORGE,1994,p.55).

Lutero tinha a total convicção que a Palavra de Deus era Poderosa para transformar as circunstâncias e trazer uma visão correta daquilo que estava incorreto. Por isso durante o tempo que o reformador passou pastoreando a Igreja em Wittenberg ele pregou essa Palavra Poderosa porque ele sabia que essa Palavra é geradora de transformação. Lutero sabia que o Sermão do Monte é contracultural e não intracultural e por isso que ele sem medo mais confiante em Deus denunciou seus patrícios e o sistema papal opressor.

Martinho Lutero contribuiu muito para o resgate da teologia pastoral. Ele defendeu a tese da “Sola Scriptura’ , ( Somente as Escrituras) “Sola Gratia”, ( Somente a Graça) “Sola Fide”, ( Somente a Fé) “Sola Deo Glória”, ( Somente a Deus a Glória) “Sola Cristo” ( Somente a Cristo) como ensinou o “Sacerdócio de todos os Crentes”
Ele de maneira clássica resgatou princípios que estavam enterrados pelo sistema aprisionador, jorrando luz numa época de escuridão. Lutero também foi um reformulador da música pois ele entendia que a música tinha um valor no resgate da verdade e da espiritualidade sadia .


Martinho Bucer teólogo Pastoral da Reforma (1491-1551).

Ele foi discípulo do reformador Martinho Lutero e professor do teólogo mais fértil da reforma protestante João Calvino. Alguns estudiosos dizem que ele foi o teólogo pastoral da reforma.
Ele identifica quatro tarefas do pastor que precisa estar constantemente no nosso ministério: A) Primeira é que o pastor deve ser mestre diligente das Escrituras Sagradas. B) Administrar os sacramentos. C) participar da disciplina da igreja ( vida, jejum, adoração, penitência etc.) D ) Cuidar dos necessitados .

O pastor no Brasil contemporâneo tem um legado histórico para margear o seu ministério. Os fundamentos lançados aqui por Martinho Bucer é um retornar historicamente para Bíblia. De fato todo pastor hodierno jamais pode colocar nas prateleiras do seu ministério o modismo tão ventilado hoje que carece de base bíblica.
O pastor segundo Deus deve sem dúvida como disse Bucer ser um mestre das Escrituras. É a Bíblia que deve dirigir o seu ministério. É a Bíblia que ele deve pregar no seu púlpito e ensinar o povo. Nada pode substituir a palavra de Deus na igreja e o resgate da verdadeira poemenologia (pastoral) está neste primeiro requisito declarado aqui por Bucer.

Ele também mostra a grande importância de ministrarmos biblicamente o batismo e a santa ceia que são os dois únicos mandamentos dado por Jesus Cristo para a igreja. O líder cristão jamais pode desconsiderar esses mandamentos pois eles foram dados por Jesus Cristo Senhor da igreja. O ensinamento correto dessa ordenança traz benefício para a igreja e glória para Deus

Ele também toca num ponto importante que é justamente a disciplina como meio de crescimento da igreja. A disciplina bíblica jamais pode ser esquecida no tecido pastoral ela é necessária e precisa para a saúde da igreja.
Por fim Bucer diz para nos pastores que o ministério tem caráter integral e deve socorrer os necessitados e aflitos dessa vida. O ministério é prática e misericordioso é bíblico e constante
Martinho Bucer também diz que:

Os pastores e mestre das igrejas que quiserem cumprir seu ofício e manter-se limpos do sangue dos que estão perecendo em seus rebanhos devem não somente administrar publicamente a doutrina cristã, mas também anunciar, ensinar e clamar arrependimento para com Deus e fé em nosso Senhor Jesus Cristo, e qualquer coisa que contribua para a piedade, entre todos os que rejeitam esta doutrina de salvação, mesmo nas casas e com cada um em particular. Pois os ministros fiéis de Cristo devem imitar o pastor mestre e supremo das igrejas, e devem eles mesmos buscar com o máximo amor aqueles que estão perdidos, inclusive a centésima ovelha que se desgarrou do aprisco, deixando para trás as noventa e nove que permanecem no aprisco do Senhor

Esse comentário de Bucer precisa ser refletido em nosso ministério, pois é extraído da palavra do Senhor e tem perdurado durante os séculos. De fato temos uma grande responsabilidade como ministros no Brasil contemporâneo e devemos sem titubear resgatar esse ministério segundo a vontade de Deus em humildade e oração e ajudar o povo de Deus na sua caminhada cristã



João Calvino: Teólogo, Eclesiástico e Pastor ( 1509-1564).

