sexta-feira, 17 de abril de 2009

O HOMEM DO CÉU: IRMAO YUN E A FASCINANTE HISTÓRIA DA IGREJA PERSEGUIDA NA CHINA.


Quando perguntaram para mim se eu já tinha lido o livro do Homem do Céu, logo pensei que era mais um modismo literário no Brasil. Depois de muito tempo estava eu ministrando a Palavra do Senhor numa das nossas igrejas no sul de Santa Catarina e de repente sem eu esperar ouvi uma das nossas jovens perguntar: Pastor você quer emprestado o livro do Homem do Céu? Meio sem jeito falei para ela que tinha este livro na minha biblioteca virtual mais mesmo assim ela fez questão de me emprestar o livro.

Sem titubear peguei o livro e levei para casa. Como pastor, professor de teologia e pesquisador cristão sei do modismo abestalhado de livros que tem na estante de muitas livrarias por ai. Sou de fato seletista quanto a literatura evangélica eu não gasto o meu dinheiro em vão com aquilo que não glorifica a Deus e também não está plasmado em sua santa Palavra e na doce história da igreja em seus vários formatos.

Quando cheguei em casa comecei a folear o livro e percebi que era um livro biográfico que narrava a história de um homem que viveu no período crítico da história da China Comunista. Sempre gostei de ler livros da Igreja Perseguida, sempre fui desafiado pelos passos constantes e firmes desses amados irmãos sem rosto que enfretaram e enfrentam a fúria da malignidade mais permanecem fiéis a Deus diante do drama humano.

Quem não se encanta com os relatos do Irmão Andre da "Missão Portas Abertas?" Quem não fica encantado com os relatos quase sulrealistico da igreja perseguida espalhadas pelo mundo? seu sangue, seu brilho e sua dor.

O que falar daqueles irmãos amados que foram perseguidos por Hitler entre eles estava o poeta, teólogo e pastor Dietrich Bonheffer que foi enforcado em virtude do nazismo déspota.

O que falar do irmão Ivan Moiseyev morto na antiga União Soviética em virtude de sua fé. O que falar da nossa irmã Corrie te Boom que foi tambem presa com requinte de brutalidade no período do amalucado e infernal Hitler. Deus pela sua graça transformou aquela dor em pétalas para a igreja espalhadas no mundo todo e como dádiva para todos nós Corrie escreveu alguns livros inpirativos como “Cartas nas Prisões e Refúgio Secreto que mais tarde virou filme.

O que falar de Richard Wurmbrand que durante 14 anos ficou preso na Romênia em virtude da sua fé. Ele foi a voz da Igreja Subterrânea mais jamais negou a sua confiança na pessoa bendita de Jesus Cristo perante seus algozes que tentaram sem sucesso desbaratar a sua fé no Cristo Crucificado.

Não foi em vão que John Foxe (1516-1587) pesquisou sobre a vida daqueles amados irmãos do passado que em virtude da sua fé enfrentaram leões, reis, políticas injustas, martírio por que eles sabiam como dizia os moravianos que o "Cordeiro é Digno". Em seu livro “O Livro dos Mártires" o inglês Foxe nos ensina que devemos olhar para a história da igreja perseguida e extrair dali lições para a nossa vida.

Alguns anos atrás estive junto com o missionário Zig Fried Ziuns ministrando a pastores e foi um momento muito especial. Naquela ocasião eu ministrei sobre "A Nossa Ilha de Malta de Todos os Dias", era uma abordagem da viagem cansativa e difícil do Apóstolo Paulo rumo á Roma a capital do Império. O apóstolo dos Gentios também foi perseguido e enfrentou ao longo do seu ministério muitas prisões em virtude de sua fé e por causa disso mais tarde ele foi morto e enterrado como indigente num dos cantões do vasto Império Romano.

O missionario Zius também naquela manha relatou sobre a igreja perseguida em Cuba e não teve ninguém que ficou de olhos secos diante do amor e dedicação dele em prol da igreja perseguida cubana. Como anjo de Deus para a igreja na ilha de Fidel Zius sempre diz em tom de alegria que a fé ali é mais cara e que Jesus Cristo garantiu o IDE e nao a Volta.

Um tempo atrás junto com alguns missiólogos no Brasil eu fui convidado para fazer o prefácio do livro de um angolano que viveu também num período de perseguição e guerra em seu país. Em seu livro "Antes que eu me Esqueça" Castanheira narra com detalhe a brutalidade da guerra que assolou Angola e como a igreja sobreviveu mediante a dor e a crise e como Deus chamou ele para a obra missionária.

A história da Igreja precissamente a história da Igreja Perseguida que tem seu inicio em Atos dos Apóstolos como nascedouro da perseguiçao sempre me chamou a atençao por isso logo que folie o livro do Irmão Yun que em chinês significa "Nuvem de Testemunha" pude penetrar no limiar de uma igreja que padece por Cristo ao mesmo tempo que é fiel ao seu Senhor, percebi que o Título "Homem do Céu" nada mais era do que o seu brado para livrar a igreja da brutalidade dos soldados chinês.

Quando minha esposa Cida Lopes que tem um coração apaixonado por missões começou a ler o livro so descansou quando terminou, pois Paul Hattaway que historia a vida de Yun tem a especialidade de nos colocar cara a cara com a igreja doméstica chinesa e sua obstinação por Cristo o Senhor.

O Escritor Carl Lawrence que morou em Hong Kong e também em outras regiões da Ásia de 1964 até 1979 nos mostra o quanto a igreja Chinesa sobre o tacão do comunismo e das idéias complexa de Mao Tse Tung não só sobreviveu a dura brutalidade marxista mais cresceu em meio ao vale de dor e lágrimas.A igreja doméstica chinesa tem muito a nos ensinar sobre obediência e fidelidade a Deus em meio ao caos da Cortina de Bambu como também a humildade e a reverencia de amar a Palavra santa de Deus.

Quando convidei uns dos diretores da "Missão Betânia no Brasil" pastor Cícero Bezerra para ministrar em nosso Acampamento de Verao e também na igreja ele me convidou para ouvir o irmão Yuon que iria estar no Brasil.

Convidei os líderes da nossa igreja para irmos ouvir o Irmão Yuon e perceber os caminhos de Deus na igreja chinesa. Nos hospedamos no Seminário Teologico Betania em Curitiba e de fato foi um tempo precioso para todos nós ouvirmos aquele servo do Senhor.

Percebemos nas entrelinhas do seu coração que seu único motivo era Deus. Yun mostrou de maneira prática aquilo que o místico Sào João da Cruz falou em palavras quando bradou: "O meu motivo eis Tu Senhor, o Senhor é o meu motivo" Com uma convicção profunda e de uma humildade contagiante o Irmão Yun testemunhou e chorou pela a igreja na China e da Europa.

Com simplicidade que encantava os ouvintes mais como embaixador de um Deus que o chamou para uma nobre tarefa Yun levou seu chamado até as últimas consequencias sempre com a certeza que tudo isso era a graça de Deus em sua vida simples. Ele foi uma testemunha fiel num período complexo da história da igreja doméstica na China.

Yun teve a dádiva de decorar todo o Evangelho e guardar em sua mente e coração pois Deus preparava ele para uma missão importante que era ser um prisioneiro nas geladas e duras cadeias chinesa. Ali onde a Bíblia tinha sido queimada e era proibido falar de Deus este homem do céu como a igreja chinesa chama para ele, foi fiel ao seu Senhor até o fim.

Yun em seu testemunho no Brasil nunca exaltou os seus sofrimentos que na pespectiva humana é com requinte de crueldade mais sempre exaltou a Cristo e a sua Palavra e Deus como soberano. Ele mostrou para nós como os cristão sobreviveram no período negro de Mao TSE Tung e como ele viu a glória de Deus numa China que levantava a bandeira do ateísmo e do comunismo hermético.

Naquela manha junto com os pastores nos vimos um olhar de um santo que deseja que Cristo fosse exaltado, sua aparencia é simples, sua formosura nao esta conectada com o narcisismo moderno dessa geraçao fugaz, sua beleza esta em sua fé e paixao pelo Cristo ressurreto. Seu testemunho nas prisões chinesas nos levaram as lágrimas em ver sua fidelidade em meio a dor e perceber a graça de Deus com aqueles presos que foram alcançados pela divina providencia nas duras prisoes daquele país ateu.

