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sexta-feira, 3 de julho de 2009

A Vida do Apóstolo Paulo Narrada por Ele: Do meu Próprio Punho

Meu nome é Saulo de Tarso

Eu gostaria primeiramente de me apresentar para as pessoas que vão ler sobre a minha vida, sobre a minha história. Na verdade na minha cultura se dá muito valor para as genealogias para as histórias e para vida das pessoas.

Eu sei que você está curioso ou ansioso para saber do meu [1]próprio punho a minha história de vida e como foi o meu envolvimento com o cristianismo e a minha total entrega para o serviço cristão, já que durante tanto tempo fui fariseu da aristocracia judaica e quanto a Lei mui zeloso.

Antes de eu narrar isso que eu chamo de aventura da fé porque muitas pessoas da minha época me chamaram de louco em virtude da minha posição cristã eu sou completamente grato a Deus pôr esse momento especial. Eu sempre frisei de maneira muito clara que a graça de Deus é algo formidável e que Jesus Cristo é o centro de tudo.

Pôr isso eu quero louvar o seu nome antes de falar de mim e dizer como ele pela sua infinita graça usou a mim para proclamar o seu reino entre as nações, eu o maior dos pecadores que fui perseguidor da igreja nos primórdios daquele santo movimento. Para as pessoas que não me conhece o meu nome é Saulo e alguns dizem “Saulo de Tarso[2]”.

Minha mãe e meu pai me deram esse nome em homenagem ao primeiro rei de Israel chamado Saul filho de Quis[3]. Fui circuncidado ao oitavo dia como todos os meninos judeus da minha época, meus pais relataram que o cerimonial foi acompanhado de festa, presente e gratidão a Deus.

Meu nome latinizado é Paulus,mas Saulo era o nome usado em casa, isso servia para ressaltar minha herança judaica em meio ao mundo gentílico que me cercava não somente a mim mas muitos judeus. Por causa da minha educação eu falava o grego e tinha conhecimento do latim , todavia minha herança judaica era o aramaico a língua da Judéia na qual falávamos em casa que deriva do hebraico.

Eu gosto de contar sobre o meu passado pois ele é marcado pela intervenção de Deus sobre o seu povo no Egito terra da escravidão. A nação de Israel era divida em 12 tribos que formavam o povo de Deus o povo da aliança. Eu pertenço a tribo de Benjamim[4] e meus pais colocaram o meu nome de Saulo em virtude do Rei Saul que pertencia também a essa tribo.

Outra coisa importante ressaltar aqui como fonte de conhecimento as gerações mas novas é que Saul na minha cultura e língua significa Querido. A história dos meus antepassados é muito rica em detalhes e marcada pela soberania de Deus e quando eu me lembro disso os meus olhos ficam cheio de lágrimas meu coração acelera, minha língua fica presa e minha boca fica ressecada. Benjamim que deu o nome para a nossa tribo foi o último dos patriarcas que compôs as 12 tribos de Israel ele nasceu na jornada dolorosa do regresso de Jacó para Canaã, já os outros filhos nasceram em Padã Arã, nordeste de Canaã terra de Labão. Benjamim nasceu no caminho de Efrata que é Belém cidade natal de Jesus Cristo[5].

Raquel mãe de José e Benjamim entrou em trabalho de parto neste local e a tradição diz que foi penoso aquele momento, a parteira cheia de fé animou Raquel dizendo “não temas, pois ainda terás este filho” porém ela não conseguiu sobreviver aquela hora e morreu ali mesmo diante da dor e sofrimento. No seu último suspiro ela colocou o nome dele de Benoni “filho da minha dor”, mais seu pai Jacó mudou chamando de Benjamim que quer dizer “filho da mão direita” [6].

Para o patriarca Jacó a morte de Raquel filha de Labão veio com amargor em meio a jornada sofrida, o soprar das árvores, o canto do cisne e o cansaço da viagem sem a mulher do seu amor juvenil, trouxe tristeza para o guerreiro Jacó que agora não tinha mas em seus braços a mulher amada que fez o patriarca trabalhar com ardor durante 14 anos como paga para Labão pelo seu amor.

Em meio a viagem difícil Jacó sepultou sua esposa no velho caminho rumo a Efrata findando para sempre um amor antigo. Minha vida e minha história estão completamente ligadas às tradições judaicas em meio ao mundo greco-romano. Fomos criados com este perfil e zelo religioso que banhou a minha vida até o encontro com Cristo crucificado na estrada de Damasco.