A excelência do ministério pastoral e da vida cristã prática sem dúvida alguma passa pelo caminho reflexivo de João Calvino. Alguns relegam Calvino como um teólogo sistemático, árido, outros dizem que foi um homem que trouxe problemas para o campo eclesiológico em virtude de seus estudos sobre predestinação, soberania de Deus etc.

Calvino de fato nesta geração tem sido esquecido, não citado, não estudado, principalmente nos círculos das igrejas livres não tradicionais não históricas. Os poucos materiais em língua portuguesa “ ad fontes ac fontibus” ( ás fontes e a partir das fontes) de Calvino faz ele um desconhecido entre nós pastores.

Ele é lembrado nos livros de história como Reformador ao lado de Lutero, Zuinglio, Knox etc. mais isso nada contribui para a excelência do ministério pastoral que Calvino tanto se dedicou e amou.
Ele também é mencionado no meio acadêmico da ala teológica brasileira principalmente a reformada, calvinista que nutri no tecido da sua teologia um calvinismo brasileiro.
Fora isso Calvino infelizmente é uma sombra, uma peça de museu teológico, um desconhecido caricaturado pouco lembrado, pouco querido, pouco desejado, pouco estudado, pouco citado.
A igreja hodierna (hoje) fascinada com o pragmatismo, com o receituário fácil de crescimento, superficialidade doutrinária, não tem conhecido Calvino como um homem de Deus, simples, humilde, espirituoso e de uma habilidade e consciência pastoral que eleva o ministério no patamar excelente.

As igrejas históricas no Brasil não tiveram habilidade como receptora da herança reformada de passar a tradição para as igrejas novas. Fossilizaram-se em sua própria denominação e preconceito e esqueceram de contribuir calvinisticamente para a igreja brasileira.
Carlos Ribeiro Caldas Filho, ministro presbiteriano, mestre em missiologia pelo Centro Evangélico de Missões em Viçosa (MG), doutor em Ciência da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo em seu estudo “ Do Lugar dos Estudos em João Calvino na Formação dos Pastores da Igreja Presbiteriana do Brasil”, mostra que os livros sistemáticos de Strong e de Berkoff marcaram toda uma era na estrutura dos pastores presbiterianos no Brasil do que as Institutas de João Calvino.

Ele mesmo diz que os estudos em Calvino foi relegado a segundo plano e muitos pastores conhecem Calvino só de ouvir falar. Caldas ainda diz

A forte ênfase em estudos em teologia sistemática contribuiu para que se conheça pouco Calvino (...). A ênfase em teologia sistemática na formação dos pastores da IPB contribuiu para que Calvino seja pouco estudado e consequentemente pouco conhecido (...). A IPB será beneficiada se enfatizar estudos em Calvino no processo de preparação formal de seus pastores ( Fides Reformata, 1996,p.52-53).

Nosso interesse em Calvino é de cunho poemênico (pastoral) aqui não reside uma teia de “calvinófobos” e nem “calvinólatras”. Desejamos perceber a excelência do ministério cristão na perspectiva dele para a nossa geração.

Estudar Calvino de fato é um pélago prazeroso, pois ele é profundo e no dizer de Barth é uma catarata. Sabemos da limitação equacionada e da complexidade de sintetizar Calvino, todavia a tentativa de olhar para o mestre genebrino é salutar para o (re) descobrimento da pastoral do século XXI e da vida cristã.

João Calvino Teólogo protestante francês nasceu na Picardia, e estudou filosofia na universidade de Paris entre 1523 e 1527. Em 1528, recebeu o grau de mestre em teologia. Em 1536 na Suíça publicou sua grande obra com 26 anos, As Institutas. Calvino faleceu a 27 de maio de 1564, foi um dos grandes teólogos e reformador que sistematizou a teologia.

O teólogo alemão Karl Bart disse que Calvino é uma catarata, uma floresta primitiva, na qual ele se assentaria e passava o resto da sua vida somente com Calvino. (GEORGE,1994,p.164).