Já cansado e abatido Yun convidou os pastores para orar pela igreja européia para que ela se volte com fervor para Cristo. Exilado na Alemanha ele percebeu que a teologia liberal, o pragmatismo e o pós modernismo fragmentou as igrejas européias e algumas ate já foram vendidas para templos mulçulmanos.

De volta para Jerusalém era o brado de Yun se referindo que devemos levar o evangelho santo de Jesus Cristo para a Europa que foi o berço da evangelização e que hoje esta nas cinzas de um ateísmo disfarçado cujo a figura de Deus e a salvação em Cristo se tornou peça de museu religioso.

De fato nosso coração foi aquecido como disse John Wesley naquela experiencia que ele teve em 24 de maio de 1738 na rua Aldersgate em Londres quando foi lido o prefácio de Martinho Lutero de Romanos. Wesley disse: "Senti meu coração estranhamente aquecido". Assim também fomos aquecidos pelo testemunho do Irmão Yun que traz em sua insígnia a Soli Deo Glória ( a Deus somente a Glória).

No final abraçamos o Irmão Yun e mesmo sem falarmos uma só palavra em virtude da barreira linguistica o nosso coração estava familiarizado pois, somos filhos do mesmo Pai e temos o mesmo Espírito Santo e somos salvos pela Graça por intermédio de Jesus Cristo o filho de Deus sobre o qual um dia todos os joelhos se dobrará e toda lingua confessará que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai.

Algo que encheu o nosso coração é que duas palavras que nos conectam com o trono da graça nao precisavam ser interpretada, pois ele também dizia com nós "Amém e Aleluia".

Como aquela irmanzinha que no final do culto perguntou para mim se eu já tinha lido o livro do Homem do Céu eu também faço a mesma pergunta para você que esta lendo este artigo.

Você já leu o livro do irmão Yun? O Homem do Céu? Se ainda não leu indico para você esta leitura educativa cheia de fé e aventura de um homem que entregou a sua vida para exaltar a Deus na China Comunista.

Talvez o mesmo cantico de criança que soou nos ouvidos do grande teólogo Agostinho no verao de 386 d.C. quando ele tinha 32 anos e estava angustiado em Milao no jardim da casa do seu amigo Alípio, posssa soar para voce também. O cantico dizia: Tolle, Lege! Tolle, Lege! que significa "Pegue e Leia! Pegue e Leia! na ocasiao Agostinho pegou o livro de Romanos e leu o capítulo 13 e Agostinho foi transformado.

É claro que Agostinho leu Romanos palavra santa de Deus que faz parte do Canom Bíblico, mais Deus pode usar este livro para despertar sua paixao pelas almas, renovar seu compromisso com a evangelizaçao e trazer alegria para o seu coração. O canto é o mesmo "Tolle, Lege".

Encerro minha reflexão com as belas palavras de Agostinho que podem ser aplicadas na vida deste servo de Deus e de todos nós como motivo e consolação. Ele disse: Deus teve apenas na terra um Filho sem pecado,mais nenhum sem sofrimento.

SOLA SCRIPTURA

Pastor Carlos Augusto Lopes
Teólogo

COMPLETANDO 16 ANOS DE CASADO: PRETO NO BRANCO , BRANCO NO PRETO- HÁ HISTÓRIA DE UM CASAMENTO- POESIA, PIEDADE E LIBERDADE.

Familia de fato é um dom de Deus e um privilégio para a raça humana. A família é a celular mater da sociedade e o primeiro núcleo social do indivíduo. Eu, Gosto de meditar, de estudar, de fazer teologia, de pregar, de dar aula, realizar palestra, aconselhar, escrever.

Mas gosto de ficar com a minha família e me recolher para a quietude barulhenta do meu lar que tem caractéres restaurador, sanador e de refúgio em meio ao agitado mundo contemporâneo.

É justamente ali " em família" ao lado de Cida e Vitor que não existe máscaras pois, somos o que somos, gente, que chora, que rir, que se irrita, que perdoa, que ama, que abraça, que sofre, que fica acanhado, que poetiza e que não consegue perpetuar o individualismo tão pulsante em nossa geração, pois familia é justamente o coletivo, des da pasta de dente até o sabonete tudo é incomum, a mesma alimentação, o mesmo teto os mesmos desafios e por ai vai.


Vitor Augusto já está com sete anos e logo vai fazer oito, me lembro quando estava na minha casa em meu periodo de estudo teológico no Seminário quando Cida minha esposa foi na cidade de Altônia, proximo do Paraguai e de Mato Grosso onde morávamos fazer o "exame", quando chegou perto do refeitório entre a pracinha que cruza a frente da nossa casa, num gesto de triunfo bradou: " "estou gravida", e eu sem jeito com alegria no rosto agradeci a Deus autor da vida.

A Cida naquele último ano de Seminário fez sua monografia grávida e se formou gravida. A minha Monografia foi sobre " A Igreja Cristã e o Tratado do Sermão do Monte" já a dela foi sobre " A Graça um Caminho de Liberdade" e de fato foi a graça de Deus que fez ela chegar até o fim daqauele projeto de estudos, prestes a ter um filho amado.

Os amigos do Semib brincavam ... vai levar para o Sul dois diplomas " um Teológico" e o outro de "Mãe e de Pai". De fato o tempo passa, mas a vida familiar sem dúvida é uma escola cuja a diplomação não se consegue em quatro anos acadêmicos, pois ela se mistura com a hermenéutica da vida e a vida é uma escola e a familia a grande pedagoga. De fato agradeço a Deus por minha família e acima de tudo por ela pertencer a grande família da fé.

Eu e Cida aqui nas bandas do Sul rompemos com status quo no que tange as rudes tradições "afro- branqueza". Quando ela já estava na fé em Cristo eu ainda andava pelos bastidores da velha vida mundana e não conhecia fé alguma.

Quando cheguei na igreja ela a muito tempo já estava servindo a Cristo. Ela já tinha um curso universitário e era aplicada e metódica em seus estudos e afazeres . Ela era Branca e eu Negro. Ela era viúva e , eu antes de conhecer a Cristo só namorava. Ela tinha uma filhinha " Gaby" , e eu a tive como minha filha.

Eu e Cida nos casamos em 1993, e para a alegria de todos era o dia mas frio do ano, mas para nós o dia mais especial pois estava marcado pelo proposito maior de Deus nas nossas vidas. Naquele dia do casamento consegui uma moto emprestada e corri de um lado para outro para deixar tudo certinho. Depois de fazer tudo fui para casa me arrumar e quando fui fazer a barba me cortei e por concidencia sujei a camisa de sangue e a bendita borboleta que vai na gola para combinar com o manto em forma de cinta da cor vermelha sumiu, tive que correr na vizinhança atrás de uma borboleta e consegui uma preta

Para ir para a igreja combinei com o meu primo Orlando para me levar e ele chegou lá com seu fuscão Fafá e lá fomos de fusca para a igreja cheio de moral e palidamente nervoso. Eu poderia cantar a música antiga do Rebanhão " Eu, era magro que dava dó", usava um óculos esquisito e meu cabelo era no formato de quadrado que na época era um charme rsrsr.

Cida, estava todo bonita, bem arrumada, bem maquiada coisas de mulher , mas não chegou de fusca como eu. A igreja Velha estava cheia, o irmão Gerson Samuel cantou, Pr. Bartolomeu de Andrade fez a Cerimônia e o irmão Zé da Lomba fez a filmagem.

O fotógrafo era todo atrapalhado estava no tempo do laminaço e toda vez que mudava a lamina fazia um barulhão e no final quando estavamos batendo as últimas fotos no ASES ' associação da Eletrosul" naquele frio que quase ficamos encarangados, ele e seu filho discutiram rsrsrs. O album das fotos só pegamos uns dois anos depois com muito sacrificio rsrsrs.