Capítulo do livro que o Pastor Carlos Lopes está escrevendo sobre a vida do Apóstolo São Paulo: Do Meu Próprio Punho

Pr.Carlos Augusto Lopes
Teólogo


[1] Usei o termo do meu próprio punho pois várias vezes o Apóstolo Paulo usou nas suas cartas como em I Cor.16.21;Gl.6.11;Cl.4.18; IITs.3.17;Fm.19
[1] Atos 9.11
[1] A saga do Rei Saul está escrita em I Samuel cap.9 até 31. O nome Saulo é um nome judaico
[1] Paulo em suas cartas deixou claro que ele era da tribo de Benjamim “Rm.11.1; Fp.3.5”.
[1] Em Gn.35.21-26 alista os nomes dos filhos de Jacó que formam as 12 tribos.
[1] Em Gn.35.16-20 narra o drama de Raquel e o nascimento conturbado de Benjamim

segunda-feira, 3 de março de 2008

A Vida do Apóstolo Paulo Narrada por Ele: Do meu Próprio Punho

TARSO CIDADE NÃO INSIGNIFICANTE DA CILÍCIA

“ E Paulo Respondeu: Sou Judeu, cidadão de Tarso, cidade importante da Cilícia (At.21.39 NVI)”.

Eu vivi no período do Império Romano e é importante perceber como que Roma começou pois de um povoado pequeno sobre o monte se tornou num império mundial.[1]
A Grécia que derramou a sua cultura por todos os lugares através de Alexandre o Grande foi conquistada por Roma e Roma que nos dias primitivos celebrava a pureza com ela aprendeu a pecar.

O império Romano espalhava de maneira orgulhosa a cultura helênica e ser helenista era Ter o corpo bem cultivado, ter liberdade, ter progresso ser sábio, ser cidadão do mundo, ser aceito na sociedade[2].

Eles me chamam de Saulo de Tarso, porque a cidade que eu nasci era Tarso cidade não insignificante que ficava na província da Cilícia. Foi no chão dessa cidade que eu fui criado desenvolvi relacionamentos e amizades. Foi aqui em Tarso que eu percebi a vida e os três mundos que nos cercavam como o Império Romano a cultura expancionista grega e a minha religião judaica.

Foi aqui em Tarso que eu brincava com os meus colegas pelas ruas dessa cidade e que também discutia-mos sobre religião, Deus, Filosofia etc. Eu tenho um amor especial por esta cidade de Tarso e quem não tem um carinho todo particular pelo lugar aonde ele foi criado mesmo que esse lugar seja um desafio para a sua fé não importa pois foi ali que tudo desabrochou no canteiro do meu coração.

Tenho saudade dos tempos de infância dos meus passeios com meus pais e dos seus desafios de fazer eu entender que mesmo vivendo numa cultura grega eu era um menino judeu e que Deus deveria estar sempre em primeiro lugar e que eu pertencia ao povo de Deus e não a outros povos. Quantas vezes papai me ajudou nos meus momentos de dificuldade com os meus amigos e pelas suas risadas porque eu não era grego e sim judeu. Um dia pensei porque eu não nasci grego pelo menos ninguém iria zombar de mim.


Mas logo esse pensamento saiu da minha mente e agradeci a Deus por ser judeu. Tarso a cidade aonde eu nasci era uma das maiores cidade do famoso e imponente Império Romano. Ela era para quem não sabe a capital da Cilícia e sua principal cidade. A minha cidade foi fundada antes mesmo de Roma e de Atenas porém é bem mais nova do que a cidade histórica de Jerusalém e Damasco na qual fui achado por Cristo.
Tarso é uma cidade muito conhecida por sua cultura , suas escolas, ginásios, teatros etc. Nossos mestres diziam que César Augusto foi educado por Atenodoro de Tarso e que seu filho alguns dizem sobrinho foi educado por Nestor, O acadêmico também da cidade de Tarso. Isso mostra o quanto essa cidade era bem conceituada no aspecto cultural.

O próprio Cícero já residiu nesta cidade quando ele era procônsul da Cilícia em 51-50 a.C. Foi também em Tarso por volta do ano 41 a.C. que teve o celebrado e famoso encontro entre Marco Antônio e Cleópatra a rainha do Egito. Até hoje esse encontro histórico é mencionado e até dizem que o mais belo navio que aportou na minha cidade foi o barco dourado de Cleópatra.