Calvino tem tido uma grande influência para a teologia. Seus conceitos e sua lucidez teológica têm ajudado vários teólogos ao longo da história. Alguns pensam que Calvino só tratou a questão da "predestinação", todavia Calvino tem contribuído muito para a teologia pastoral, pois Calvino não foi só um exegeta, teólogo, mas foi pastor e eclesiástico, pois ele fala da igreja em suas Institutas de maneira firme, versa sobre doutrinas centrais da fé, mostra a importância da oração na estrutura pastoral e na igreja e tece comentários profundos nos livros da Bíblia sendo um profundo expositor bíblico e critica de maneira eloqüente os falsos mestres tendo sempre a autoridade das escrituras em punho.

A carreira pastoral de Calvino se deu em Genebra. Ele foi convidado por Guilherme Farel para ajudar estabelecer a reforma protestante naquele lugar. Calvino em 1536, tinha escrito suas Institutas, quatro anos mas tarde ele foi convidado por Farel para ficar em Genebra.

A princípio Calvino estava somente de passagem e recusou o convite feito, porém Farel foi incisivo e até amaldiçoou Calvino e ele entendeu que era um chamado de Deus para a sua vida e aceitou o encargo.
Na cidade de Genebra Calvino pregou, ensinou, visitou, escreveu, organizou a igreja etc. Porém ali na doce Genebra Calvino enfrenta seu primeiro embate pastoral e junto com Farel foi perseguido e expulso da cidade em 1538.

Calvino vai para Estrasburgo e ali é acolhido por Martinho Bucer que convida ele para pastorear os refugiados franceses. Calvino pastoreia essas pessoas durante três anos na qual foi de suma importância para a sua vida. Ali ele casou, perdeu seu filho e ficou viúvo mas com perseverança continuou sua jornada pastoral e acadêmica.
Como pastor sua casa era um lugar de encontro, de refúgio, de aconselhamento, de ajuda, de orientação, de ensino e de conversas. Calvino tinha saúde fraca, debilitada, frágil, mas nada impedia de realizar suas atividades pastorais em Estrasburgo. Ele visitava, escrevia carta, dava estudo, orientava as pessoas, pregava e era muito ativo.

Mais em 1541 pela providência divina João Calvino retorna a Genebra, a Genebra da luta, a Genebra que o expulsou, a Genebra da dor, a Genebra dos dias amargos, a Genebra que Calvino não almejava mais pois se sentia desqualificado de estar ali.

Mas obediente à chamada divina ele retorna para o seu antigo ninho pastoral e quando chega na sua igreja e sobe no púlpito faz questão de abrir a Bíblia na mesma página que tinha pregado seu último sermão.

Agora ali Calvino desenvolve com firmeza, destreza o seu ministério pastoral por mas de vinte anos influenciando profundamente a história da igreja. É bom recordar que Calvino nas suas atividades pastorais viveu uma vida simples.

No início do seu ministério ele passou dificuldades no campo financeiro ao ponto de vender parte de sua biblioteca mas sempre foi fiel ao seu chamado pastoral como pregador, expositor, ensinador, ajudador e articulista da reforma.
Dr. Timothy George em seu livro Teologia dos Reformadores afirma que poucas pessoas na história do cristianismo tem sido tão supremamente estimado ou tão mesquinhamente desprezado como João Calvino.

Timothy tem razão quando diz que Calvino não é um anjo nem um diabo. Ele foi como declarou Lutero para todos os cristãos “ santo e pecador” " simul justus et peccator "(1994,p.167).
Em suas Institutas o reformador João Calvino deixa claro o seu pensamento sobre o ministério pastoral. Ele diz que os pastores de fato devem anunciar o evangelho de Cristo e administrar os sacramentos.

O pastor deve ensinar publicamente e também deve ensinar particularmente conforme diz Paulo (At.20.31). Calvino também salienta sobre a doutrina da disciplina na igreja, pois segundo ele somos atalaias na igreja e não podemos ser negligentes caso contrário Deus irá requerer de nossas mãos o sangue daqueles que pereceram por ignorância ( Ez.3.17,18).
Calvino também dá ênfase ao ministério local e adverte o transito de cá para lá entre os pastores salvo quando uma igreja necessitar da ajuda mútua. Ele diz que cada um deve estar contente no lugar aonde esta “no seu limite”.
O teólogo Timothi George em seu livro Teologia dos Reformadores nos ajuda a compreender a visão de Calvino sobre a Poemênologia. Timothi mostra que para Calvino os temas neotestamentários bispo, ancião (presbítero), ministro, pastor e às vezes mestre, referem- se todos ao mesmo ofício.
Qual é o papel do pastor? Para o reformador é “Representar o Filho de Deus”, “Erigir e estender o reino de Deus”, “Ocupar-se da salvação das almas”, “Governar a igreja, que é patrimônio de Deus” .