Gaby, bem pequena levou as alianças e no meio da cerimonia quase desmaiou de fome, pois não consegiu comer nada antes do casamento é que a irmã Lídia " In memorian", tinha feito uma dobradinha saboreosa. Eu adorei mas criança sabe como é as vezes não gostam das coisas boas da vida rsrsrs

Falando um pouco da Gaby, ela sempre foi fiel a Deus, sempre na igreja, foi para o Seminário com a gente e lá absorveu de fato a fé Cristã, viajou com a gente por vários lugares daquele Paraná e Paraguai fazendo evangelismo através da dança. No Seminário dançava coreografia e quando voltamos para Tubarão fundou o Grupo Grande Expressão de dança, também viajou pelo Rio Grande do Sul evangelizando através da dança. Entrou na Universidade " Unisul", e se formou como Enfermeira, casou com o jornalista Ricardo Dias ministro de Louvor da ADI e hoje é enfermeira chefe do Hospital de uma cidade aqui próximo e faz pós-graduação em obstetria em Curitiba sendo sempre fiel a Deus.

Voltando um pouco para o meu casamento nossa Lua de mel foi na praia histórica de Laguna(SC), mas o frio e a chuva desafiou a nossa fé, arrumamos emprestado o apartamento de uns amigos de cobertura " chic" mas em todo prédio só estava a gente, era o rigor do inverno e o vento que soprava lá fora fez eu fazer o convite para o casal que nos levou.


" Quem sabe voces dorme aí", na verdade estava meio cabrero como diz o mateiro em ficar ali sozinho em meio a quietude da madrugada que já tinha chegado, o Sander até achou a idéa boa mas sua mulher Ana Lúcia sábia rsrs logo disse " que é isso rapaz", rsrs.

Não tinhamos dinheiro para levar para a lua de mel e então levamos algumas comidas do casamento " churrasco, maioneses, pedaço de bolo, refrigerante" etc. Mas quando estavamos saindo uma irmã colocou no bolso do meu paletó um cheque, estava louco para ver o valor mas seria precipitação, mas no caminho não aguentei a curiosidade e olhei " Ó Gloria!", era o dinheiro para a gente passar a lua de mel, ele veio de Deus que usou aquela irmã para nós abençoar

Olhei para o churrasco frio, a maionese fria do outro dia e olhei para o cheque e disse: Cida vamos almoçar fora eu pago, e lá fomos nós almoçar fora com a benção que Deus tinha dado. Eu mandei fazer para mim um casacão preto de lã para passear com a cida a noite, a irmã Salete no final me deu de presente. Lá estava eu, todo exibido com o casacão preto como um turista chicano latino americano de uma cidade ao lado. A cida tinha comprado uma camisa listrada do tempo do "épa", mas para a época era moderna rsrsr, meu casacão preto doei para um africano quando veio estudar no Brasil.
Assim ficamos uma semana na Laguna, andamos pelo calçadão deserto, passeamos pela praia solitária, tiramos fotos e na época não era digital mas Kodak emprestada, passeamos na parte velha da cidade da Laguna, fomos no museu Anita Garibaldi e por fim fomos no Farol de Santa Marta para conhecer " se bem que já conhecíamos mas no inicio do casamento tudo é bom", mais numa bobiada perdemos o buzão e lá ficamos a tarde inteira esperando o bendito ônibus que só passava duas vezes ao dia.

Quando chegava a noite, sozinho naquele predio, fechavamos tudo, des da porta lá embaixo até a porta do quarto rsrs, será que era medo? Neste tempo fiz uma música para a Cida " Preto No Branco" e essa poesia musicada, por muitas vezes cantamos.

Naquela Laguna celebramos a Cristo, Celebramos a Vida, Celebramos a nossa União, Celebramos a Graça derramada, Celebramos o rompimento do preconceito, Celebramos a Deus, que nos tinha chamado para uma nova vida com Cristo, de fato é Deus que escreve a nossa história, Ele é o cineasta do grande cenário da vida, Ele é o Soberano Senhor de tudo, pois tudo inicia NELE e se finda NELE Ele é a nossa panacéia.

Quando acabou a Lua de Mel viemos de "Alvorada" ônibus comum na nossa região que apelidaram de alvoraçada, cai na besteira de perguntar para o cobrador qual era a nossa poltrona e o rapaz sorriu dizendo quem sentar primeiro pega rsrsrs

Aquela viagem de Alvorada que era além de tudo um ônibus pinga a pinga, era a nossa história iniciada, era a nossa história que começava como um retrós que vai desenrolando na divina comédia humana.

Aquele ônibus simples de banco duro, motor barulhento, lotado de gente simples que de dez em dez minutos parava, foi o nosso trans atlantico, melhor que o Titanic que afundou, melhor que o chiquismo do casamento da princesa Dayna, pois todos naufragaram no grande mar da vida, das surpresas e das ilusões.

Deus, nos chamou para a celebração, seja ela em qualquer lugar des de que Jesus esteje na frente e que esteje guiando a nossa vida a nosa trajetoria seja plataforma ministerial, conjugal, familiar etc. pois, de fato quando Deus norteia a nossa existência estamos seguros em tudo então podemos dizer e poetizar como disse o médico e missionário inglés David Livingstone "Sem Cristo nenhum passo , Com Cristo a qualquer lugar"

Deus o Todo Poderoso armou uma tenda para mim e para a cida compartilhar a vida "chamado familia", como também para todos os seus servos espalhados no mundo inteiro e o incrível disso tudo é que cada um tem uma história diferente para ser narrado com graça e singeleza diante de Deus e dos homens. Agora já 15 anos de casamento e basicamente 18 anos que nos conhecemos de fato o tempo passa mais nosso amor permanece pela graça de Deus.

Pastor Carlos Augusto Lopes

















quarta-feira, 15 de abril de 2009

A IGREJA CRISTÃ E OS DESAFIOS DA PÓS - MODERNIDADE: RELEVÂNCIA SEM PERDER A ESSÊNCIA.

Estamos vivendo uma época da história da humanidade de profunda mudança em todos os segmentos da sociedade. Paira sobre nossa geração uma nova visão de encarar a realidade e de celebrar a vida.

Para Daniel Salinas assessor da Comunidade Cristã Universitária na Bolívia, essa mudança radical na sociedade não é uma rebeldia juvenil, mas uma mudança epistemológica, existencial e espiritual que penetra as bases da cosmovisão preponderante(1999, p.11).

As mudanças ocorridas de forma rápida e transacional em nossa sociedade é chamada de Pós-Modernidade. O Doutor Samuel Escobar no livro Pós-Modernidade afirma o seguinte:

A Pós-Modernidade apresenta um desafio colossal à fé cristã. Ao longo de vinte séculos de história os cristãos viram-se muitas vezes enfrentando mudanças culturais (...), no seu longo processo histórico os cristãos tem visto ser colocada e recolocada a questão da relação entre o evangelho e a cultura. A Pós-Modernidade é um novo estabelecimento que parece ser muito mais radical do que os anteriores. (1999, p.56)


Samuel Escobar nos mostra que o cristianismo sempre enfrentou as mudanças culturais radicais durante vinte séculos de história sem perder sua essência. (1999, p.56). Todavia temos um desafio colossal mais agressivo do que todos esses, chamado Pós-Modernidade.

Para Antônio Tadeu Ayres em seu livro Como Entender a Pós-Modernidade o momento que estamos vivendo é marcado pelo rompimento das fronteiras sociais, desmantelamento do sistema, quebra de tabus, nova moralidade, novos critérios éticos e a destruição dos sistemas de valores, presentes nas gerações passadas (1998, p.6).

Para entendermos um pouco sobre Pós-Modernidade temos que entender como surgiu a Modernidade e sua trajetória. Stanley J. Grenz em seu livro Pós-Modernismo nos diz que a mente moderna segundo alguns historiadores foi plasmada no alvorecer do Iluminismo, logo após a Guerra dos Trinta Anos e teve como pano de fundo a Renascença que levou a humanidade ao centro do mundo (1997, p.17).

Daniel Salinas em seu livro Pós-Modernidade nos diz que as opiniões sobre o início da modernidade variam muito. Alguns pensam que foi a Renascença (Sec. XIV e XV), outros acham que foi no período do Iluminismo (Sec. XVIII) (1999, p.13).

Segundo Salinas, o otimismo da modernidade, sua confiança na ciência, na tecnologia e no progresso, teve um golpe mortal na primeira guerra mundial, Stalin e Hitler deram os últimos toques em seu sepultamento e os filósofos e escritores deram o atestado de óbito e a razão mostrou que não podia resolver o problema do homem.
Salinas nos diz que diante do vazio deixado pela modernidade aparece a Pós-Modernidade.