O teatro em Tarso não era algo insignificativo mais fazia parte da vida da cidade. Tanto rico como pobre gostava do teatro. Havia na minha cidade um teatro ao ar livre e ele era gigante pois acomodava milhares de pessoas e ali era encenado peças diversas do mundo grego como também era entoada músicas e se lia poesia.

Enquanto escrevo a minha história no silêncio da noite me lembro agora do rio Cnido ele era tão espaçoso e quantas vezes eu vi os navios passarem por ele para descarregar as suas mercadorias em Tarso.

Quantas pessoas diferente transitavam por ali, quantos rostos que eu nunca mais vi já estiveram ali ou por trabalho ou por não fazer nada ou por passeio. Se ao mesmo tempo o rio Cnido era um lugar belo de se ver ele era para a cidade um centro financeiro em virtude dos navios e das mercadorias que vinham e iam e do fluxo de pessoas que chegavam na cidade em virtude do famoso porto de Tarso. A província da Cilícia era um território que margeava o Mediterrâneo no sudeste da Ásia Menor[3].

A Cilícia tem muitas histórias no campo político que eu não vou mencionar aqui mais é importante todos vocês saberem que a província da Cilícia fez parte da província unificada da Síria-Cilícia.

Eu gosto de mencionar isso porque tem haver com um momento especial na minha vida pois depois da minha conversão ao cristianismo eu fui para as regiões da Síria e da Cilícia e esse período para mim foi singular[4].

Várias vezes nas minhas cartas eu menciona uma figura que eu acho de grande importância para a compreensão da vida com Jesus que é a corrida cristã. Por exemplo para os irmãos de Corinto eu disse para eles:

Não sabeis vós que os que correm no estádio todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E para os irmãos de Filipos eu disse: Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Um dia para o jovem Timóteo eu reafirmei que o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa. [5]

Eu uso essa figura porque em Tarso aonde eu fui criado se dava muito valor para os jogos e para as corridas. Todos sabem que a cultura grega e romana dão muito valor para as competições atléticas. Na minha cidade tinham os ginásios e não eram poucos os jovens da minha idade que treinavam para ganhar aqueles prêmios tão almejados.

Foi aqui como tenho falado para vocês nesta cidade cosmopolita que eu fui criado na conhecida cidade de Tarso que fica situada na planície ciliciana as margens do famoso rio Cnido. É por isso que eu falei naquele dia na cidade de Jerusalém quando ouve aquele grande alvoroço e a multidão queria me matar o comandante da fortaleza na qual eu fui recolhido achava que eu era aquele egípcio que sublevou e conduziu ao deserto quatro mil sicários e eu disse para ele que não mais que eu era judeu natural de Tarso, cidade não insignificante da Cilícia. Foi só por isso que eu falei e mencionei a minha cidade e a sua grande eloqüência no Império Romano.[6]

Capítulo retirado do livro que o pastor Carlos Lopes, está escrevendo sobre a Vida do Apóstolo São Paulo: Do Meu Próprio Punho

Pr. Carlos Augusto Lopes
Teólogo


[1] Para uma compreensão mais analítica da vida de Paulo ver F.F. Bruce ‘Paulo o apóstolo da graça Sua Vida Cartas e Teologia”. Ed. Shedd Publicações: São Paulo 2003.
[2] Ver o livro Uma Igreja que Acredita; Evangelho Segundo João: Edições Loyola p.26-27, 1999
[3] No livro de Atos 21.39 Paulo diz que é judeu, natural de Tarso, cidade não insignificante da Cilícia
[4] Ver F.F. Bruce em seu livro Paulo: Sua Vida Cartas e Teologia p.27-30. O período que Paulo menciona Síria e Cilícia e sua experiência está escrito em Gálatas 1.21
[5] I Tm. 4.8 - Alguns estudiosos dizem que os Hebreus não participavam dos jogos gregos em virtude que esses jogos eram consagrado a Zeus e outras divindades. Porém pelos escritos de Paulo vimos que várias vezes ele usou a figura do esporte para falar da fé cristã como em: I Cor.9.24-27; 15.32; Fl.2.16; II Tm.2.4; II Tm.4.7-8; Gl.2.2;5.7; Também Hb.12.1,2
[6] Essa passagem está escrita em Atos 21.27 A prisão de Paulo.