Para Calvino cada cidade deveria ter pelo menos um pastor. Para ele a ordenação era um rito solene de instituição ao ofício pastoral, ele referiu a ordenação como um sacramento e admitiu que era conferida graça por meio desse sinal externo.

Para ele os pastores devem ser completamente ensinados nas Escrituras, para que possam instruir corretamente a congregação na doutrina celeste. " Como um pai repartindo o pão em pequenos pedaços para alimentar seus filhos".

Para o reformado a pregação não deve ser apenas sã doutrina mais benefício concreto, ou seja, deve ser prática, aplicável. Calvino de maneira firme e didática diz que o pastor precisa de duas vozes: uma para reunir o rebanho e outra para afugentar os lobos e os ladrões. Para ele o papel disciplinador do pastor exige que sua própria conduta esteja acima de qualquer censura.
Em seu comentário sobre a epístola de Romanos Calvino diz que os ministros devem exercer seu ofício com dedicação e o ensino da palavra de Deus é que forma e instrui a igreja ( Calvino,432-433). Em seu comentário na carta ao Efésios, Calvino traça para nós ministros do evangelho a grande importância do nosso ofício.
Ele declara que o fato da igreja ser governada pela proclamação da Palavra não constitui uma invenção humana, o fato de termos ministros do Evangelho, é um dom divino. Calvino entende que doutrinar é dever de todos os pastores, porém há um dom particular “ mestre”, de interpretar a Escrituras, para que a sã doutrina seja conservada e um homem pode ser doutor mesmo que não seja apto para pregar ( Calvino p. 122)

Calvino diz que ao seu ver os pastores são responsáveis pelo rebanho do Senhor. No seu comentário sobre a epístola aos Hebreus Calvino diz que o escritor ao Hebreus se preocupa com os pastores que exercem seu ministério com lealdade quando escreve para os irmãos ( Hb.13.17).

O escrito aos Hebreus diz que devemos Obedecer e honrar, porém aqueles que são pastores e só possui o título e usam mal o título de pastor e traz vergonha e destruição para a igreja merecem mui pouca reverencia e menos confiança ainda. O ofício ministerial é de tal proporção que envolve as lutas mas renhidas e os perigos mais extremos ( Calvino, p.395-397)

De fato a igreja evangelica brasileira deve redescobrir os pilares da reforma protestante que nada mas é do que voltar para a Palavra de Deus e colocar ela em grande valor no tecido do ministerio pastoral e da vida do cristão normal.


Que Deus Abençoe a todos

Estudo realizado pelo Pastor Carlos Augusto Lopes em homenagem a Reforma Protestante e seu legado para a igreja de hoje

terça-feira, 16 de outubro de 2007

OS PILARES DA REFORMA PROTESTANTE E A IGREJA SEGUNDO DEUS: REFLEXÃO EM MEIO AO CAOS


A Reforma Protestante tem nos deixado um fabuloso tesouro doutrinário oriundo da própria Palavra de Deus e omitido e esquecido por vários gerações. Para isso, admitimos e transmitimos as verdades da nossa tradição eclesiástica: “Sola Scriptura, Sola Christi, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Glória.” São esses cinco termos latinos que devem sintetizar a nossa fé. Ele não deve ser apenas uma erudição, mas uma verdade prática no tecido da igreja e da vida do cristão normal.

Por muitos anos as “ Solas”, ficaram escondidas dentro do hermetismo da religiosidade fossilizada das igrejas tradicionais, todavia essas verdades que são oriunda da Bíblia e sistematizada aqui pertence a todos que pela graça de Deus foram salvos e compõem a igreja dos santos espalhados em todo o mundo cujo Senhor é Jesus Cristo.