Segundo Stanley J. Grenz a Pós-Modernidade nasceu em St. Louis, Missouri, no dia 15 de junho de 1972 às 15 horas e 32 minutos. As datas que marcaram esse período tem muita controvérsia, segundo Ayres não há unanimidade entre os entendidos do assunto (1998, p.9).

O objetivo aqui não é datar esse período, mas sim entender este momento. Não temos a pretensão de penetrar nas raias da especulação sociológica e filosófica, mas sim mostrar suas implicações de mudanças que permeiam o mundo e conseqüentemente a Igreja de Cristo.

Francis Schaeffer em seu livro A Morte da Razão, nos diz que:

Cada geração defronta com este problema de aprender como falar ao seu tempo de maneira comunicativa. É problema que não pode resolver sem uma compreensão da situação existencial, em constante mudança, com que se defronta. Para que consigamos comunicar a fé cristã de modo eficiente, portanto, temos que conhecer e entender as formas de pensamento da nossa geração. (1997, p.5)

Devemos compreender o que ensina a Pós-Modernidade para poder combater aquilo que é excêntrico às Escrituras e ao mesmo tempo comunicar a Palavra de Deus de forma eficiente para essa geração. Como bem disse Stanley Grenz nós não fomos chamados para ministrar a uma época remota, mas para os dias de hoje, cujo contexto acha-se sob a influência da Pós-Modernidade (1997, p.28).

Antônio Tadeu Ayres nos lembra que o momento que a Igreja de Cristo está inserida é marcado pelo rompimento das fronteiras sociais, desmantelamento dos sistema, quebra de tabus, nova moralidade, novos critérios éticos e a destruição dos sistemas de valores (1998, p.6).

Daniel Salinas mostra que neste contexto não existe absolutos, porque para os pensadores Pós-Modernos os absolutos só trouxeram sistemas opressivos como guerra e campo de concentração (1999, p.26).

Salina também fala do Jardim pluralista. Na religião, o pluralismo mostra que a salvação não tem só um caminho, mas tem diversos caminhos. Nenhuma religião tem o direito de se achar a única dona da verdade e isso inclui o Cristianismo. Para o pensamento Pós-Moderno não existe verdade absoluta pois a verdade é relativizada (1999, p.33-38).

Ricardo Gondin nos diz que a religião se tornou privada, porque isso significa liberdade, mas só aqui, não no setor público (1997, p.41,46).
A geração Pós-Moderna é uma geração sem conteúdo, sem profundidade, que preza pelo hedonismo, niilismo e o narcisismo. Eles têm prazer no efêmero, nada de sentimento de culpa e nada de valores permanentes.

Ayres nos mostra que esse é um período difícil, mas de grande oportunidade para a Igreja de Cristo. O ser humano contemporâneo está fragmentado, inseguro quanto ao seu futuro, ideologicamente , está órfão de valores da religião e esfomeado diante das várias opções oferecidas (1998, p.6).

A Igreja é o principal instrumento que Deus tem neste mundo para unir as coisas. A resposta para a indagação e a inquietude dessa geração Pós-Moderna não está no místico, no pragmatismo, etc., mas sim em Cristo. Como disse MacArthur: Encontramos na pessoa de Jesus Cristo provisões suficientes para as nossas necessidades (1995, p.12).

Agora como levar o Evangelho absoluto de Cristo para uma geração Pós-Moderna que não crê no absoluto, que é pragmática, pluralista e mística?. Como evitar essa infiltração no arraial evangélico? Quando olhamos para o Sermão do Monte, percebemos que podemos tirar dali algumas respostas para essa inquietude:

A primeir
a coisa que a Igreja tem que ter é convicção de sua identidade (Mt.5:13-14), porque essa identidade gera responsabilidade e estabelece a contracultura (Mt.6:8).

As pessoas buscam fama (Mt.5:16), glória (Mt.6:2), poder, dinheiro e status (Mt.6:19-24), etc. Porém, uma Igreja que tem convicção de sua chamada não vai buscar isso, mas o contrário, irá buscar a glória de Deus (Mt.5:16), e o Reino de Deus (Mt.6:33).

Em segundo lugar o mundo Pós-Moderno só vai ouvir pessoas que têm convicção daquilo que está proclamando (Mt.6:9-10) e isso tem dimensões profundas, porque sai da esfera teórica (Mt.7:26-27) e desemboca na prática (Mt.7:24-25) e na transparência (Mt.5:9; 5:21-24; 5:37), na celebração da verdade (Mt.5:3-12), na prioridade e no despojamento de tudo o que não é de Deus (Mt.6:10; 6:31-33).

Daniel Salinas nos mostra quatro pedras fundamentais para alcançar essa geração: A autenticidade, o cuidado mútuo, a confiança e a transparência (1999, p.45-46). Todas essas pedras fundamentais estão inseridas no Sermão do Monte. Segundo Salinas, para evitarmos a infiltração Pós-Moderna na Igreja temos que romper com a Hermenêutica dos Sentidos, da Antropocentricidade e da Escatolicidade da Ficção (1999, p.49-54).

Em terceiro lugar a Igreja não pode relativizar a Palavra de Deus por causa do sucesso do pragmatismo excêntrico e nem pelas afrontas desse mundo. Para Stott no seu livro Ouça o Espírito, Ouça o Mundo, nós não podemos ser como varas sopradas ao vento, não podemos de maneira alguma nos curvar diante dessa sociedade com sua avareza, seu relativismo, sua rejeição ao absoluto.

Pelo contrário, temos que ficar fiel à Palavra de Deus (1997, p.184). A Palavra de Deus é absoluta verdade: “Santifica-os na verdade; a tua Palavra é a verdade” (Jo.17:17, NVI), e essa verdade de Cristo no Sermão do Monte tem que ser guardada e praticada (Mt.7:24-27). Ela não pode de maneira alguma ser sacrificada pela Igreja no altar da Pós-Modernidade.

Em quarto lugar o mundo Pós-Moderno cuja consciência ética é relativizada e liberalizante, tem que ver que na Igreja de Cristo existe uma ética, um padrão moral antagônico e contracultural: “Não sejam iguais a ele ...”(Mt.6:8, NVI).

O mundo precisa visualizar que a Igreja de Cristo tem sua plena fundamentação não nas riquezas desse mundo (Mt. 6:19), mas em Deus (Mt.6:20). O mundo tem que notar que a Igreja de Cristo não é opulenta, mas ela encarna um estilo de vida simples (Mt.6:25-26), O Supremo Bem, que a Igreja percorre em alcançar como valor, não é temporal, mas eterno (Mt.6:33).

Essa geração tem que saber que a Igreja de Cristo chamada para ser Sal e Luz deste mundo, não precisa de amuleto ou fetichismo (Mt.6:5-7), mas ela desenvolve uma piedade cristã relacional e não utilitária com Deus Pai, revelado por Cristo no Sermão do Monte (Mt.6:9-18).

Em quinto e último lugar a Igreja de Cristo que vive o Sermão do Monte deve ser conhecida como a Comunidade do perdão, da oração, do amor, do afeto, da verdade, da alegria, da contraculturação, da unidade, etc., só assim o mundo irá nos ouvir.

Stott nos lembra que o mundo secularizado está em busca da transcendência, de significados e de comunhão (1997, p. 246-264). Todas essas coisas estão no domínio da igreja de Cristo e isso está plasmado no Sermão do Monte. Nós como cristãos vivemos num mundo pluralista, todavia temos que deixar claro para essa geração a Unicidade de Jesus Cristo, porque só Ele é Senhor (Kyrios Iesous) e Salvador. Como bem disse Stott, negar a Unicidade de Jesus Cristo para essa geração é extirpar o nervo de sua missão, tornando supérflua (1997, p.358).

Philip Kenneson diz que a tarefa urgente da Igreja é viver neste mundo de tal modo que eles sejam levados a nos indagar a respeito da salvação. Ele também afirma que:

Nesta era Pós-Moderna não podemos esconder a nossa vida por trás de grandes argumentos racionais, porque agora os mesmos não impressionam mais. Nesta era, mais do que com palavras, evangelizemos com ações, com uma postura de amor pelos outros, com uma axiologia saturada pela ética e pelos valores do reino, e com uma mensagem encarnada, que saia dos templos e que se misture com a geração desencantada. (Apud, Salinas, 1999, p.45).