Sola Scriptura (Somente a Escritura)

Segundo Heinrich Heppe, a Sagrada Escritura é única fonte e norma para todo o conhecimento cristão. Logo a base dos ensinamentos é, e sempre será, a Escritura Sagrada, que está acima da tradição, da razão, do pragmatismo, da cultura, acima de tudo. O cristão autêntico deve sempre ser dirigido pela palavra de Deus.

Com Sola Scriptura queremos afirmar que a Bíblia é a palavra de Deus, que ela é inerrante, infalível e que tem autoridade em tudo. Essa doutrina é importante para a purificação, crescimento e preservação da igreja.

Segundo a Declaração de Cambridge, “...a obra do Espírito Santo na experiência pessoal não pode ser desvinculada da Escritura. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para a nossa salvação do pecado e é o padrão pela qual todo comportamento cristão deve ser avaliado


Solo Christi (Somente Cristo)


Cremos piamente que somente Cristo Jesus, o Filho de Deus, pode salvar o homem (Jo. 3.16), que não existe mais ninguém que possa mediar o homem a Deus (ITm. 2.5), nem justificá-lo, se não for Cristo, o Senhor (Rm. 5.1), pois somente ele e mais ninguém é o caminho a verdade e a vida (Jo.8.33). É preciso que entendamos que somente ele e mais ninguém pode perdoar os nossos pecados (Jo. 1.29) e nos dar vida eterna (Jo.1 0.10).

A Declaração de Cambridge conclui: “Por isso reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai”.


Sola Gratia ( Somente a Graça)


É a Doutrina da Graça, na Bíblia, que aponta todos os méritos para Cristo. Com a sola gratia queremos afirmar, como igreja de Cristo, que a salvação do homem pecador é obra exclusiva da graça de Deus. O homem pecador não tem poder para se salvar e nem para viver de maneira bíblica, neste mundo.

Como sublinha a Bíblia em Tito 2.11, somente Deus pode ofertar isso para o homem: “Por que a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens”. A Bíblia também diz em Efésios 2.8-9 o seguinte: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus não vem de obras, para que ninguém se glorie”.


Sola Fide (Somente a Fé)


É pela graça de Deus que somos justificados, mediante a fé em Cristo Jesus. A fé é um dom de Deus, como diz a Bíblia em Romanos 1.16.17 “Porque não me envergonho do Evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: O justo viverá da fé”.

A fé salvífica é uma confiança plena no sacrifício de Jesus Cristo por mim, logo, eu obedeço a ele e me sujeito a ele, pois justificado através d’Ele eu vivo de fé em fé. É importante dizer também que a fé não é um sentimento vago. O homem não pode ser salvo se ele não crer inteiramente no sacrifício de nosso Senhor Jesus Cristo (Ef.2:8-9).


Soli Deo Glória (Somente a Deus a Glória)


Cremos que o único que pode receber toda a glória é somente Deus (Mt. 5.16; I Cor.10.31; Ef.3.21); que o homem é um ser que glorifica a Deus e não um ser que recebe a glória (Rm. 15.5-6; I. Cor.3.21).

O humanismo tem colocado o homem num patamar que a Bíblia não coloca (Jer. 9.24). A Bíblia deixa claro que Deus é o único que pode receber toda a glória (Sal. 29.8; Lc. 2.14; Rm. 11.36), pois tudo vem das Suas mãos — Tanto a graça comum (Sal. 19.1; Mt. 5.45) quanto a graça salvífica (I Co. 6.20).

O breve Catecismo de Westminster (1647) sublinha: “Qual é o fim principal do homem? O fim principal do homem é glorificar a Deus e alegrá-lo para sempre. O próprio Jesus Cristo definiu a sua vida e ministério dizendo: Eu te glorifiquei na terra” (Jo. 17.4) É assim que deve ser a igreja, que é fiel a Deus: Ela deve glorificar a Deus em tudo.


A IGREJA SEGUNDO DEUS: REFLEXÃO EM MEIO AO CAOS

Paulo, escrevendo ao seu discípulo Timõteo, disse o seguinte: Escrevo-te estas coisas esperando ir ver-te em breve; para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.” (II Tm 3.14-15)


É importante, como cristãos, que tenhamos uma visão bíblica da Igreja e possamos perceber qual é o seu real propósito no mundo. Não trataremos aqui a Igreja como uma organização humana, mas como um organismo de Cristo. Segundo John MacArtur Jr., a igreja, como Corpo de Cristo, tem algumas verdades básicas, que é importante revermos:

· A única instituição que o Senhor prometeu edificar e abençoar (Mt. 16.18);
· O lugar de reunião dos verdadeiros adoradores (Fp. 3.3);
· A assembléia mais preciosa sobre a terra, uma vez que Cristo a adquiriu com seu próprio sangue (At. 20.28; I Cor. 6.19; Ef. 5.25; Cl. 1.20; I Pe. 1.18; Ap. 1.5);
· A expressão terrena da realidade celestial ( Mt. 6.10; 18.18);
· Triunfará, tanto no âmbito universal como no local (Mt. 16.18; Fp. 1.6);
· A esfera de comunhão espiritual (Hb.10.22-25; I Jo. 1.3; 6.7);
· Proclama e protege a verdade divina (Tm.3.15; Tt. 2.1,15);
· O lugar principal de edificação e crescimento espiritual (At. 20.32; Ef. 4.11-16; II Tm. 3.16,17; I Pe. 2.1,2; II Pe. 3. 18);
· Plataforma de lançamento para evangelização do mundo (Mc.16.15; Tt.2.11);
· O ambiente em que se desenvolve e amadurece uma liderança espiritual forte (II Tm. 2.2).

A igreja, como comunidade espiritual, deve em tudo glorificar e exaltar a Deus (Ef. 1.4-6), esforçar-se para evangelizar o mundo (Mt. 28. 18-20; Mc. 16.15,16; Lc. 24.46, 47; Jo. 17.18; At. 1.8) e deve ser agente de edificação dos membros, celebrando sempre a comunhão dos santos.

No pensar de Haves, a igreja consiste nos crentes em Jesus Cristo, batizados no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, compromissados uns aos outros em amor, e chamados para fora deste mundo, a fim de viverem em uma comunhão de adoração, cuidado e testemunho.
O termo grego para igreja é “ekklesia”, que significa “assembléia”, que se origina de duas palavras que, juntas, significando “chamar para fora”. A igreja está em Cristo (Gl. 1.22), é de Cristo e não de homens (Rm. 16.16).

A igreja do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é Militante e Triunfante. Embora existam várias igrejas locais, existe somente uma igreja verdadeira, composta dos salvos em Cristo espalhados pelo mundo todo. Como “igreja militante”, nos referimos à igreja de Cristo atuante aqui na terra, que enfrenta no dia-a-dia a batalha espiritual e proclama a vitória do Cordeiro e a oferta de salvação. Como “igreja triunfante” nos referimos aos crentes salvos que já estão com o Senhor (I Ts. 4.15).

A Bíblia usa várias figuras importantes para descrever a igreja do Nosso Senhor Jesus Cristo. Quando olhamos a palavra de Deus, percebemos a abundância de figuras que mostram o significado da comunidade espiritual. O estudioso Paul Minear encontrou 96 palavras figuradas diferentes, que falam da igreja no Novo Testamento, sendo que cada uma delas representa uma faceta da igreja de Cristo.

Passaremos, agora, a considerar algumas dessas figuras, segundo a visão neo-testamentária.

· Corpo de Cristo (I Cor.12; Ef. 1.22,23;4.15,16; Cl. 1.18; 2.9,19,19);
· Casa de Deus ( Gal. 6.10; Ef. 2.19; I Tm. 3.14-15; II Tm. 2.20-21);
· Edifício de Deus (I Co. 3.9; I Pe. 2.4-6,19-22);
· Noiva de Cristo (Jer.2.2; II Co. 11.2; Ef. 5.32; Ap. 19.7; 21.2);
· Rebanho de Deus (Jo. 21.15-19; At. 20.28; I Pe. 5.2-4,25);
· Povo de Deus (Ex. 6.7; Jr. 30.22; Gl. 6.16; I Pe. 2.9; Tt. 2.14; Ap. 21.3);
· Templo do Espírito Santo (Rom. 8.9,10; I Cor. 3.16,17;12.13; Gl. 5.22,23; Ef. 2.21,22).

A igreja de Jesus Cristo é Una, Santa, Universal e Apostólica.