Essa declaração de Kenneson sintetiza para a Igreja de hoje como ela vai comunicar de maneira objetiva a essa geração Pós-Moderna. Ela destaca cinco pontos importantes que estão no Sermão do Monte:

Primeiro ele diz que nós não podemos esconder nossa vida em argumentos racionais, mas encarnar a nossa identidade (Mt. 5:13-16).

Segundo nosso viver não pode ser só de palavras mas ação (Mt.7:24-27).

Terceiro temos que ter um amor pelos outros independentes de ser nosso irmão ou inimigos (Mt. 5.38-47).

Quarto temos que ter uma epistemologia mediada por compaixão (Mt. 5.7).

E quinto e último temos que ter uma axiologia saturada pela ética e pelos valores do reino (Mt.5.3-12; 5.33). Quando olhamos para o ministério de Jesus percebemos muito forte essas coisas na sua vida.

Catalão Angel Castañeira diz:

Temos que revisar, então o modelo de Jesus cujo ministério público foi essencialmente relacional. Ele andava no meio das multidões, ou então tinha encontros privados com determinadas pessoas, até mesmo de noite. Ele sabia o que era sentir o calor do meio-dia no deserto de Samaria, ou o frio da morte no quarto de um adolescente. Ele deixou-se tocar por uma mulher cerimonialmente impura, e tocou intencionalmente num leproso, isolado pela sociedade. Ele falou de situações cotidianas, de sal e lâmpada, de sementes e pastores de pais e filhos. Hoje, mais do que nunca, devemos seguir este modelo, se queremos alcançar a geração pós-moderna (Apud Salinas, 1999, p.46).

Essa declaração de Catalão Angel, nos mostra como Cristo soube comunicar o Reino de Deus na sua época. O amor que ele devotava pela a humanidade e a lucidez que ele tinha do seu ministério e do relacionamento com Deus, ele revelou ao mundo como Pai, fez ele romper barreiras e fronteiras.

Ele tanto sabia conversar com a pessoa mais culta como sabia conversar com uma mulher desprezada a beira de um poço. Ele tanto sabia participar dos grandes banquetes, como sabia ficar três dias no povoado de Samaria comendo pão simples.
Ele tanto sabia pregar para uma multidão, como sabia atravessar o mar da Galiléia e se encontrar no sepulcro com um endemoninhado gadareno. Ele tanto sabia falar para um publicano Zaqueu descer da árvore, como sabia dizer para um príncipe do povo chamado Nicodemos que é necessário nascer de novo.

Cristo rompeu barreiras e se encontrou com o descamisado da sua época, com a prostituta, com o fariseu, com os necessitados e com os aflitos ele amava essas pessoas e por causa do seu intenso amor para com o Pai e para com os homens ele morreu na cruz.

Cristo no Sermão do Monte, nos mostra um caminho seguro, para comunicar sua Palavra, a essa geração pós-moderna que morre de inanição, por Deus. A igreja de Cristo deve romper as barreiras e as fronteiras e se apresentar para essa geração como Sal e Luz, como guardadora da Verdade e praticadora da Verdade.

Ela deve ir aonde Cristo foi, deve romper as barreiras e anunciar Deus. Cristo tinha um alvo no seu ministério o seu escopo era a glória de Deus. O que vemos muitas vezes é a exaltação do homem em detrimento à exaltação de Deus.

A Igreja não pode se embriagar com a proposta do evangelho humanista de ser rica, famosa de angariar status da sociedade, mas deve se preocupar exclusivamente com a glória de Deus. Pensando assim ela irá romper as barreiras porque ela não está interessada naquilo que o homem pode dar como: dinheiro, intelectualidade etc., mas ela está interessada em levar pessoas a conhecer Cristo e seu Reino.

Autor: Carlos Augusto Lopes
Teólogo

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O PASSARINHO ENGAIOLADO


Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida o mínimo que se poderia dizer era que era segura e tranqüila, como seguras e tranqüilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos funcionários públicos.

Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita com arames de ferro ou de deveres. Os sonhos aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na alma, que cada um enche como pode. Assim, restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era o aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da segurança da gaiola.

Bem se lembrava do dia em que, enganado pelo alpiste, entrou no alçapão. Alçapões são assim; têm sempre uma coisa apetitosa dentro. Do alçapão para a gaiola o caminho foi curto, através da Ponte dos Suspiros.

Há aquele famoso poema do Guerra Junqueiro, sobre o melro, o pássaro das risadas de cristal. O velho cura, rancoroso, encontrara seu ninho e prendera os seus filhotes na gaiola. A mãe, desesperada com o destino dos filhos, e incapaz de abrir a portinha de ferro, lhes traz no bico um galho de veneno. Meus filhos, a existência é boa só quando é livre. A liberdade é a lei. Prende-se a asa, mas a alma voa... Ó filhos, voemos pelo azul!... Comei!

É certo que a mãe do passarinho nunca lera o poeta, pois o que ela disse ao seu filho foi: Finalmente minhas orações foram respondidas. Você esta seguro, pelo resto de sua vida. Nada há a temer. Não é preciso se preocupar. Acostuma-se. Cante bonito. Agora posso morrer em paz!

Do seu pequeno espaço ele olhava os outros passarinhos. Os bem-te-vis, atrás dos bichinhos; os sanhaços, entrando mamões adentro; os beija-flores, com seu mágico bater de asas; os urubus, nos seus vôos tranqüilos da fundura do céu; as rolinhas, arrulhando, fazendo amor; as pombas, voando como flechas. Ah! Os prudentes conselhos maternos não o tranqüilizavam. Ele queria ser como os outros pássaros, livres... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.

Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta? Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair.

Agachou-se no galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se se suas asas agüentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Neste momento um insetinho passou voando bem na frente do seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu mostrando a língua.

– Ei, você! – era uma passarinha. – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato, que anda por lá... Só o nome gato lhe deu um arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas. A passarinha procurou outro companheiro.

Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com ele a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava. Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore, sem proteção. Gatos sobem em árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos meninos com seus estilingues, no dia seguinte.

Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a porta ainda estava aberta.

Neste momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego. Pois passarinho de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...


Extraído do livro de Rubem Alves
Teologia do Cotidiano

Pr. Carlos Augusto Lopes
Teólogo

Soli Deo Glória

sábado, 4 de abril de 2009

REDESCOBRINDO A ECLESIOLOGIA PARA O DESENVOLVIMENTO SADIO DO MINISTÉRIO CRISTÃO.


Escrevo-te estas coisas esperando ir ver-te em breve; para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade. (II Tm 3.14-15)

A igreja é algo tão profundamente escondido, que ninguém pode ver ou conhecer, mas apenas compreender e crer no batismo, na ceia do Senhor e na Palavra (Martinho Lutero)

“Grande
é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja” (Ef.5.32)


A igreja evangélica brasileira tem experimentado ao longo desses anos um crescimento em sua estrutura eclesiástica. Esse “crescer”, evangélico em solo brasileiro tem causado “Admiração” e “Preocupação”.

Admiração em ver uma colheita vertiginosa nessas últimas décadas. Alguns dizem que isso é um avivamento outras não são tão otimistas assim, todavia a igreja evangélica em termos numéricos cresceu e sua visibilidade é percebida hoje na nossa brasilidade.

A igreja saiu do anonimato para as fileiras do sucesso abarcando em sua estrutura não somente um aglomerado de pessoas, mas também uma potencialidade mercadológica onde tudo é somatizado em tom de mercado, consumo evangelical, práticas humanistas etc.

Pesquisas feitas apontam que as literaturas dirigidas para pastores nessas duas décadas tem sido dominadas por técnicas empresariais, ciências de comportamento recentes, novas técnicas de reciclagem e muito pouca herança bíblica e histórica.
Existe de fato uma grande “preocupação”, com a igreja evangélica no Brasil e o ministério genuíno. Longe do triunfalismo, do modismo e das mega estatísticas, muitos pastores, teólogos, missiólogos, estão preocupados com o movimentar dos eclesianos e do adendo pastoral.

A igreja não pode jamais se envolver com a cultura da nossa época ele deve ser bíblica e contra cultural, deve ser relevante porém essencial. Temos visto hoje uma minimização do ministério bíblico em muitas igrejas brasileira. Devemos de fato através da palavra “ sola Scriptura” ( Somente as Escrituras) reformar o tecido da igreja na nossa terra tupiniquim sem a qual estaremos traindo a Deus e a nossa geração.

Dr. Russel Shedd que esteve ministrando na nossa igreja aqui em Tubarao Santa Catarina e também para os pastores e líderes da região sul do Brasil em seu livro O Líder que Deus Usa: Resgatando a Liderança Bíblica para a igreja no Novo Milênio, nos mostra de maneira profunda quem são as pessoas que Deus quer usar nesta época difícil que vivemos como cidadão do mundo e também como igreja. Ele alista de forma didática alguns pontos que são de suma importância para a comunidade local. O crente que Deus quer usa dever ser:

1) “Perseverante”, 2) “Viver uma vida Santa”, 3) “Ser cheio do Espírito”, 4) “Ser sábio”, 5) “Ser um homem de fé e de amor”, 6) “Ser servo”, 7) “Ser marcado pela visão de Deus”, 8) “Ser uma pessoa de valor”, 9) “Ser uma pessoa com motivação santa”, 10) “ Ser grato”, 11) “Ser Humilde”, 12) “Ser um Aprendiz”, 13) “Ser um homem com interesse no Reino”, 14) “Ser Otimista”, 15) “Ser um Homem de Oração Perseverante”. Para o Dr. Shedd esses requisitos mostram a vida de piedade que tanto precisamos no Brasil Contemporâneo.

Ele também mostra o perigo quando uma pessoa esta fora dos padrões estabelecidos por Deus. Nada é tão anti-bíblico e complexo quando uma pessoa que se diz cristã nutre no tecido do seu ministério: 1) “A incredulidade”,2) A “inconstância’, 3) O “desânimo”, 4) A “estagnação”, 5) A ‘inveja’, 6) A “soberba”, 7) A ‘falsidade’ 8) A ‘falta de equilíbrio’, 9) A “ falta de transparência”, 10) A “ falta da integridade”

Todo pastor e líder deverá prestar contas a Deus da sua atividade pastoral (Hb.13.7), ele esta incumbido de pastorear com critério santo o povo de Deus ensinando as verdades divinas ( At. 20.18; At.20.20; I Pe.5.2). Ele deve focar seu ministério não em modismo mais no ensino sadio para o crescimento do povo de Deus.

O pastor e líder no Brasil contemporâneo deve margear a sua supervisão segundo as Escrituras ( At. 20.28;I Tm. 3.2; I Tm.5.17; Tt. 1.9; I Pe.5.2). O governo dos líderes da igreja junto ao rebanho do Senhor não é como os líderes deste mundo mas ele segue o padrão divino ( Mt. 20.25-26; I Tm. 5.17; Hb.13.17,24; I Pe.5.3).

O líder segundo o modelo bíblico deve desenvolver uma vida de auto vigilância ( At. 20. 31; I Tm. 4.16) e de convicção que o rebanho não pertence a ele mas ao supremo pastor das nossas almas ( At. 20.28). Ele também deve ter ciência dos falsos mestres que se infiltraram nas fileiras dos santos ( At. 20.29-30) esses mestres serão seguidos por pessoas que rejeitam a sã doutrina abraçando fábulas humanas e doutrina de demônios ( I Tm. 4.1-3; II Tm.4.3.)

Por isso o líder cristão deve capacitar outros líderes para a santa obra do Senhor (II Tm.2.2). O pastor segundo Deus deve viver uma vida de piedade ( I Tm.4.7; I Tm. 4.16; I Tm. 4.8; 6.3; II Tm.2.3-5; I Co.9.27) e deve ter uma vida de integridade e de caráter marcado pela piedade ( I Tm.3; Tt.1). Para o líder cristão se munido da verdade cristã ele deve ser marcado pela Bíblia ( Cl.3.16) e desejar conhecer a Deus ( Jer.9.21; Fp.3.8-10).

Ele sem dúvida será um bom manejador da verdade divina (II Tm.2.15; Ef.6.17; Hb.4.12) e trará gloria para Deus ( I Co.10.31), pois estará lutando em prol da verdade divina frente as pseudas falácias que estão no ministério excêntrico anti cristão ( Jd.3). O líder cristão deve ser um homem de oração (II Cr. 7.13,14; At.6.4; Ef.1.3;; Ef. 1.15-23 Cl.1.10; I Pe.5.7)

O líder hodierno é convocado por Deus para viver a vida ministerial de acordo com a sua vontade santa. Ele deve “ Apascentar” o rebanho de Deus ( At.20.28; I Ped.5.2). Deve “ Fornecer supervisão espiritual ( At. 20.28; Tt.1.7). Deve liderar como “ Homem de Deus amadurecido ( At.20.17; Tt. 1.5; I Pe. 5.1) e deve ser “ Fiel como despenseiro do ministério divino ( Tt. 1.7)

O pastor “poimen”, deveria cuidar do rebanho e se esperava da parte do pastor que ele trabalhasse com “critério”, “paciência”, “cautela” e “honestidade” na sua função. Ele deveria cuidar do seu rebanho, guiar o seu rebanho , suprir o seu rebanho e proteger o seu rebanho de ovelhas dos inimigos “ lobos”.

Essa figura do pastor como aquele que guia, cuida, protege, ajuda, corrige é classicamente aplicada para Deus junto ao seu povo ( Sal. 23;Is.40.11; Ez.34.31; Mq.7.14; Zc.10.3; Sl.79.13; 95.7; 100.3). Todo pastor e líder deve ter como protótipo nao o humanismo ministerial mais a Bíblia como plataforma ministerial tripartiti na qual nos dá o inicio o meio e o fim e esse inicio meio e fim deve ser marcado pela soli Deo Glória e pela sola Scriptura. ( só a Deus a Glória e somente a Escritura Sagrada).

extraído da tese de mestrado do pastor Carlos Lopes sobre Teologia Poemenica no Brasil Contemporaneo

TEOLOGIA BÍBLICA DO BATISMO CRISTÃO E DA SANTA CEIA DO SENHOR.


Senhor nosso Deus, quando estamos com medo, não permitas que desesperemos. Quando estamos desapontados, não permitas que a amargura tome conta de nós. Quando nosso entendimento e a nossa força se esgotarem, não nos deixes perecer! Que sempre sintamos a tua presença e o teu amor
Karl Barth, 1886-1968 – teólogo suíço

Acreditamos como Igreja evangélica, que os únicos mandamentos que Cristo deixou para Sua Igreja foram o Batismo em Águas e a Santa Ceia do Senhor. Tudo o que foge deste princípio, são considerados como erro doutrinário.


Teologia Bíblica do Batismo


Cristãos não são apenas pessoas boas, são ou supõe-se que sejam pessoas novas - C. S. Lewis

Então, Jesus aproximou-se deles e disse: Foi me dada a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, BATIZANDO-OS em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos ( Mt.28:18-20NVI)

Hoje, vivemos um momento de vertiginoso crescimento no mundo evangélico, quando milhares e milhares de pessoas em todas as partes estão sendo batizadas.
O batismo cristão é um mandamento bíblico a ser seguido e obedecido pela Igreja e pelo cristão autêntico.

O batismo cristão tem sido praticado desde o primeiro século da história da Igreja. Ele não é um ato criado por um homem ou denominação (Igreja), mas uma ordem de Cristo Jesus para a Sua Igreja, conforme está registrado no Novo Testamento, mais precisamente nos livros de Mateus 28.19 e Lucas 22.19.

Louis Berkhof diz que o batismo cristão foi instituído com autoridade divina, logo ele é obrigatório para todas as gerações subseqüentes. Os Sacramentos são rituais que manifestam a graça de Deus aos crentes. Nós, evangélicos, costumamos chama-los de “ordenanças”, que é um sinal exterior e visível de uma graça interior e espiritual.

Segundo a concepção evangélica, existem somente dois sacramentos ou ordenanças emanados de Jesus Cristo: O Batismo em águas e a Santa Ceia do Senhor Na linguagem do reformador Martinho Lutero, esses dois rituais recebiam, pela ordem, os nomes de “Banho” e de “Pão”.