UNA: acreditamos na sua unidade (Jo. 17; Ef. 4.1-6);

SANTA: acreditamos na sua santidade (I Pe.2.9);

UNIVERSAL: a igreja é para todos, em todos os lugares (Mt. 28.19);

APOSTÓLICA: acreditamos na doutrina apostólica, conforme a Bíblia (Ef.2.20)


As marcas “ notae” da verdadeira igreja de Cristo são a “pregação da Palavra de Deus”, a “ministração” adequada dos sacramentos ou ordenanças e a fiel “disciplina bíblica”. Por isso, não abrimos mão de que a pregação e o ensino da Palavra de Deus seja o centro da vida da igreja, e que nada pode substituir esse legado bíblico.

A igreja de Cristo também não pode abrir mão de suas ordenanças, que são o Batismo e a Santa Ceia do Senhor, ordenanças essas que devem ser ensinadas conforme a palavra de Deus. A disciplina bíblica e não-humana deve ser preservada também na igreja, pois ela é essencial para a sua pureza e seu testemunho fiel (Mt. 18.18; I Co. 5.1-5; 14.40).

Acreditamos também que o crescimento e a saúde da igreja se dá da seguinte forma:

· Pela pregação da Palavra de Deus;
· Pelo ministração correta dos Sacramento (Batismo e Ceia);
· Pela doutrina da Oração;
· Pela Comunhão (Koinonia);
· Pelo Doutrina do Sofrimento;
· Pela edificação madura dos dons e ministérios (diakonia);
· Pela direção soberana do Espírito Santo de Deus;
· Pela adoração (Latreia);
· Pela edificação dos crentes;
· Pelo Testemunho (Martyria);
· Pela compreensão do sacrifício de Cristo por nós e sua graça;
· Pela evangelização das pessoas através do “Evangelho de Cristo”.

Entendemos que a missão da igreja aqui na terra é a missão de Deus “Missio Dei”, que é justamente anunciar o evangelho às pessoas. Por isso, ela deve incentivar e apoiar os diversos ministérios na igreja local, tendo várias frentes de trabalho para a expansão do Reino de Deus. Ela não adota o “afastamento” e nem a “conformação” mas a “Missão”.

Compartilhando as idéias de Stott, entendemos que devemos ir ao mundo para evangelizar as pessoas, edificar as famílias, influenciar a sociedade. Também compreendemos que não devemos nos conformar com o mundo e nem nos amoldarmos a ele, mas proclamar a Cristo, pois essa é a nossa missão de sermos Sal da terra e Luz para esse mundo.

O Propósito básico da igreja é glorificar a Deus em tudo (Mt. 5.16; Jo. 17.4; Rm. 15.5-6; I Cor. 10.31; I Cor. 6.19-20; Ef. 3.21; II TS. 1.11-12) e servir às pessoas com amor leal, tendo Cristo como modelo maior de serviço e sacrifício (Mt. 20.25-28; Mc.1.21-45; Mc.10.45; Lc.19.10; Jo 13. 1-17), levando Deus ao mundo (Mt.28.18-20)

A palavra “igreja” aparece pela primeira vez no Novo Testamento em Mateus 16.18, quando o próprio Senhor da Igreja, Jesus Cristo, disse: “E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não poderão vencê-la”.

A Igreja não pertence a nenhum grupo humano, como também a nenhuma pessoa, sendo de exclusividade do nosso Senhor Jesus Cristo (Mt. 16.18; Ef. 5.23-24. A palavra “Igreja” no grego é “ekklesia, de ek e kaleo”, “chamar”, “chamar para fora”. A igreja, na verdade, é a reunião daquelas pessoas que foram convocadas por Jesus Cristo, segundo o apóstolo Pedro (I Pe. 2.9): “Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (NVI).

A igreja está sendo edificada por Cristo (I Co.3.9-10), Ela é a casa de Deus (I Tm. 3.15),Ela é a igreja de Deus (I Co. 1.2;11.16,22), Ela está em Cristo (Gl. 1.22), Ela é de Cristo (Rm. 16.16), e deve proclamar Cristo para o mundo ( Mt. 28.18-20; At. 1.8). Essa é a missão da igreja.

O teólogo Emil Brumer disse que “a igreja existe por causa da missão, assim como o fogo existe enquanto queima” A vocação máxima da igreja é, sem dúvida, exaltar o Senhor, magnificar seu caráter e glorificá-lo diante de toda a criação.

Segundo A. Montoya, a igreja é uma comunidade redimida de pecadores, separados para adorar a Deus em Cristo (I Pe. 2.5), devendo adorar a Deus em Espírito e em Verdade (Jo. 4.24), porque ela é casa espiritual (I Co. 3.16, I Pe. 2.5), e deve oferecer sacrifícios espirituais a Deus (Rm. 12.1,2; I Pe. 2.5;Ap.1.6), porque a igreja é a casa de Deus (I Co. 3.16; Ef.2.22).

A igreja é uma comunidade de sacerdotes que leva a Deus um sacrifício de louvor (Hb.13.15; I Pe.2.5). A nossa responsabilidade, como filhos de Deus, é prestar adoração a Ele e sempre glorificar o seu santo nome (I Co. 6.19-20; I Co. 10.31; Sal. 145.1-7). O termo grego para isso é “latreia” (serviço ou ministério - trabalhos na igreja). Com isso em mente, os cristãos vão ao culto não para receber algo (por que ele já recebeu), mas para oferecer a Deus o louvor e a adoração devida, ou seja, “o que eu posso dar”. A adoração não é um momento específico, mas um estilo de vida que transborda em palavras, atitudes, ação, ações de graças, etc. (Mt. 5.16; Jo. 17.4; Cl. 3.17; II Ts.1.11-12).

O apóstolo Paulo define sinteticamente tudo isso: “Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”. (I Co. 10.31). Já o breve catecismo de Westminster (1647) diz: “Qual é o fim Principal do homem? O fim principal do homem é glorificar a Deus e alegrá-Lo para sempre”. A igreja é o corpo de Cristo e isso fala de comunhão e cuidado mútuo, que resulta na glória de Deus.

O fato é que a igreja é uma grande família, cujos membros devem cuidar uns dos outros. Não podemos viver uma fé isolada, intimista, solitária, mas celebrar a comunhão familiar para a qual Cristo nos chamou, deixando isso bem claro nos mandamentos recíprocos. É preciso que entendamos que a Igreja é a grande família e não um amontoado de gente que mal se conhece, que mal conversa, que mal sabe das alegrias e tristezas uns dos do outros. Por isso, devemos sempre celebrar a “Koinonia” bíblica (At. 2.42)

Segundo Swindoll, “A igreja nunca deveria ser apenas um conjunto de prédios onde você vem, senta, presta culto, aprende e vai embora. A igreja precisa ser uma comunidade de fiéis que demonstram interesse genuíno uns pelos outros.” A Bíblia nos convoca a viver a comunhão cristã.

A Bíblia é enfática ao dizer que “devemos Amar uns aos outros” (Jo. 13.34-35), “orar uns pelos outros” (Tg. 5.13-18), que “devemos perdoar uns aos outros” (Mt. 18.21-35), “incentivar uns aos outros” (Hb. 3.12-14; 10.19-45), “consolar uns aos outros” (II Co.1.3-4; I Ts. 4.13-18), “servir uns aos outros” (Jo. 13.3-17; Gal. 5.13-15,25-26), “suportar uns aos outros” (Ef. 4.1-6,25-32), “ser membros uns dos outros” (Rm. 12.3-13), ”ter Comunhão uns com os outros” (I Jo. 1.1-10); “instruir e aconselhar uns aos outros” (Col.3.12-17). A Igreja, conforme a Bíblia, deve ser a grande família de Deus (Ef. 2.19) .

O Teólogo Alemão Dietrich Bonhoeffer salientou dizendo que a igreja só é igreja quando existe para os outros e o eminente teólogo Karl Barth disse que a igreja não existe pela igreja. Existe pela humanidade.

Segundo Martinho Lutero, “A igreja é algo tão profundamente escondido, que ninguém pode ver ou conhecer, mas apenas compreender e crer no batismo, na ceia do Senhor e na Palavra”. O reformador e teólogo João Calvino diz que as marcas da verdadeira igreja residem na proclamação do evangelho e na genuina administração dos sacramentos, tanto quanto no exercício da disciplina eclesiástica.


Ao escrever aos irmãos de Éfeso (Ef. 5:32), o apóstolo Paulo, disse que “Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja” . Neste sentido o Dr. Langston disse que a igreja é uma comunidade cristocentrica (Cristo deve ser o centro); as suas atividades devem ser inspiradas e dirigidas por Cristo. O motivo é Cristo. O modelo é Cristo. O objetivo é Cristo.


Pastor Carlos Augusto Lopes
TEÓLOGO