Quanto ao Batismo em águas, ele representa o ingresso do crente na comunhão com a Igreja, e também o compromisso diário com Cristo e com os irmãos da comunidade da fé.

A palavra batizar (do grego baptizõ) significa imergir, mergulhar. Vimos nos evangelhos que os seguidores do profeta João Batista foram batizados dentro do rio Jordão, conforme Marcos 1:5 e Mateus 3:6.

Algumas Igrejas cristãs batizam por aspersão (respingar água), outras por efusão (derramar água), porém é costume da Igreja, desde o primeiro século, batizar por imersão (Jo 3.23; At. 8:36; At. 8.38-39).

A grande maioria da ala evangélica, batiza por imersão, ou seja, mergulhamos a pessoa em água, prática que os teólogos chamam de “Imersionismo”.

No início do ministério de Jesus Cristo, o batismo estava sendo praticado por João Batista, o precursor do Nosso Senhor (Mc.1:2-11; Jo.19:34) e percebe-se que o mesmo tinha duas ênfases:

• Arrependimento do pecado (Mt. 3:2);
• Antecipação à vinda do Reino de Deus e o juízo (Mt. 3:7-12)

O próprio Jesus Cristo foi batizado por João Batista. Porém, temos que entender que Ele foi batizado não porque tivesse pecados, pois a própria Bíblia diz que Ele não tinha pecado. Tanto era assim que João Batista não queria batizar Aquele do qual ele não se considerava digno nem de desatar as sandálias (Mt.3:14).

Todavia, a doutrina bíblica está aí a garantir que aquele ato era necessário. Jesus Cristo teria que ser batizado para nos deixar exemplo, para se identificar conosco e para consagrar ao Pai o Seu trabalho de salvação (Mt. 3:17).

Como Senhor ressurreto, Jesus enviou a Igreja para fazer discípulos e batizar a todos em nome trino do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt. 28:19). Assim, essa é a missão da Igreja: obedecer ao seu Senhor em todas as coisas. E o que se vê é a Igreja procurando ser obediente a esse mandato de Jesus Cristo em toda a sua história.

O batismo nas águas, em si, não tem poder para salvar um indivíduo. As pessoas não são batizadas para serem salvas; ao contrário: elas são batizadas porque já são salvas.

Como o ritual do batismo é uma obediência às palavras de Jesus Cristo, logo ele não pode ser considerado como “preciso ou não preciso” — Ele é um mandamento e não uma opção. (Mc.16:16)

Quando o candidato ao batismo desce às águas, costuma-se imaginar a figura do descer à sepultura ou de um sepultamento. Neste caso, falamos do sepultamento do velho homem, da velha vida, do mundo.

No ato de sair das águas vemos a figura da ressurreição com Cristo, onde a pessoa está partindo para uma nova vida com o Salvador, uma vida cheia de novidades e muito abundante ( Rm. 6:3-8; Cl. 2.12).

Mas, quem deve ser batizado? Segundo o Novo Testamento, somente devem ser batizados aqueles que fazem uma profissão de fé digna de crédito.

A razão disso é que o batismo, que é um símbolo do início da vida cristã, deve ser ministrado apenas aos que, de fato, iniciaram a vida cristã (At. 2:41; 8.12; 16.32-33).

Diante disso, então, quais seriam os requisitos necessários para
uma pessoa conseguir formalizar a membresia na Igreja? Segundo o doutor Ed Hayes, existem essencialmente quatro requisitos:

• Um coração regenerado: É de suma importância entendermos que a regeneração ou o novo nascimento é uma obra do Espírito Santo no homem interior e que essa obra secreta só pode acontecer por intermédio de Deus. O apóstolo Paulo deixa isso claro em Efésios 2:2-10, quando mostra que é Deus quem nos dá vida em Cristo Jesus. Para Hayes, caso a Igreja pretenda manter a sua pureza, é essencial que a sua membresia seja regenerada. Em momento algum a Igreja pode tolerar que sua membresia seja composta de regenerados e de não-regenerados;

• Uma confissão de fé verossímil: Como o batismo é uma ordenança, o batizando deve fazê-lo em obediência à ordem de Cristo, como uma confissão de fé no seu salvador, e não como uma exigência externa;

• Batismo voluntário em obediência a Cristo: Como já foi falado, o batismo nas águas, em si, não tem poder para salvar. Reafirmamos que as pessoas são batizadas, não para serem salvas, mas porque já são salvas. É uma conseqüência. O batismo é a concretização pública do que Deus fez na vida do indivíduo, a expressão exterior daquilo que o Espírito realizou no homem interior. Dessa forma, o batismo não é só um banho de água, mas uma confissão de fé e de amor.

• Vida cristã exemplar: A vida cristã tem o seu nascedouro no novo nascimento, na concretização do batismo e na santificação como caminhada de fé. É de suma importância, para todos os crentes, que a vida cristã genuína seja marcada pelos frutos do bom testemunho. A vida exemplar do cristão é uma marca de que Jesus realmente é o Senhor da sua vida e de que esse mundo não tem mais atrativos para o regenerado.

Logo, o desejo dele é agradar a Deus, vivendo uma vida cristã exemplar, quando o nome de Deus será glorificado na Igreja e na sua vida. Um cristão que se batiza e vive ainda na velha vida, sem a marca do arrependimento, simplesmente participou de um teatro batismal, tomou um banho, mas o seu coração ainda está longe de Deus e de Sua palavra.

Reafirmamos que o batismo é um símbolo externo de uma regeneração interna. Dessa forma, entendemos que uma criança não pode ser batizada, pois ela ainda não reúne condição de crer. A Bíblia diz: “...aquele que crer e for batizado...”

Se o batismo está numa ordem de fé e obediência, uma criança não tem discernimento disso, pois o batismo é uma declaração pública de uma decisão em virtude da regeneração já efetuada pelo Espírito Santo no homem interior. Não existe nenhuma menção de batismo infantil na Bíblia.

A prática do batismo de crianças só apareceu após o período apostólico, sendo que muitas Igrejas evangélicas a praticam da mesma forma que os católicos.

No lado evangélico, eles defendem sua prática infantil apelando para o pacto. Logo, eles ligam o batismo ao ato judeu da circuncisão e a uma regeneração futura da criança, que no momento encontra-se sob a tutela dos pais (Hayes).

A pratica de muitas igrejas evangélicas não é batizar crianças (pedobatismo) mas as apresentar a Deus, pois o próprio Senhor Jesus Cristo disse: “Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus” (Mc.10:14).

Para encerrar o nosso estudo sobre o batismo em águas, talvez alguém possa perguntar: E aquelas pessoas que aceitaram Jesus Cristo no leito de morte e não tiveram a oportunidade de descer às águas do batismo?

Neste caso, segundo a sua fé e a obra realizada por Deus nele (regeneração, justificação...), ele é capacitado por Deus para a salvação, pois temos exemplos clássicos na Bíblia, sobre isso (Lc. 23.43).
O batismo tem um significado muito importante, pois é uma confissão de fé em Cristo (Rm. 6:3-4; I Pe. 3:212; At. 8:37). Ele está associado com o reconhecimento público de Jesus Cristo como Senhor e Salvador.

Então, Jesus aproximou-se deles e disse: Foi-me dada a autoridade nos Céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, BATIZANDO-OS em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos ( Mt.28:18-20NVI)

O batismo também é uma experiência de comunhão com Cristo (Cl 2:12). Para o Novo Testamento, portanto, o batismo é o momento simbólico em que o pecador é unido a Cristo em todo o curso de seu ato redentor: Vida, Morte, Ressurreição, Ascensão e Reino (Gl. 2:20; Ef. 2:5ss). O batismo é uma consagração para se viver para Cristo (Rm 6: 4-22).

TEOLOGIA BÍBLICA DA SANTA CEIA DO SENHOR

Eu não gostaria de chegar á lua, mas gostaria de chegar á porta da casa de meu inimigo. Não gostaria de semear divergências, gostaria antes de ser instrumento de tua paz, Senhor. Dá-me coragem para construir pontes, dá-me coragem para dar o primeiro passo. Faze-me confiar nas pontes que tu constróis, e quando as atravesso, se tu comigo – K. Rommel

Por que eu recebi do Senhor o que também vos entreguei, que o Senhor Jesus na noite em que foi traído, tomou o pão; e tendo dado graças, o partiu e disse”: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Por que, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice anunciais a morte do Senhor, até que ele venha (I CORÍNTIOS 11.23-26).

A igreja de Jesus Cristo, ao longo dos anos, celebra a Santa Ceia do Senhor. Os escritos antigos, como o “Didaquê”, mostra que os irmãos do passado celebravam com fervor, amor e reverência a Santa Ceia do Senhor. Este segundo Sacramento dado pelo Senhor Jesus Cristo é de suma importância para a vida da igreja (Mt. 26.26-30; Mc.14.22-26; Lc. 22.14-23; I Cor. 11.23-29).

A Santa Ceia do Senhor, também chamada de “Comunhão” e “Partir do Pão”, deve ser obedecida por todos aqueles que são nascidos de novo e que tem Cristo como seu único Senhor e Salvador.

Durante a história da Igreja três escolas interpretaram a Santa Ceia de maneira diferente.

• Doutrina da Transubstanciação: Essa doutrina foi adotada formalmente pela Igreja Católica Romana, através do IV Concílio de Latrão (1215), defendendo a idéia de que as substâncias do vinho e do pão transformam-se literalmente no corpo de Cristo (hoc est corpus meum - Isto é o meu corpo).

• Doutrina da Consubstanciação: Essa segunda corrente foi burilada no período da reforma (1500), ensinando que Cristo está presente nos elementos;

• Doutrina Simbólica: Essa terceira corrente diz que a Santa Ceia do Senhor é algo que caracteriza a presença simbólica e espiritual de Cristo.

O teólogo reformado João Calvino advoga esta posição, quando diz que o pão e o vinho simplesmente simbolizam o corpo e o sangue de Cristo. Esse é um sinal visível de que Cristo verdadeiramente está presente.

A maioria da ala evangélica, crê com clareza na “doutrina simbólica”, pois o pão e o vinho simbolizam o corpo e o sangue de Cristo.

Nós cremos piamente que esse mesmo Cristo que se ofereceu em sacrifício por nós está presente na bendita Santa Ceia do Senhor, nos fortalecendo, abençoando, ouvindo o nosso clamor e aceitando a nossa adoração. Pois Ele mesmo disse: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt. 18.20).
Devemos compreender, então, como cristãos genuínos, que a Santa Ceia não é uma opção, mas um “sacramento”, ou seja, um “mandamento” dado pelo Senhor da Igreja aos Seus filhos.

Logo, esse mandamento, que são dois (Batismo e Santa Ceia) devem ser obedecidos, pois a obediência a eles produz benção para o povo de Deus e compreensão do sacrifício de Cristo por nós, na cruz do Gólgata.

A celebração da Santa Ceia do Senhor é um sinal de adoração, agradecimento, recordação, etc., por tudo que Jesus Cristo é, por tudo que Jesus Cristo fez e por tudo que Jesus Cristo faz e fará. Como Cristãos nascidos de novo, devemos sempre glorificar o nome de Deus e dar-Lhe graça por tudo que Ele fez por nós.

A nossa eucaristia, palavra grega que significa “Dar graça”, deve ser constantemente demonstrada quando participamos com alegria e gratidão do “Pão e do Vinho” — a Santa Ceia do Senhor.

A Ceia do Senhor também tem um caráter pedagógico, pois devemos ensinar aos nossos filhos o porquê desse ato em “memória de mim”, glorificando o nome do nosso Deus na visibilidade da sua graça.

Devemos também, como cristãos, entender que a Santa Ceia do Senhor não pertence a nenhum grupo organizado, a nenhuma Igreja, a nenhum indivíduo, etc., mas que pertence exclusivamente ao Senhor Jesus Cristo, pois foi Ele quem estabeleceu e nos ordenou que celebrássemos esse ato em comunhão e em “memória Sua”, pois como diz a Bíblia:

Porventura, o cálice da benção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que participamos não é a comunhão do Corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão ( I Cor.10.16-17).

Com esse ato santo, devemos celebrar a nossa total comunhão uns com os outros e também a nossa total união com Cristo. A Santa Ceia do Senhor pode ser vista numa ação tripartida: passado, presente e futuro. Olhando neste aspecto, enxergamos todo o quadro e o propósito de Deus.

Quando voltamos os nossos olhos para o “passado”, percebemos que a Santa Ceia do Senhor é um memorial segundo a Bíblia (Lc. 22.19; I Cor. 11.24-25), o que nos leva para o Calvário e nos faz ver a morte do Filho de Deus, o Cordeiro Santo, por nós. Sua morte salvífica e Sua redenção é motivo de nos alegramos por tamanha graça imerecida.

No “presente”, a Santa Ceia do Senhor é um ato santo de comunhão com Cristo e com os irmãos, e também uma demonstração plausível do senhorio de Cristo na Igreja e nas nossas vidas, além de ser a celebração da nossa vida de santificação, missão e convicção e adoração, pois o Cordeiro que estava morto ressuscitou e está presente no meio do seu povo (Mt. 18.20; Ap. 1.4-8,18)

No “futuro”, a Santa Ceia do Senhor declara com eloqüência a volta de Cristo (I Co.11.26) “até que ele venha” e também aponta para o grande banquete no porvir, quando todos os servos do Senhor estarão presentes com o nosso Deus, como está escrito no Santo Evangelho ( Mt. 8.11; Lc. 1.22; Mc. 14.25; Lc. 22.18).

Desejei muito comer convosco esta Páscoa, antes que padeça (..). E, tomando o cálice e havendo dado graças, disse: Tomai-o e reparti-o entre vós, porque vos digo que já não beberei do fruto da vinde, até que venha o Reino de Deus. E tomando o pão e havendo dado graças, partiu-o e deu-lhe dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isso em memória de mim. Semelhantemente, tomou o cálice depois da ceia, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue que é derramado por vós. (Palavras de Jesus Cristo, narrada por São Lucas 22.7-20)

Edward Bragg disse com clareza: “ Todos os que se assentam em torno da Mesa do Senhor são iguais”. Encerro com a sentença do erudito Langstom que falando a respeito da igreja disse:

A Igreja é a comunidade cristocêntrica ( Cristo é o centro); as suas atividades devem ser inspiradas e dirigidas por Cristo. O motivo é Cristo. O modelo é Cristo. O objetivo é Cristo.


Autor: Pastor Carlos Augusto Lopes – ADI/Tubarão SC/ pastorcarloslopes@hotmail.com

quinta-feira, 5 de março de 2009

QUEM SOU EU?

DIETRICH BONHOEFFER
Foi enforcado na Alemanha no período do nazismo, ele era pastor, pensador, poeta e teólogo e se opôs ao sistema déspota de Hitler

Quem sou eu? Muitas vezes me dizem
Que eu sairia do confinamento da minha cela
Calma, alegre e firmemente,
Como um cavaleiro vindo de sua terra natal.

Quem sou eu? Também me dizem
Que eu falaria com os meus carcereiros
Livre, clara e amigavelmente,
Como se me coubesse comandar.

Quem sou eu? Também me dizem
Que eu suportaria dias de má sorte
Uniforme, sorridente, orgulhosamente,
Como alguém habituado a vencer.

Sou realmente isso tudo o que os outros dizem?
Ou sou somente o que sei de mim,

Inquieto, anelante e enfermo, como pássaro na gaiola,
Lutando por conseguir respirar como se mãos
Estivessem comprimindo a minha garganta,

Anelando por cores, por flores, pelas vozes das aves,
Sedento de palavras bondosas, de urbanidade
Tremendo impotentemente por amigos a uma distância infinita
Fatigado e vazio na oração, no pensamento, na realização,
Desfalecido e pronto a dizer adeus a tudo?

Quem sou eu? Este ou aquele outro?
Sou uma pessoa hoje, e outra amanhã?

Sou ambas ao mesmo tempo? Um hipócrita perante os outros,
e diante de mim mesmo um fraco desprezível e desolado?
Ou ainda há dentro de mim algo como um exército batido, fugindo
Desordenadamente da vitória já obtida?

Pastor Carlos Augusto Lopes
Teólogo